sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Dinheiro e política: a promiscuidade legalizada

Nos Estados Unidos da América a Suprema Corte apenas legalizou o que já existe há muito tempo: o poder real está nas mãos das grandes corporações capitalistas. Antes, elas já compravam o que queriam. Agora comprarão com o aval do órgão máximo da justiça estadunidense. Obama e os partidos políticos são apenas marionetes delas. Não é difícil prever que em breve os outros países farão o mesmo. Fiquemos de olho para ver qual o glorioso político brasileiro que apresentará a proposta.

Gilvan Almeida

EUA: o melhor Congresso que o dinheiro pode comprar



Leia o artigo completo na Agência Carta Maior:


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sibutramina: a ilusão de mais uma pílula mágica.

O mundo está cheio de pessoas que querem vitória sem luta e sem esforço. Aliás, temos até o “jeitinho brasileiro”, onde tudo é válido para se alcançar os objetivos, com práticas repaginadas e atualizadas de uma máxima maquiavélica que diz “...os fins justificam os meios...”. Encontro cotidianamente alguns buscadores de pílulas mágicas, seres que não querem sacrifícios, disciplina, querem cura rápida e milagrosa, sem transformação de hábitos, pensamentos, sentimentos, sem buscar na essência de sua própria vida a raiz dos seus problemas de saúde.
Sabedora disto, a indústria farmacêutica capitalista coloca no mercado, de tempos em tempos, medicamentos que atendem a este público e prometem a ilusão da cura total e de uma vida sem dores. Tempos depois, após bilionários lucros, aparecem as bombas dos efeitos colaterais e das graves doenças geradas pelo uso destas drogas pouco estudadas e precipitadamente lançadas no mercado, e que muitas vezes, mesmo proibidas em diversos países, continuam sendo vendidas no mercado brasileiro.
Uma das “drogas da moda” é a Sibutramina, que, à base de muita propaganda, especialmente voltada para a classe médica, tornou-se “o remédio para emagrecimento mais popular do mundo.” Recentemente estudos científicos sobre a substância mostraram que os malefícios superam os benefícios, o que embasou a corajosa atitude da União Européia de proibir a venda em todos os países membros daquela comunidade. Frente a isto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) posicionou-se, trazendo um alerta aos profissionais, conforme diz o artigo abaixo.
Evidencia-se assim, mais uma vez, que os laboratórios farmacêuticos, apoiados pelas agências reguladoras do uso de medicamentos nos países ocidentais, especialmente Estados Unidos da América, lançam drogas sem os devidos estudos dos efeitos a médio e longo prazo, expondo a humanidade a graves riscos na saúde, como já aconteceu com diversas substâncias. O principal exemplo desta atitude criminosa, aconteceu com as grávidas que tomaram a talidomida e tiveram filhos deformados, conforme a foto ao lado. A droga era utilizada para combater os enjôos matinais na gravidez. No site da Associação Brasileira dos Portadores da Síndrome da Talidomida, verificamos que em “...1960: descobertos os efeitos teratogênicos provocados pela droga quando consumida por gestantes: durante os 3 primeiros meses de gestação interfere na formação do feto, provocando a Focomelia
(aproximação/encurtamento dos membros junto ao tronco, tornando-os semelhantes aos de focas). 1961: a droga é retirada de circulação em todos os países, à exceção do Brasil. Têm início processos indenizatórios em diversos países.” 1965: a droga é retirada de circulação (no Brasil), com pelo menos 4 anos de atraso.
Para conhecer um pouco mais do poder e da falta de ética da indústria farmacêutica, veja o filme “O jardineiro fiel”, do diretor brasileiro Fernando Meirelles.

Gilvan Almeida


O risco de desenvolver enfermidades cardiovasculares, como infarto do miocárdio, derrame e parada cardíaca aumentaram em 16% nos pacientes que utilizaram sibutramina, quando comparados àqueles tratados com placebo, de acordo com o estudo Sibutramine Cardiovascular Outcomes (Scout). Com os dados dessa pesquisa, o Comitê de Medicamentos para Uso Humano (CHMP) da Agência Europeia de Medicamentos (Emea) considerou que medidas adicionais de restrição ao uso do medicamento não seriam suficientes para controlar o risco e recomendou a suspensão da autorização de comercialização para o medicamento em toda a União Européia. Já nos Estados Unidos, não houve a proibição, mas o Food and Drug Administration (FDA) solicitou a inclusão de novas contraindicações na bula do produto informando que a sibutramina não deve ser prescrita a pacientes com histórico de doença cardiovascular. Com isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta aos profissionais de saúde sobre o uso da substância no Brasil. A entidade recomenda a contraindicação da sibutramina para pacientes com perfil semelhante aos incluídos no estudo Scout, ou seja, que apresentem obesidade associada à existência ou antecedentes de doenças cardio e cerebrovasculares. Também não indica que seja utilizado por portadores de Diabetes Mellitus tipo 2, com sobrepeso ou obesidade e associado a mais um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. No Brasil, embora a bula do medicamento já mencione como possíveis eventos adversos a elevação da pressão arterial e arritmias cardíacas, a única contraindicação é para pessoas com histórico de anorexia. Para Ricardo Meirelles, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), a sibutramina é a droga mais segura do mercado - já que as anfetaminas foram praticamente banidas -, desde que bem indicada. “Os resultados do novo estudo não invalidam a sua utilização. As pessoas que participaram do Scout já tinham fatores de risco cardiovascular e, normalmente, não deveriam receber o medicamento. O estudo foi feito para ver se esses pacientes poderiam ser beneficiados. Infelizmente, esses resultados preliminares mostram que isso não ocorreu”, diz. A Anvisa, por meio da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme) fará nova avaliação do estudo para investigar os níveis de segurança do medicamento em pacientes com perfis distintos dos já estudados. A partir daí, analisará a possibilidade de adotar outras medidas restritivas ao uso do medicamento.


Fonte: Anvisa e Agência Estado

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Livro bom: Enigmas da culpa

Para crescer e amadurecer, o ser humano precisa assumir os erros que comete, em vez de ficar sempre procurando culpados para os próprios infortúnios. Observando esta característica quase generalizada, o escritor e cartunista Millôr Fernandes sabiamente diz que “Errar é humano. Botar a culpa nos outros, também.” A culpa é uma emoção dolorosa que tem relação direta com o reconhecimento do erro e a consciência, e a história da humanidade tem diversos acontecimentos em que ela está presente, sendo o exemplo mais conhecido no mundo ocidental, a culpa de Judas e seu posterior suicídio, após ver o que fizeram com Jesus. Ela também é motivo de estudos da filosofia, da religião, da ética, da política e outros campos da ciência. Visando sintetizar e ampliar estes olhares, o médico e escritor Moacir Scliar escreveu o excelente livro Enigmas da culpa. A seguir alguns trechos que considerei interessantes:

Gilvan Almeida

1. “Entre o ideal de quem você deveria ser e a realidade de quem você é, está a culpa...”
Ruth Ellenson
2. (Para aliviar o sentimento de culpa) É preciso:
-Diminuir a auto-exigência;
-Aceitar as próprias limitações e falhas;
-Apaziguar a tirania do superego. O superego é o conjunto de valores morais e de modelos de conduta, uma espécie de juiz severo do comportamento;
-Para proporcionar entendimento e reconciliação interior.
3. "Sou humano, e nada que é humano me é estranho.” Terêncio
4. Segundo um princípio ético judaico, “...ajudar os necessitados não é uma questão de caridade, mas de justiça...”
5. "O conhecimento libera-nos da tristeza, do desespero, da inveja, do terror e de outras malignas paixões.” Ética, de Spinoza.
6. Os deuses gregos celebravam os instintos; o Deus cristão mobilizaria a culpa.
7. A culpa tem conseqüências. Para Freud, ela gera melancolia (...)
8. (...)renunciar às potencialidades pessoais, fugir da raia, acarreta aquilo que Viktor Frankl chama de vazio existencial, e que também se manifesta por culpa e angústia.
9. Educando para a culpa: no processo educacional, na família ou na escola, culpa e castigo sempre tiveram papel destacado (...)
10. Freeman e Stean assim resumem os passos (colocarei somente alguns) que podem ajudar a entender e elaborar a culpa:
-Não negar a culpa;
-Aprender a diferenciar a culpa real da culpa neurótica, originária do inconsciente;
-Aceitar, sem se envergonhar ou se culpar, fantasias sexuais e desejos proibidos;
-Não projetar a culpa nos outros;
-Não deixar que a culpa nos torne manipuláveis – pelo cônjuge, pelos filhos, pelos amigos, pelos colegas de trabalho, pelo chefe, por líderes políticos, por quem quer que seja (...)
Enigmas da culpa
Moacir Scliar
Editora Objetiva

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Os pecados do Haiti

Você sabia que o Haiti foi o primeiro país das Américas onde os escravos conquistaram a libertação – 1803, o que no Brasil só aconteceria em 1888? Por que então ele é hoje o país mais pobre do continente americano? Neste artigo – Os pecados do Haiti - o escritor uruguaio Eduardo Galeano coloca luz nesta história de racismo, opressão, exploração capitalista e bloqueios de todas as espécies, para que saibamos que não só o recente terremoto é o causador das desgraças do povo haitiano.
Artigo completo:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16342&boletim_id=637&componente_id=10620

Gilvan Almeida

Os pecados do Haiti

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental. Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros.

“... O Haiti fora a pérola da coroa, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro"...

“... A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação...”

Fonte: Agência Carta Maior

sábado, 16 de janeiro de 2010

Defesa do consumidor

Antigamente produto falsificado era pejorativa e preconceituosamente atribuído ao Paraguai. Vivemos, hoje, um tempo em que já não sabemos facilmente distinguir o que é falso e o que é verdadeiro, seja nos comportamentos humanos, no que a mídia nos mostra, como também nos produtos que adquirimos em nosso dia a dia, necessários ou não à nossa sobrevivência. A pirataria generalizou-se, e ninguém tem mais certeza do que é original. Até produtos vitais, como determinados medicamentos e alimentos, estão sendo falsificados e criminosamente vendidos à população. Por isto, é importante que busquemos nos certificar, através de informações idôneas, a origem e a composição do que estamos consumindo.
Há alguns anos assino a revista Proteste, da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor que, além de orientar e defender seus leitores e associados sobre os direitos dos consumidores, realiza e divulga testes com diversos produtos – alimentícios, eletrodoméstico, eletrônicos, etc. Por exemplo, vejam o que o teste com protetores solares revelou, expondo o absurdo que é as pessoas acharem que usando qualquer um protetor estão protegidas dos raios ultra-violeta.
Leia mais no site da Associação:
http://www.proteste.org.br/

Gilvan Almeida

Pro Teste reprova oito entre dez protetores solares FPS 30
Do UOL Ciência e Saúde

Apenas dois entre dez protetores solares FPS 30 em loção avaliados pela Pro Teste Associação de Consumidores comprovaram eficiência na proteção solar. E apenas três não apresentaram na composição o benzophenone-3, um ingrediente que já é proibido em outros países, por ser potencialmente cancerígeno.
Quatro dos protetores têm baixa proteção UVA (cujos raios atingem as camadas mais profundas da pele, causando envelhecimento precoce), mas a legislação brasileira não exige um mínimo. E cinco deles não são resistentes à luz e ao calor, perdendo a eficiência.

É o que mostra a análise publicada na revista Pro Teste de dezembro e disponibilizada no site da entidade: www.proteste.org.br. O teste envolveu análise de rotulagem, composição, irritabilidade, hidratação, proteção, resistência à exposição solar, e teste em uso.

A associação reivindica que seja proibido o uso da substância benzophenone-3 na composição dos produtos, ingrediente proibido em outros países, por apresentar esterogenicidade, entrar na circulação sanguínea e ser potencialmente cancerígeno.
Também está pedindo à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passe a exigir o fator UVA de no mínimo um terço do FPS do produto, assim como ocorre na Europa, e que esta informação conste no rótulo. Assim como sejam obrigatórios testes de fotoestabilidade para verificar se eles são estáveis nas condições reais de uso, durante a exposição solar.
O FPS é responsável por bloquear os raios UVB, que são mais fortes entre 10 horas e 16 horas, período não recomendado para exposição prolongada ao sol. São os principais responsáveis por câncer de pele, queimaduras e vermelhidão.

Resultados

Os protetores L'Oréal Solar Expertise e o Cenoura & Bronze foram os que se saíram melhor na avaliação de eficiência do filtro solar.
No teste de fotoinstabilidade, o FPS dos produtos foi medido antes e depois da exposição a uma temperatura de 40ºC. As marcas Avon, La Roche-Posay, Nivea, Banana Boat e Sundown foram reprovadas.
Alguns produtos, como o da Nívea, perderam 50% do seu FPS. Todos os protetores analisados são de fator 30. Após uma hora de uso, eles caíam para FPS 15. O segundo pior foi o La Roche Posay, que manteve só 62% de sua proteção indicada no rótulo. Isso não quer dizer que os produtos não oferecem proteção aos raios UVB, e sim que têm pouca resistência à luz e ao calor, segundo a associação. Além de instável à exposição solar, o Coppertone declarou um fator de proteção (30), maior do que o medido (25).
Todas as embalagens mencionavam resistência à água, mas após imersão de meia hora, a proteção do produto da Natura caiu para 30% do FPS inicial, por exemplo. O Sundown caiu para 55%.
A presença de substâncias bloqueadoras dos raios UVA - que têm incidência constante durante o dia todo - é indicada nos rótulos dos 10 produtos. Mas só três embalagens mostram o grau de proteção: Cenoura & Bronze, L"Oréal Solar Expertise e Natura Fotoequilibrio. Não há regulamentação no Brasil que obrigue a presença de substâncias bloqueadoras dos raios UVA, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Os produtos que não apresentaram na composição o benzophenone-3, ingrediente que segundo a associação já é proibido em outros países, foram o L'Oréal Solar Expertise, o Cenoura & Bronze e o Hélioblock da La Roche-Posay.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/2009/12/01/pro-teste-reprova-oito-entre-dez-protetores-solares-fsp-30.jhtm

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O espaço secreto

Gosto, cada vez mais, do estilo do escritor Rubem Alves. Ele consegue, de forma inteligente e sensível, unir a arte de bem escrever com sua boa compreensão sobre os sentimentos humanos, e tocar assim o coração do leitor. Neste texto, a seguir, ele, além de me fazer ficar indignado com a mãe da criança, colocou-me diante de mim mesmo, e me fez rever, em minhas memórias afetivas, que esconderijos utilizei para alimentar e guardar os meus sonhos e formatar a minha individualidade, longe dos olhares inquisitivos dos adultos. Lembrei de alguns. Foi muito bom.

Gilvan Almeida

O espaço secreto
Rubem Alves

Toda criança sonha com um espaço secreto, que seja só seu, longe do olhar controlador do pai e da mãe. Já contei sobre a menina que encontrou esse espaço debaixo de um taco solto do assoalho. Debaixo daquele taco – o único lugar que era só seu, em sua casa – ela sonhava guardar pedrinhas coloridas, seu tesouro. O importante não era o valor do tesouro. O importante era que aquele espaço era secreto. Nem seu pai e nem a sua mãe sabiam da sua existência. Só ela. Também a casa de madeira, no alto de uma árvore. Lá os adultos não podem chegar. Ou aquele livrinho chamado Diário...
Uma terapeuta contou-me de um paciente seu, um menino esquizofrênico. Ele tinha uma caixa onde guardava os seus tesouros. Numa sessão de terapia ele e ela fizeram um jogo num papel. Ele achou o jogo maravilhoso. Guardou-o no seu cofre. Na sessão seguinte ela lhe perguntou sobre o jogo. Ele respondeu: “Jogou fora” e não soube dar maiores explicações. Como ele só falasse na terceira pessoa, ela entendeu o “Jogou fora” como “Joguei fora”.
Conversando com a mãe do menino ela perguntou: “O que o Joãozinho (nome falso) fez com o jogo que fizemos?” Ela queria compreender as razões do comportamento do menino. A mãe não entendeu. A terapeuta explicou: “Ele havia guardado o jogo naquela caixa...” “Ah!”, sorriu a mãe, “aquela caixa de tranqueiras bobas e sujas? Limpei a caixa. Joguei tudo fora...”
Pobre mãe! Ela não sabia que havia jogado fora pedaços preciosos da alma do seu filho. Isso não é só bobeira de criança. A psicanálise descobriu que todos nós temos um espaço secreto onde guardamos coisas que nos são preciosas. Guardamos o dito espaço a sete chaves porque sabemos que, se os outros virem o que está lá dentro, eles vão dizer como a mãe insensível: “Tranqueiras...”
Talvez a nossa alma seja feita de tranqueiras que nos são preciosas. Na psicanálise esse lugar secreto tem o nome de inconsciente.

Fonte: http://www.rubemalves.com.br/quartodebadulaquesXXVIII.htm

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Gentileza em 2010

Ser mais gentil consigo, não se crucificar a cada erro, enxergar e aceitar as próprias limitações, são pratos que devem ser servidos diariamente à auto-estima. Mas às vezes as pessoas se esquecem e ficam cobrando de si perfeição, colocando em seus lombos cargas pesadas, padrões inalcançáveis, que depois vão ter que carregar com muito sacrifício. Tem umas tão gentis com os outros e tão cruéis consigo mesmas, verdadeiras carrascas, que só vêem os próprios defeitos, não se valorizam e cultivam uma eterna insatisfação com tudo o que fazem. Cronicamente estressadas, são inadaptadas a este mundo de imperfeições. Algumas até acreditam que são perfeitas, são as sobre-humanas, que se colocam acima da humanidade, pois, ilusoriamente, têm certeza que são perfeitas, e vivem a exigir de si e dos outros uma perfeição que, na verdade, não possuem, tornando um inferno a própria vida e as dos que as rodeiam. Não admitem erros jamais. Coitados dos familiares, amigos e colegas de trabalho delas. Outras são muito gentis com as pessoas de fora e duras com os de casa. Há também os tiranos com os subalternos e submissos e servis aos superiores. Portanto, em 2010, cuidemos melhor uns dos outros. Seja menos exigente, compreenda e releve mais, a vida já é tão cheia de cobranças.
Feliz Ano Novo !!!


Gilvan Almeida