sábado, 6 de setembro de 2008

6.Inicia-se o Festival:

Dia 10 de agosto, pela manhã, fomos conduzidos ao Centro de Eventos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sede da organização administrativa do Festival, onde estavam a Secretaria; os estandes de exposição de empresas de cinemas e outras mídias; equipamentos eletrônicos e de telecomunicações; salas de entrevistas coletivas; salas de debates e exibição de curtas-metragens, e um local decorado com símbolos das tradições da cultura gaúcha, onde fui com freqüência tomar chimarrão.Fomos bem recebidos pelas secretárias e pelo Flávio Borges, responsável em atender todas as necessidades dos membros do Júri Popular. O material destinado a cada jurado já estava pronto e personalizado – crachá, bolsa, folders, programação do festival, folhetos com orientações sobre pontos turísticos, lista dos restaurantes onde poderíamos fazer as refeições. Em seguida tivemos uma reunião com Ana Mota e Sérgio Sanz, ela responsável pela Comunicação e ele um dos curadores do festival, ocasião em que recebemos as orientações necessárias para fazermos um bom trabalho, com os devidos cuidados para a preservação do sigilo quanto as nossas escolhas dos melhores filmes, que só poderiam ser revelados após a exibição do último filme da amostra competitiva.Às 17 horas de domingo, dia 10, na rua coberta, em frente ao Palácio dos Festivais, aconteceu a abertura do Festival, com a presença de autoridades municipais e estaduais, artistas, produtores, cineastas, e grande número de populares, tendo a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre apresentado diversas peças musicais.Em seguida os convidados caminharam sobre o tapete vermelho até o Palácio dos Festivais, onde aconteceram as exibições dos filmes concorrentes.
(Continua)

7.Os filmes

Segundo o curador José Carlos Avelar, a pré-seleção dos filmes foi feita por uma comissão de cinco membros. Foram inscritos 43 filmes nacionais e 12 internacionais. A seleção oficial de filmes para a amostra competitiva ficou assim constituída: Seis Filmes nacionais e cinco Filmes estrangeiros.

7.1. Mostra competitiva filmes brasileiros longa-metragem:

-A festa da menina morta, direção de Matheus Nachtergaele;
-Juventude, direção de Domingos de Oliveira;
-Netto e o domador de cavalos, direção de Tabajara Ruas;
-Nome próprio, direção de Murilo Salles;
-Pachamama, direção de Erik Rocha, e
-Vingança, direção de Paulo Pons.

7.2. Mostra competitiva filmes estrangeiros longa-metragem:

-Cochochi, direção Israel Cárdenas e Laura Guzman, México;
-Mindelo – atrás de horizonte, direção de Alexis Tsafas, Cabo Verde;
-O mistério da estrada de Sintra, direção de Jorge Paixão da Costa, Portugal;
-Perro come perro, direção de Carlos Moreno, Colômbia, e
-Por sus propios ojos, direção de Liliana Paolinelli, Argentina.

7.3. Mostra competitiva filmes brasileiros curta-metragem:

-Areia, de Caetano Gotardo;
-Blackout, de Daniel Rezende;
-Booker Pittman, de Rodrigo Grota;
-Dossiê Rê Bordosa, de César Cabral;
-Espalhadas pelo ar, de Vera Egito;
-Hiato, de Vladimir Seixas;-Homens, de Lúcia Caus e Bertrand Lira;
-Noite de domingo, de Rodrigo Hinrichsen;
-O presidente dos Estados Unidos, de Camilo Cavalcante;
-Osório, de Heloísa Passos e Tina Hardy;
-Subsolo, de Jaime Lerner, e
-Um ridículo em Amsterdã.

7.4. Mostra Gaúcha – Prêmio Assembléia Legislativa de Cinema:

-Cortejo negro, de Diego Muller;
-DOC 8, de Christian Schneider;
-Dois coveiros, de Gilson Vargas;
-Fome de quê?, de Luiz Alberto Cassol;
-Impoliticamente correto, de Pedro Breitman e Maurício Gyboski;
-Mamãe, eu não queria!, Bibiana Mandagará;
-Mesa de bar, de Pedro Nora e Tiago Ribeiro;
-Mímesis, de Francisco Antunes;
-O sete trouxas, de Márcio Schoenardie;
-O vazio além da janela, de Bruno Polidoro;
-Os boçais, de Lufe Bollini;
-Primogênito complexo, de Tomás Creus e Lavínia Chianello;
-Rosário dos navegantes, de Éverson Godinho;
-Sótão, de Rogério Souza;
-Subsolo, de Jaime Lerner;
-Tradição, tradição, de André Wofchuk, e
-Um dia como hoje, de Eduardo Wannmacher.

Mostra Paralela:

A exibição destes filmes, que não concorriam aos Kikitos, aconteceu no Palácio dos Festivais, no Centro de Eventos da UFRGS, no Centro Municipal de Cultura e em 11 bairros da cidade.

1. Especiais Gramado 2008:

-Crítico, de Kleber Mendonça Filho;
-Manhã transfigurada, de Sérgio de Assis Brasil;
-O aborto dos outros, de Carla Gallo;
-O grão, de Petrus Cariry;
-O mistério do samba, de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, e
-O retorno, de Rodolfo Nanni.

2. Mostra Marrocos:

-Marock, de Laila Marrakchi, e
-Tenja, de Hassan Legzouli.

3. Mostra Paralela:

-A casa de Alice, de Chico Teixeira;
-Caixa dois, de Bruno Barreto;
-Doutores da alegria, de Mara Mourão;
-O banheiro do papa, de Enrique Fernández;
-Nossa Senhora de Caravaggio, de Fábio Barreto;
-O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hambúrguer;
-O mundo em duas voltas, de David Schürmann, e
-Saneamento básico, o filme, de Jorge Furtado.

4. Mostra Infantil:

-Turma da Mônica;
– uma aventura no tempo, de Maurício de Souza;
-O cavaleiro Didi e a princesa Lili, de Marcos Figueiredo;
-Os porralokinhas,
-Xuxa em sonho de menina, de Rudi Lagemann.

5. Revelando brasis:

-A encomenda do bicho medonho, documentário de André da Costa Pinto;
-De tempos em tempos, documentário de Ana Johann;
-Manã Bai, documentário de Zezinho Yube, e
-O grande balé de Damiana, ficção de João Loureiro Jr.

6. 32ª Mostra Competitiva de Cinema Super-8:

-15 concorrentes.
(Continua)

8. As homenagens

Receberam homenagens do 36º Festival de Cinema de Gramado e da cidade de Gramado as seguintes personalidades do cinema:

8.1. Troféu Oscarito: ator Walmor Chagas;

8.2. Troféu Eduardo Abelin: cineasta Júlio Bressane - Brasil;

8.3. Kikito de cristal: cineasta Julio Garcia Espinosa – Cuba, pelo conjunto da obra;

8.4. Homenagem especial da cidade de Gramado: ator Renato Aragão.
(Continua)

9. Os Vencedores do Prêmio Kikito


9.1. Longa-metragem brasileiro:
Melhor filme de longa-metragem: ‘Nome próprio’, de Murilo Salles
Melhor diretor: Domingos Oliveira, pelo filme ‘Juventude’
Melhor ator: Daniel de Oliveira, pelo filme ‘A festa da menina morta’
Melhor atriz: Leandra Leal, pelo filme ‘Nome próprio’
Melhor roteiro: Domingos Oliveira, pelo filme ‘Juventude’
Melhor fotografia: Lula Carvalho, pelo filme ‘A festa da menina morta’
Prêmio especial do júri: ‘A festa da menina morta’, de Matheus Nachtergaele
Prêmio de qualidade artística: para os Atores Aderbal Freire Filho, Domingos Oliveira e Paulo José, pelo filme ‘Juventude’
Melhor diretor de arte: Pedro Paulo de Souza, pelo filme ‘Nome próprio’
Melhor música: Matheus Nachtergale, pelo filme ‘A festa da menina morta’
Melhor montagem: Natara Ney, pelo filme ‘Juventude’
Prêmio da crítica: ‘A festa da menina morta’, de Matheus Nachtergale
Melhor filme do júri popular: ‘A festa da menina morta’, de Matheus Nachtergale
9.2. Longa-metragem estrangeiro:

Melhor filme: ‘Cochochi’, de Israel Cardenas e Laura Guzman
Melhor diretor: Carlos Moreno, pelo filme ‘Perro come perro’
Melhor ator: Marlon Moreno e Oscar Borda pelo filme ‘Perro come perro’
Melhor atriz: Ana Carabajal pelo filme ‘Por sus propios ojos’
Melhor roteiro: Liliana Paolinelli pelo filme ‘Por sus propios ojos’
Melhor fotografia: Juan Carlos Gil pelo filme ‘Perro come perro’
Prêmio especial do júri: para ‘Por sus propios ojos’
Prêmio de qualidade artística: para ‘Cochochi’
Excelência de linguagem técnica: ‘Cochochi’, de Israel Cardenas e Laura Guzman
Prêmio da crítica: ‘Perro come perro’, de Carlos Moreno
Melhor filme do júri popular: ‘Por sus propios ojos’, de Liliana Paolinelli
9.3. Curta-metragem:

Melhor filme: ‘Areia’, de Caetano Gotardo
Melhor diretor: Jaime Lerner, pelo filme ‘Subsolo’
Melhor ator: Augusto Madeira, pelos filmes ‘Blackout’ e ‘Noite de domingo’
Melhor atriz: Malu Galli, pelo filme ‘Areia’
Melhor roteiro: César Cabral e Leandro Maciel, por ‘Dossiê Rê Bordosa’
Melhor fotografia: Heloisa Passos, por ‘Areia’
Prêmio especial do júri: ‘Booker Pittman’, de Rodrigo Grota
Melhor diretor de arte: José de Aguiar, pelo filme ‘Booker Pittman’
Melhor música: Booker Pittman, pelo filme ‘Booker Pittman’
Melhor montagem: César Cabral e Leandro Maciel, pelo filme ‘Dossiê Rê Bordosa’
Prêmio da crítica: ‘Booker Pittman’, de Rodrigo Grota
9.4. Mostra gaúcha:

Melhor filme: ‘Um dia como hoje’, de Eduardo Wannmacher
Melhor direção: Diego Muller, por ‘Cortejo negro’
Melhor roteiro: Eduardo Wannmacher, por ‘Um dia como hoje’
Melhor fotografia: Fernando Vanelli, por ‘Cortejo negro’
Melhor direção de arte: Rita Faustini, por ‘Os sete trouxas’
Melhor música: Fausto Prado, por ‘Subsolo’
Melhor montagem: Fábio Lobanowsky, por ‘Um dia como hoje’
Melhor edição de som: Cristiano Scherer, por ‘Rosário dos navegantes’
Melhor produtor/ produtor executivo: Pablo Muller, por ‘Cortejo negro’
Melhor ator: Júlio Andrade, por ‘Um dia como hoje’
Melhor atriz: Carolina Sudat, por ‘Um dia como hoje’
(Continua)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

10. Conclusão: Alguns comentários e reflexões





-Por tudo o que vivi naqueles dias, se antes eu já gostava muito de cinema, lazer que tenho desde criança, agora estou gostando muito mais. A convivência com pessoas que trabalham na área técnica do cinema (roteiristas, diretores, produtores, etc) e também com estudantes de cinema, ampliou minha visão e interesse por esta arte. Pude ver que o cinema é muito mais do que ver um filme, e o festival é bem mais que glamour, artistas deslumbrados, tietes buscando autógrafos e fotos com seus ídolos, busca de lucros, um mundo de ficção e fantasia. Pude ver também seriedade nos realizadores, na busca honesta da divulgação da cultura nacional e internacional; a luta para a aquisição de financiamentos; os anos de pesquisa sobre a história e a elaboração dos personagens de um filme, enfim, a grande luta que é fazer cinema no Brasil.
Muito interessante era assistir aos debates que aconteciam no dia seguinte às exibições dos filmes competidores, ocasião em que diretores, atores, roteiristas e produtores, perante a imprensa especializada, jurados, críticos, estudantes de cinema e público interessado, respondiam perguntas e explicavam tudo o que estava envolvido naquele filme, desde o surgimento da idéia, até as pesquisas históricas, formação do elenco, a intenção da colocação das músicas, a fotografia, como também a simbologia, o significado do que ocorre em cada cena, qual o pensamento e a intenção do diretor em cada tomada.
Um aspecto que também considerei valioso foi ver o cinema como fator de integração cultural com outros países (Argentina, México, Colômbia, Portugal e Cabo Verde), fazendo-nos ver, através dos filmes e dos realizadores que vieram, as vivências, alegrias, dificuldades cotidianas de outros povos, tão semelhantes ao que nosso povo vive.
Outro ponto importante que observei foi a presença da comunidade gramadense dentro do evento. Presenciei grupos de escolares nos locais do festival. Alunos das escolas municipais são envolvidos antes e durante o festival com o estudo e trabalhos sobre o cinema, e há um projeto de Educação Cinematográfica nas escolas de 1º grau de Gramado, destinado à formação de público para o cinema, na faixa etária de 9 a 14 anos, com aulas de como ver cinema – educação para ver cinema (Informação de José Carlos Avelar um dos curadores do Festival). Também vi durante o evento um grupo de surdos-mudos, que pediu à atriz Ingra Liberato uma intercessão, e ela, na entrega dos Kikitos, falou em nome deles, solicitando aos realizadores a colocação de legendas em filmes brasileiros. Também fez parte da programação a exibição de filmes em onze bairros da cidade, como também os filmes que passavam à noite para os júris e convidados eram reprisados pela manhã para o público.
As vivências e as informações recebidas durante o festival ampliaram a minha visão do cinema como importante divulgador da cultura nacional, através da valorização da história, da religiosidade, da política, das manifestações artísticas populares, dos conflitos e dramas humanos; sendo também fator gerador de intercâmbio cultural, além de gerador de empregos, rendas e negócios.
Durante o Festival aconteceu o “Café e Negócios de Cinema”, com uma programação voltada para o intercâmbio e o estímulo aos negócios no setor cinematográfico.
Hoje posso entender melhor as razões deste Festival ter se transformado, em 36 anos de existência, no maior festival de cinema do Brasil e da América Latina. A filosofia do Festival de Cinema de Gramado, segundo o curador Avelar, é que ele não é um campeonato onde um ganha e os outros perdem. Ser selecionado para participar já é uma vitória para todos os participantes. Ele é fruto de uma parceria da produção cinematográfica nacional, pública e privada, tendo à frente a Prefeitura Municipal de Gramado. Hoje o Rio Grande do Sul é o 3º mercado de cinema do país, sendo o 1º São Paulo e o 2º o Rio de Janeiro.

-A cultura cinematográfica brasileira não consegue se expressar nos meios convencionais de mídia. Anualmente são produzidos, em média, 70 filmes no Brasil, com 60 a 70% do público de cinema localizado em Rio de Janeiro e São Paulo, e estimativa de 90.000.000 de espectadores em todo o país. As redes de TV e os jornais escritos dão muito pouco espaço para a divulgação destes filmes e para a crítica cinematográfica, além da maioria das 2.200 salas de cinema existentes no país estarem sempre disponibilizadas para os filmes estrangeiros, especialmente os dos Estados Unidos. Por todas estas limitações aliadas aos altos preços dos ingressos, o povo está cada vez mais distante das salas cinematográficas, daí a importância dos festivais para ampliar a divulgação do cinema nacional.

-Ver um filme me dá a oportunidade de me encontrar comigo mesmo, identificando-me com um ou mais personagens, vendo a minha própria história, obtendo muitas vezes alívio e força para continuar, ao ver como outros vivem, convivem e resolvem dramas semelhantes aos que estou sentindo. Por isto que o cinema é mágico, envolvente, porque mexe com o nosso interior, toca sentimentos nem sempre conscientes, investiga dores e amores, fazendo-nos algumas vezes vivenciar situações sofridas ou alegres, daí o choro, a tristeza, a alegria, o riso que eles nos despertam. Por isto que ele também pode ser terapêutico.
O cinema traz à tona as nossas raízes mais profundas, e a gente se vê em circunstâncias trazidas de uma maneira trágica, dramática, triste, ridícula ou cômica. É possível viver aquilo que não temos coragem, que fugimos em nossa vida cotidiana, através dos personagens, dos nossos heróis que fazem a trajetória que a gente gostaria de realizar.
Dos filmes guardamos uma lembrança afetiva, o que toca a nossa sensibilidade, pois eles despertam em nossa memória algo que já sentimos e vivenciamos, que identificamos também como nosso, tal qual o personagem representa. É bom observar, enquanto assistimos um filme, o que nos provoca impacto emocional, como fica nossa reação afetiva, o que desperta sentimentos, seja de raiva, antipatia, alegria, identificação, desprezo, pelos personagens da história. Pergunte-se o que este filme lhe diz? O quê e onde ele lhe toca? Por que gosta ou não gosta?

-Em muitos momentos sentia-me em Gramado como se estivesse em um outro país, pois é um lugar muito diferente da realidade cotidiana em que vivo. Procurei e não encontrei nas ruas mendigos, menores abandonados, guardadores de carro e cães vadios; não vi cercas elétricas nas residências – aliás, causou-me espanto ver que muitas casas nem cerca têm; nem esgoto a céu aberto ou lixo nas ruas.
Causou-me ótima impressão ouvir o Prefeito Municipal dizer que há 300 eventos por ano naquela cidade. Fiquei imaginando o fluxo de gente que circula por lá, fazendo crescer o volume dos negócios comerciais, financeiros e turísticos, ampliando e mantendo a geração de empregos, o que proporciona um alto padrão de qualidade de vida àquela comunidade.

Concluindo: tenho grande admiração pela arquitetura, em especial a estética das casas, prédios, templos religiosos e outras construções que expressam a cultura e a forma de vida e de convivência de um povo com a natureza. Gramado encheu-me os olhos de grande beleza pela influência européia, principalmente a germânica, em suas construções, conforme as fotos acima demonstram.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O tiozão

Recebi o seguinte e-mail de uma amiga: “...Que tal produzir um texto sobre os "tiozãos" (quarentões, cinquentões e até sessentões), que acham que podem competir com os filhos jovens e saem paquerando as "menininhas"?”. Pedi que ela escrevesse mais sobre o assunto e ela respondeu: “Não tenho uma tese "científica", apenas observações do cotidiano vivido em um ambiente predominantemente masculino. Pelas conversas e atitudes, percebe-se que eles se sentem tão à vontade quanto qualquer garotão, quando se trata de dar em cima das garotas, mesmo havendo leis que punem a pedofilia. Historicamente, parece que esse interesse era mais disfarçado (e até mais aceito socialmente): vide as visitas dos senhores de engenho às senzalas e dos seringalistas com as filhas dos seringueiros; na literatura, onde os escritores, ao falar de seus personagens adolescentes, talvez estivessem homenageando alguém especial para eles (Lolita, Alice no País....Ariel, etc.). Sei que não justifica o mau-caratismo desses “lobos-maus”, mas hoje há uma exposição tão exarcebada das "ninfetas", alimentada pela mídia, que elas "transpiram" sensualidade já com 13, 14 anos. Os "caras" devem ficar malucos. Imagina, uma "gatinha", de shortinho curtinho, barriguinha lisinha de fora, descendo do carro do tiozão junto com a filhinha dele e, toda sensual, dizer: "obrigada, tio"! Ou então circulando dentro de casa, dormindo no quarto da filha dele ou contando estórias engraçadas à mesa do almoço. Um conhecido, com filhos adultos, largou a família para viver com uma garota de 15 anos, filha do melhor amigo dele. Imediatamente, fez dieta, emagreceu, fez exercícios, comprou roupas novas e foi conversar com cada um dos conhecidos, tentando convencê-los de que havia total compatibilidade. Na verdade ele queria uma "aprovação", porque sabia que todos achavam a situação ridícula e ele, realmente, estava ridículo.” A Pedofilia consta na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças(CID), da Organização Mundial da Saúde, como uma patologia relacionada aos Transtornos de Preferência Sexual - CID F 65.4. Apesar de já combatida, ainda é muito praticada, inclusive com menores do mesmo sexo e com os próprios filho(a)s, com o agravante de que é aceita por muitos como algo normal, cultural, fator até de exibicionismo e gabolice de alguns “papa-anjos”, e há muito a ser feito para que essa nefasta prática seja abolida. E tem também, em menor escala, a pedofilia praticada por mulheres.

domingo, 3 de agosto de 2008

Procura-se

Quero um amigo verdadeiro
a quem possa vomitar
a alma e o coração inteiro.

Que me ouça sem interromper,
sem condenar nem defender,
que apenas me ouça o mais profundo.

E depois, sem nada cobrar,
seja terno, seja puro, só amigo,
bebendo comigo, sem dividir nem multiplicar,
a grande solidão de meus segredos.

Darcy França Denófrio (Itarumã, 21 de julho de 1936) é uma educadora, poeta, biógrafa e crítica literária brasileira. Tem seus estudos voltados fundamentalmente para a literatura de seu estado, Goiás. Dedicou trinta anos de sua vida ao magistério, destacando-se como professora de Teoria Literária nos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Goiás