segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Mensagem de Natal 2008 e Ano Novo 2009

Que neste Natal e no Ano Novo tenhamos mais força e constância no uso destas Pérolas do aperfeiçoamento:

Paciência - para as dificuldades...
Tolerância - para as diferenças...
Benevolência - para os equívocos...
Misericórdia - para os erros...
Perdão - para as ofensas...
Prudência - para as ilusões...
Equilíbrio - para os desejos...
Sensatez - para as escolhas...
Sensibilidade - para os olhos...
Delicadeza - para as palavras...
Discernimento - para os ouvidos...
Resignação - para a escassez...
Responsabilidade - para a fartura...
Coragem - para as provas...
Fé - para as conquistas...
Amor - para todas as ocasiões!
(Autor desconhecido)

Ótimos exercícios para serem praticados em 2009:

Ser alegre, e não exibido.
Ser sincero, e não ofensivo.
Ser firme, e não arrogante.
Ser humilde, e não submisso.
Ser rápido, e não impreciso.
Ser despreocupado, e não descuidado.
Ser amoroso, e não possessivo.
Ser persistente, e não teimoso.
Ser disciplinado, e não inflexível.
Ser flexível, e não permissivo.
Ser obediente, e não escravo.
Ser gentil, e não bajulador.
Ser introspectivo, e não fechado.
Ser determinado, e não teimoso.
Ser corajoso, e não agressivo.
(Autor desconhecido)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Evo Morales e a reconstrução da Bolívia


Postei a carta “Somos irmãos” em meu antigo blog, no início da administração do Presidente da Bolívia Evo Morales (janeiro de 2006), e nestes anos continuo acompanhando e admirando sua trajetória de lutas políticas junto ao povo boliviano para se libertarem das amarras da criminosa exploração capitalista. Neste período vimos toda a campanha promovida pelos Estados Unidos e outros países “civilizados” no sentido de desacreditá-lo, tendo como grande aliada a mídia internacional, também manipulada pela Casa Branca, incluindo a brasileira. Povos que lutam por seus direitos não são bem vistos pelos “donos do mundo”, e a resposta dada por eles é violenta e imediata, pois estas lutas podem ser exemplo para outros povos explorados. Vejam a campanha difamatória que fazem também com Hugo Chavez, da Venezuela; Raul Castro, em Cuba; Rafael Correa, no Equador; Mahmoud Ahmadinejad, no Irã, e outros, e o que fizeram com Salvador Allende, no Chile; João Goulart no Brasil; Mohammed Mossadegh, no Irã, e diversos políticos nacionalistas, derrubados do poder e alguns até assassinados por ousarem defender uma política voltada para o bem de seus povos.
Usando a secular técnica imperialista e colonialista de dividir para poder dominar, os Estados Unidos estão por trás de movimentos que alimentam a divisão interna destes povos (vide o movimento autonomista na Bolívia, o frustrado golpe de Estado na Venezuela em 2002 e tantos golpes militares que foram por eles financiados e até executados em todo o mundo), além de jogarem um país contra outro na América Latina, países árabes, asiáticos e africanos.
Ontem tive a alegria de ler o artigo que transcrevo abaixo, pois acredito firmemente que um povo com educação e saúde tem mais possibilidades de enxergar seus direitos e lutar por eles – quanto mais doente e analfabeto um povo, mais fácil de ser dominado e explorado. Ressalto que não sou mais um deslumbrado por qualquer política ou político de esquerda, como já fui. Hoje, depois de tanta decepção com eles e uma visão mais clara do que a direita política pode fazer de mal a um país, me esforço para discernir politicamente onde devo investir meu voto, e ainda encontro alguns políticos de esquerda que merecem que eu vote neles.
Após o artigo, republico a carta de Evo Morales.
Gilvan Almeida – 21.12.2008

Governo da Bolívia anuncia fim do analfabetismo no país
"Abraham Zamorano”
da Efe, em Cochabamba, 20.12.2008

O governo boliviano anunciou neste sábado (20) o fim do analfabetismo no país andino. Junto com Venezuela e Cuba, planejam se concentrar no Paraguai e Nicarágua para alcançar a mesma meta.
O objetivo de colaborar com esses países foi divulgado pelo ministro venezuelano de Educação, Héctor Navarrona, em Cochabamba, na Bolívia, como medida relacionada a Alba (Alternativa Bolivariana das Américas).
"Missão cumprida diante do povo boliviano e do mundo inteiro", exclamou o presidente da Bolívia, Evo Morales, ao lembrar que "erradicar o analfabetismo" sempre foi um de seus objetivos desde que era candidato.
Em Cochabamba, em uma festa da qual também participou o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, cerca de 5.000 pessoas, muitos deles cubanos e venezuelanos, se concentraram em um complexo poliesportivo para celebrar o fim oficial do analfabetismo no país.
O líder paraguaio destacou que a Bolívia é o terceiro país da América Latina, após Cuba e Venezuela, a alcançar um dos Objetivos do Milênio das Nações Unidas.
"Quando cada paraguaio, cada boliviano, cada argentino e cada brasileiro pouder escrever com próprio punho a história de seu futuro ninguém mais poderá roubar deles a esperança", disse o governante paraguaio.
Lugo também disse receber "com muita alegria" a proposta de Morales de estender o projeto ao Paraguai, o que qualificou de "desejo generoso" do líder boliviano.
A Bolívia, usando o método audiovisual cubano "Eu posso" e contando com apoio financeiro da Venezuela alfabetizou em 33 meses quase 820 mil pessoas, quase 10% da população.
O programa de alfabetização, que Morales transformou em um assunto de Estado, recebeu a doação de 3.000 televisores e videocassetes de Cuba, além de 8.000 painéis geradores de energia para que se pudesse chegar à área rural.
Perfil dos alfabetizados
Cerca de 70% dos alfabetizados pelos quase 50 mil facilitadores foram mulheres, majoritariamente indígenas da área rural, o que para o ministro boliviano de Educação, Roberto Aguilar, demonstra a exclusão à qual estiveram condenadas.
Participaram do programa praticamente a totalidade dos iletrados do país nos mais de 50 mil pontos de alfabetização que foram instalados por todo o país e que resultaram em um índice de alfabetização de 96% da população.
O "Eu posso", segundo explicou o embaixador cubano na Bolívia, Rafael Dausá, se caracteriza também por ser uma versão adaptada à realidade e necessidades do país.
Segundo números oficiais, em idioma quíchua foram alfabetizadas 13,6 mil pessoas e em aimará quase 25 mil.
Entre as lembranças mais comentadas, está o fato de que inclusive crianças se tornaram alfabetizadores como foi o caso de Tupiza, povoado do departamento (Estado) de Potosí, na região sul, onde houve um alfabetizador de 8 anos e uma de 12, segundo o ministro Aguilar.
Apesar de ser um dos países mais pobres do continente junto com Guiana e Haiti, após a campanha que custou US$ 36 milhões, a Bolívia atingiu um marco histórico na frente de potências econômicas da região como Brasil, Argentina e México.
Na celebração, também estiveram o diretor da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação e a Ciência) para a região andina, Edouard Matoco ,e o ex-chanceler argentino Dante Caputo, representando a OEA (Organização dos Estados Americanos).
Além disso, para a ocasião chegaram o vice-presidente do Conselho de Ministros de Cuba, José Ramón Fernández, a titular de Educação desse país, Ena Elsa Velásquez, e seu colega venezuelano Navarro.
O ministro venezuelano reivindicou a integração regional mediante a Alba. "Cubanos, bolivianos e venezuelanos vão à Nicarágua e ao Paraguai também para travar a batalha pela libertação", disse.

Carta postada em 23.10.2006

Acompanho há um bom tempo a trajetória pública de Evo Morales, Presidente de nossa vizinha Bolívia, e admiro o seu pensamento político e ideológico em muitos aspectos (sem deixar de ver os excessos), especialmente aqueles voltados à defesa das riquezas naturais bolivianas e das tradições culturais de seu povo. Secularmente explorados pela potência imperialista da época, como tantos países já foram e são, incluindo o nosso, considero que o trabalho que ele faz nessa defesa dos bens bolivianos é um direito de todos os povos, de dar um fim à exploração. Por isso coloquei nesse espaço essa carta dele.
Gilvan Almeida

Somos irmãos
Evo Morales

Ouvi dizer que os meios de comunicação brasileiros disseram que a Bolívia teria "humilhado" o Brasil. Pode o povo irmão boliviano humilhar o povo irmão brasileiro? É aceitável que, em pleno século 21, estejamos pensando em termos de "humilhação", de "submetimento" ou de "subordinação" quando os destinos de todos os povos sul-americanos estão indissoluvelmente ligados para derrotar a fome, o esquecimento e o colonialismo externo?
Devo lhes dizer com toda a sinceridade que, quando penso no Brasil, penso em um irmão maior, em um povo alegre e dinâmico que, como o boliviano, quer "viver bem", quer acabar com a pobreza e quer ser dono de seu futuro.
Quando, no dia 1º de maio, decretamos a nacionalização de nossos hidrocarbonetos, o fizemos para recuperar um recurso natural que foi inconstitucionalmente privatizado pelos governos neoliberais. Para a Bolívia, não existe futuro sem a recuperação do controle sobre todos os nossos recursos naturais e as empresas estatais privatizadas. Não queremos fazê-lo de maneira negativa, atropelando ou ofendendo. Por isso, propusemos a renegociação de novos contratos com todas as empresas estrangeiras, para que os ganhos sejam distribuídos de maneira mais justa e eqüitativa.
Não queremos abusar de ninguém, não queremos nos aproveitar de ninguém... só o que nós queremos é um trato justo, para que não sobrem migalhas em nosso país e para que possamos começar a construir um amanhã diferente.
Se cheguei à Presidência de meu país, foi graças à luta de muitos anos de meu povo pela nacionalização de nossos recursos naturais. Por isso, a primeira coisa que fiz no governo foi satisfazer esse anseio, atender a esse clamor. Sei que alguns poderosos se sentiram surpreendidos, contrariados e incomodados. Sinto muito, mas já era de começar a chover para todos.
A nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia não tem porque provocar incertezas no Brasil. Mesmo nos momentos mais difíceis de nossa história, nós mantivemos nossas exportações de gás ao Brasil, e vamos continuar fazendo o mesmo. As modificações que estamos negociando não têm porque afetar o consumidor brasileiro, já que são extremamente pequenas, levando em conta que a receita da Petrobras em 2005 foi 24 vezes maior que todas as exportações mundiais da Bolívia no mesmo ano.
Em meus oito meses de governo, aprendi que os grandes ricos e os novos conquistadores não dão a cara a tapas para enfrentar o povo. Não! O que fazem é provocar disputas entre pobres, para nos enfraquecer, para nos desunir, para nos distanciar uns dos outros. Por isso, me entristece muito quando procuram distanciar e provocar um confronto entre os povos irmãos da Bolívia e do Brasil.
Eles, os que sempre estiveram em cima, sabem que em nossa união está a força, que, juntos, somos invencíveis. Por isso a insídia, por isso a mentira, por isso a calúnia. Por isso essa retórica que procura nos converter em seres egoístas que pensamos apenas em nós mesmos, em nosso bem-estar individual, nos esquecendo de que compartilhamos um mesmo continente, um mesmo planeta.
A sorte do Brasil é a sorte da Bolívia, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e de todos os países da região. Em nossos tempos, já não podemos pensar unicamente em termos de país. Juntos, precisamos nos apoiar, precisamos colaborar, precisamos nos compreender uns aos outros.
Entre povos irmãos, precisamos compartilhar, e não competir, precisamos nos complementar e fortalecer nossa unidade sul-americana. Essa é nossa agenda para a próxima reunião da Comunidade Sul-Americana de Nações que terá lugar em Cochabamba, Bolívia.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Disposição e coragem

Estou criando mais disposição e coragem para continuar a escrever no blog,
campo de exercício em que me proponho a aprender a expressar, na forma escrita, verdadeiramente o que penso e sinto, como me situo no mundo, em quê acredito, o que quero para minha vida e qual deve ser o meu papel na construção do bem estar geral.
Para que eu possa saber se isto está realmente acontecendo, preciso de
opiniões, toques amigos, de correções quando algo não estiver no bom
propósito, daí eu estar escrevendo isto pra vocês, leitores. Peço-lhes, quando estiverem dispostos, a participação.
Gilvan

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Ameno - De Eric Levi



Ameno (tradução)

Ameniza

Sinta minha dor
Absorve-me, Toma-me
Sinta minha dor
Liberta-me, Liberta-me
Descubra-me , Descubra meus sinais
Sinta minha dor

Suaviza (esta dor), Conforta-me
Perceba, perceba
Mutilaram-me, Machucaram-me
Liberta-me

Suaviza (esta dor), Conforta-me
Liberta-me
Suaviza (esta dor), Conforta-me

Liberta-me, Ameniza a dor
Ameniza minha dor
Ameniza minha dor

Liberta-me, Senhor
Alivia minha dor, Rei
Ameniza minha dor
Ameniza minha dor

Tira-me esta dor, Senhor

sábado, 22 de novembro de 2008

O poder dos sonhos


“ Os sonhos são fiéis intérpretes de nossas inclinações; mas é necessário uma arte para classificá-los e compreendê-los.” Montaigne - “Da Experiência”, Ensaios.

Enquanto dorme, o homem sonha. Desde tempos imemoriais, parte de sua existência está no mundo dos sonhos.
Sonhar é mais do que passar o tempo durante a noite. É uma experiência. Na experiência há uma mensagem - de você para você mesmo.
Os sonhos são um fato na vida humana. Todos sonham, e os sonhos ajudam a manter um estado de equilíbrio psicológico, uma mente equilibrada. Neste estado do sono certas tensões são descarregadas e certas pressões aliviadas. Esta é apenas uma das razões pelas quais sonhar é necessário.
Os sonhos têm sua própria autonomia e não são limitados por espaço ou tempo. Parece bastante estranho podermos durante um sonho manter conversações sem que uma só palavra seja dita. Podermos ser transportados a diversos lugares completamente diferentes, por vezes muito distantes entre si, sem o uso de qualquer veículo e sem notarmos qualquer lapso de tempo. Simples e repentinamente estamos lá. Objetos, pessoas e animais, familiares ou estranhos, podem aparecer subitamente de parte alguma e desaparecer sem aviso. Contudo, nada disto nos parece estranho ou surpreendente. Tudo que ocorre parece ser muito natural em sua ocorrência... no estado do sonho.
Os sonhos possuem grande significado prático e são reconhecidos como importantes pelas religiões, pelas culturas antigas e contemporâneas e pelo campo da Psicologia.
Por que nem todos recordam seus sonhos?
Edgard Cayce, grande estudioso dos sonhos, encontrou 4 motivos: falta de interesse, exaustão física, impurezas no corpo e materialismo. O primeiro passo para estimular a recordação dos sonhos, segundo ele, é dizer a si mesmo todas as noites , pouco antes de adormecer: “vou recordar meus sonhos”. Um bloco de notas e um lápis devem estar sobre a mesa de cabeceira. Isto ajudará a mente subconsciente a despertar a mente consciente(para registrar), no momento em que for concluído um sonho importante ou logo que despertar.
Há algumas maneiras importantes pelas quais os sonhos lhe podem ser valiosos:
1. Compreender a si mesmo e enfrentar-se;
2. Como orientação prática para o corpo, mente e espírito;
3. Como orientação prática para os problemas do cotidiano;
4. Para registrar a sensitividade psíquica;
5. Como estímulo e inspiração;
6. Informação para a cura do corpo, da mente e do espírito;
7. Expansão da consciência;
8. Estímulo à criatividade;
9. Como registro de experiências psíquicas;
10. Experiências em outras dimensões, como a de fora do corpo;
11.Lembranças de experiências de vidas passadas;
12.Na conscientização de sua responsabilidade para os que dependem de você;
13. No reconhecimento de uma responsabilidade maior para com toda a humanidade, amigos e inimigos;
14. Na descoberta e estabelecimento de comunicação com seu Criador, através do Eu Superior;
15. Desenvolvimento de sua natureza espiritual;
16. Conquista de Paz interior;
17. O mais importante de tudo: aumento de sua capacidade para servir ao semelhante, por meio de melhor compreensão de seus problemas e processos de pensamento.

Os sonhos são experiências reais. Eles nos mostram uma realidade mais profunda de nós mesmos, um encontro mais autêntico com as forças de nossa mente e do nosso espírito. As vivências que ocorrem nos sonhos podem ser poderosas, a ponto de desencadearem mudanças literais em nós: na maneira como pensamos, sentimos e agimos quando acordados.
Os sonhos são muito mais que uma fantasia sem significado. Isso não quer dizer que todo sonho deva ser colocado em ação, literalmente, na vida quando acordado. Em sua maioria, seus acontecimentos são simbólicos. Eles aparecem em forma de imagens. Imagens são símbolos; e estes símbolos são a linguagem de seus sonhos e temos de desenvolver a capacidade de interpretá-los, percebendo assim como transpor melhor essas genuínas experiências do mundo espiritual para a vida física diária. Mesmo que diferentes pessoas possam ter sonhos com imagens/símbolos semelhantes, o sonho terá um significado diferente para cada uma , por causa das experiências individuais, pessoais, em relação àquilo que o símbolo representa. Cada sonho deve ser decifrado de acordo com a situação em que você se encontra, na ocasião em que o ele ocorre.
Assim, é importante na interpretação dos símbolos ver que seu sonho se refere a você, ou seja, você tem o papel principal nele pois, afinal de contas , trata-se de seu sonho. Além de ser a atração principal neste sonho, você deve compreender que também escreve o texto, produz a peça e monta o cenário. E, a não ser em sonhos fora do comum, as outras pessoas que aparecem nos sonhos (nesta peça), são aspectos de seu Eu, partes de seu próprio caráter ou personalidade, ou seja, aquela outra pessoa em seu sonho pode estar se referindo, por exemplo, às suas próprias falhas, virtudes ou atitudes. Ou seja, você observa a sua própria vida de novos ângulos e, ao fazê-lo, pode obter novas e importantes percepções sobre si mesmo. Os padrões morais do indivíduo se refletem com exatidão na clareza e grau de qualidade de seus sonhos.
Em alguns casos, membros da família ou amigos muito chegados ou então parentes retratam-se no sonho. Neste caso, você pode obter valiosas informações sobre seus relacionamentos com essas pessoas.
Assim, cada sonho é criação sua, seu quebra-cabeças, portanto você será seu melhor intérprete. Não se deixe desencorajar. Com a prática, a compreensão se tornará mais fácil. Os sonhos não têm a intenção de ocultar. Geralmente há uma razão para que aconteçam, sendo algumas dessas razões mais importantes que outras. A persistência nos reserva grandes recompensas.
(Texto elaborado com base no livro O PODER DOS SONHOS, de Martin Claret.)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Filho drogado

Uma mulher desesperada, que se sente fracassada como mãe, ao descobrir que o filho, mais uma vez, a estava enganando e continuava usando drogas me diz através de um e-mail: “... descobrimos que ele continua mentindo e fazendo as mesmas coisas, com um distúrbio de caráter muito forte. Perdeu mais uma vez o ano na faculdade e sinto que agora eu e o pai precisamos de uma atitude radical. Mas ainda não conversamos com ele pois está fugindo desse encontro. Acho que tem droga, bebida alcoólica, disfunção de caráter, falta de ética e moral...”
Respondi a ela: “Ao ler sua mensagem pensei inicialmente no "olhar cósmico" citado no livro “Quando Nietzsche chorou”, aquele olhar em que precisamos de um distanciamento emocional para podermos ver com mais clareza o real significado dos acontecimentos tristes e trágicos da vida, que quanto mais do alto pudermos observar, mais veremos que as coisas não são tão trágicas assim, e que têm uma intenção de nos ensinar algo, um aprendizado embutido. Você está precisando fazer mais uso dele, para que seu coração não fique tão confuso, misturando dores, culpas e as responsabilidades que são suas com a dos outros. Preserve-se mais, especialmente começando a se conscientizar mais ainda, no plano emocional, que seu filho é um espírito e você é outro. Assim, possibilita estarem mais presentes o bom senso e a clareza, para ver que você não é a única responsável por tudo isso que a vida dele se transformou. Sei que você sabe disso, mas às vezes recai, como se não soubesse, e voltam-lhe os mesmos sintomas: tristeza, sentimento de fracasso, culpa generalizada, desânimo, falta de perspectiva, auto-punição, auto-sabotagem, menosprezo por si, vontade de fugir. Você não pode nunca deixar de ver que fez o melhor, sempre achando que estava dando o seu amor, sua dedicação, sua vida. Se o outro lado não recebeu toda essa dedicação e intensidade afetivas a culpa não é toda sua (como aparece dentro de seu sentimento), e, ao longo da vida dele, estamos vendo que ele não recebeu mesmo, não só por incompetência de vocês pais, mas por falta de competência dele (aqui não só a intencional, como se fosse sem-vergonhice dele) . Hoje, o que vemos nele é um quadro psicopatológico severo, e que precisa ser abordado por esta ótica. Não basta só os pais "endurecerem" de forma infantilizada, tirando o pirulito do "menino mal-criado" (carro, mesada, mordomias diversas), mas reconhecer o fracasso em determinados ângulos da criação e descobrir, com o auxílio de profissionais da saúde mental, o que é e até onde é, o patológico. A vocês pais cabe mais continuar cumprindo, dentro de uma renovação de valores e de manifestação sentimental, o que lhes foi destinado: dar amor de uma forma cada vez mais justa e orientar este espírito. Ele precisa muito disso, de carinho e compreensão, especialmente de uma forma que possa reconhecer que pode confiar em vocês, que tem em casa um porto seguro.”

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Qual é a sua identidade?

Para Gladys:

Às vezes anoto o que ouço ou leio e que toca o meu coração: frases, trechos de músicas, pensamentos, ditados populares, provérbios, etc. Quando criança eu gostava de colecionar álbum de figurinhas, petecas (bolas de gude), revistas de esporte, etc. Um dia desses descobri que agora eu sou um colecionador de palavras. Tenho diversos arquivos relacionados a isto. Depois que comecei a criar mais coragem e a me expor através da escrita, procuro fazer algumas vezes, como um dia vi a escritora Lygia Fagundes Telles dizer que faz: ela pega uma palavra ou uma frase, coloca em um “anzol”, lança em seu interior e vê o que consegue “pescar” em seus sentimentos e em suas memórias a respeito do assunto. Se algo for “pescado” ela escreve.
Em um dos debates durante o Festival de Cinema de Gramado gostei muito do que o cineasta Murilo Salles falou sobre a protagonista do seu filme Nome Próprio, que é uma mulher em busca de sua própria identidade: “... quando as pessoas morrem sem identidade, descobre-se a identidade delas buscando suas cicatrizes...”
Fiz o que a Lygia me ensinou e consegui “pescar” o que escrevi abaixo:

Qual é a sua identidade?

Sou um ser humano em busca de uma identidade, de algo que me diga verdadeiramente quem eu sou, o que penso, o que sinto, o que gosto e o que quero, independente do que os outros pensam a meu respeito ou do que querem e esperam de mim. Simplesmente por mim mesmo.
Quantos já têm este conhecimento? Você tem?
Qual é a sua identidade? Será esta visível a todos, ou será aquela guardada a sete chaves, e que muito dela não é nem mesmo conhecida por você? Ou você nunca pensou nisto?
Qual será a mais verdadeira das suas facetas psicológicas e comportamentais, a sua verdadeira essência? Ou você prefere não ver pois sofre muito com este doloroso encontro?
Um poeta disse que as cicatrizes de um ser humano podem nos conduzir à sua identidade. Você consegue identificar as suas cicatrizes? Cada uma delas marca no físico um acontecimento, uma dor. Estas são fáceis de serem identificadas, lembrando facilmente como e porquê aconteceram. Já as cicatrizes dos sentimentos, nem sempre são visíveis, e muitas vezes até fugimos delas ou até mesmo fingimos que elas não existem. Você consegue identificar quais foram as feridas, quem as fez ou porque aconteceram? O que você fez ou ainda faz com os sentimentos gerados no momento inicial da dor? E como estão as dores e os sentimentos agora? Quais as feridas que ainda não cicatrizaram completamente, bastando determinadas lembranças para que reabram? Qual a sua responsabilidade para que a cura ainda não tenha acontecido? Por que você ainda insiste em não permitir esta cicatrização? Por que alimenta as feridas no cultivo cotidiano das mágoas ainda tão fortemente presentes em seu coração, como se tudo tivesse acontecido ontem e não há tanto tempo?
É, precisamos aprender mais a nos libertar, a deixar morrer o que nos sufoca e nos aprisiona, que tira nossa alegria, e fazer como a semente, que para um dia poder voltar a ser flor e fruto, precisa deixar-se morrer, para que brote de dentro de si o novo, a vida e a esperança.
(Escrito no Aeroporto de Porto Alegre, enquanto aguardava o vôo para Brasília e Rio Branco.)