Copiei esta idéia do excelente blog Caquis Caídos - http://caquiscaidosblog.wordpress.com/ , infelizmente concluído em 28.01.2012. (mas ainda disponível para leitura), que aos sábados publicava poesias. Como gosto muito das sextas feiras, vou chamar Sexta feira Poética; um espaço onde compartilharei poesias e pequenos textos que gosto.
Inicio com o poeta Junqueira Freire (1832 – 1855), baiano de saúde frágil, que em seus breves 23 anos de vida, deixou-nos um belo legado poético.
Gilvan Almeida
Louco (Hora de Delírio)
Junqueira Freire
Não, não é louco.
O espírito somente
é que quebrou-lhe um elo da matéria.
Pensa melhor que vós, pensa mais livre,
aproxima-se mais à essência etérea.
Achou pequeno o cérebro que o tinha:
suas idéias não cabiam nele;
seu corpo é que lutou contra sua alma,
e nessa luta foi vencido aquele.
Foi uma repulsão de dois contrários,
foi um duelo, na verdade, insano,
foi um choque de agentes poderosos:
foi o divino a combater com o humano.
Agora está mais livre. Algum atilho
soltou-se-lhe o nó da inteligência;
quebrou-se o anel dessa prisão de carne,
entrou agora em sua própria essência.
Agora é mais espírito que corpo,
agora é mais um ente lá de cima;
é mais, é mais que um homem vão de barro:
é um anjo de Deus, que Deus anima.
Agora, sim — o espírito mais livre
pode subir às regiões supernas:
pode, ao descer, anunciar aos homens
as palavras de Deus, também eternas.
E vós, almas terrenas, que a matéria
os sufocou ou reduziu a pouco,
não lhe entendeis, por isso, as frases santas.
E zombando o chamais, portanto: - um louco!
Não, não é louco. O espírito somente
é que quebrou-lhe um elo da matéria.
Pensa melhor que vós, pensa mais livre.
Aproxima-se mais à essência etérea.
Bibliografia -
Obras:
Inspirações do claustro (1855); Elementos de retórica nacional (1869); Obras, edição crítica por Roberto Alvim, 3 vols. (1944); Junqueira Freire, org. por Antonio Carlos Vilaça (Coleção Nossos Clássicos, nº 66); Desespero na solidão, org. por Antonio Carlos Vilaça (1976); Obra poética de Junqueira Freire (1970).
quinta-feira, 19 de abril de 2012
terça-feira, 10 de abril de 2012
Thomas Mann: Morte em Veneza
Um dos motivos que peço a Deus uma longa, lúcida e saudável vida, é para ter tempo de ler todos os livros e autores que ainda não consegui ler. Não posso morrer sem ler Proust, Balzac, Marguerite Duras, James Joyce, Faulkner, Dante, Santo Agostinho, Flaubert, e tantos outros que planejo ler ainda nesta vida. Há muito queria conhecer o escritor alemão Thomas Mann, Prêmio Nobel de Literatura em 1929. Vi o filme Morte em Veneza, produzido em 1971 e dirigido pelo cineasta italiano Luchino Visconti, baseado no livro Morte em Veneza, de Mann, gostei muito e cresceu mais ainda a vontade.
Quando, finalmente, li Morte em Veneza, fiquei admirado com o estilo do escritor, que, nesta obra, faz uma ode à beleza, à arte e ao amor. Entrou, para mim, no rol dos escritores que são verdadeiros artistas e escultores da palavra, à altura de Fernando Pessoa, Manoel de Barros, Clarice Lispector, Oscar Wilde, Machado de Assis, Gabriel Garcia Marquez e outros “deuses” que estão em “meu” Monte Olimpo da literatura.
Vejam alguns trechos do livro:
-“(...) As observações e as vivências do solitário calado são ao mesmo tempo mais difusas e intensas do que as dos seres sociáveis, seus pensamentos, mais graves, mais fantasiosos e sempre marcados por um laivo de tristeza. Imagens e impressões que facilmente seriam esquecidas com um olhar, um sorriso, uma troca de opiniões ocupam-no mais do que o devido, aprofundam-se no silêncio, ganham significado, transformam-se em vivência, aventura, sentimento. A solidão engendra o original, o belo ousado e surpreendente, o poema. Mas engendra também o inverso, o desmedido, o absurdo e o ilícito. (...)”
-“(...) a beleza, e apenas ela, é simultaneamente visível e enlevadora. Ela é a única forma ideal que percebemos por meio dos sentidos e que nossos sentidos podem suportar. Ou o que seria de nós se acaso o Divino, a Razão, a Virtude e a Verdade se dispusessem a aparecer aos nossos sentidos? Não iríamos sucumbir consumidos pela chama do Amor? (...)
-“(...) A suprema ventura do escritor é o pensamento capaz de tornar-se por inteiro sentimento, o sentimento capaz de tornar-se por inteiro pensamento. (...)”
Olhem a descrição que Mann faz do personagem principal presenciando a aurora e o amanhecer, narrativa enriquecida de elementos de mitos gregos:
“ (...) sentava-se junto à janela aberta, para esperar o nascer do sol. O maravilhoso acontecimento enchia de veneração sua alma abençoada pelo sono. Céu, terra e mar jaziam ainda imersos na palidez vítrea, fantasmagórica, que precede o alvorecer; uma estrela devanescente pairava ainda no vazio. Mas um sopro, mensagem alada de paragens inacessíveis, vinha anunciar que Eos se erguia de junto de seu esposo e acontecia aquele primeiro e delicado enrubescer das faixas mais longínquas de céu e do mar, com o qual a criação principia a se desvelar aos sentidos. Aproximava-se a deusa raptora de adolescentes, que arrebatara consigo Clito e Céfalo e que, enfrentando a inveja de todo o Olimpo, desfrutava do amor do belo Órion. Lá na orla do mundo, um espargir de rosas desencadeava um luzir e florescer de encanto indescritível, nuvens infantis iluminadas, translúcidas, pairavam como Amores obsequiosos na névoa róseo-azulada; púrpura se derramava sobre o mar que com suas vagas ondulantes parecia espalhá-la por sua superfície; lanças douradas se lançavam no mar nas alturas do céu; o brilho incendiava-se silenciosamente, com plenipotência divina; erguia-se o turbilhão de brilho incandescente, ardor e labaredas flamejantes, e os corcéis sagrados de Apolo se elevavam acima do orbe terrestre, devorando o espaço com seus cascos impacientes. Iluminado pelo esplendor do deus, a sentinela solitária ali sentada fechava os olhos, deixando que a glória lhe beijasse as pálpebras. Sentimentos antigos, deliciosos tormentos de um coração juvenil, que haviam se extinguido em meio à severa labuta de sua vida e que ressurgiam agora tão estranhamente transfigurados – ele os reconhecia com um sorriso embaraçado e admirado. Cismava, sonhava, seus lábios lentamente articulavam um nome e, ainda sorrindo, o rosto voltado para o céu, as mãos enlaçadas no colo, adormecia de novo em sua poltrona.(...)
Indico-lhes o filme e o livro.
Gilvan Almeida
Quando, finalmente, li Morte em Veneza, fiquei admirado com o estilo do escritor, que, nesta obra, faz uma ode à beleza, à arte e ao amor. Entrou, para mim, no rol dos escritores que são verdadeiros artistas e escultores da palavra, à altura de Fernando Pessoa, Manoel de Barros, Clarice Lispector, Oscar Wilde, Machado de Assis, Gabriel Garcia Marquez e outros “deuses” que estão em “meu” Monte Olimpo da literatura.
Vejam alguns trechos do livro:
-“(...) As observações e as vivências do solitário calado são ao mesmo tempo mais difusas e intensas do que as dos seres sociáveis, seus pensamentos, mais graves, mais fantasiosos e sempre marcados por um laivo de tristeza. Imagens e impressões que facilmente seriam esquecidas com um olhar, um sorriso, uma troca de opiniões ocupam-no mais do que o devido, aprofundam-se no silêncio, ganham significado, transformam-se em vivência, aventura, sentimento. A solidão engendra o original, o belo ousado e surpreendente, o poema. Mas engendra também o inverso, o desmedido, o absurdo e o ilícito. (...)”
-“(...) a beleza, e apenas ela, é simultaneamente visível e enlevadora. Ela é a única forma ideal que percebemos por meio dos sentidos e que nossos sentidos podem suportar. Ou o que seria de nós se acaso o Divino, a Razão, a Virtude e a Verdade se dispusessem a aparecer aos nossos sentidos? Não iríamos sucumbir consumidos pela chama do Amor? (...)
-“(...) A suprema ventura do escritor é o pensamento capaz de tornar-se por inteiro sentimento, o sentimento capaz de tornar-se por inteiro pensamento. (...)”
Olhem a descrição que Mann faz do personagem principal presenciando a aurora e o amanhecer, narrativa enriquecida de elementos de mitos gregos:
“ (...) sentava-se junto à janela aberta, para esperar o nascer do sol. O maravilhoso acontecimento enchia de veneração sua alma abençoada pelo sono. Céu, terra e mar jaziam ainda imersos na palidez vítrea, fantasmagórica, que precede o alvorecer; uma estrela devanescente pairava ainda no vazio. Mas um sopro, mensagem alada de paragens inacessíveis, vinha anunciar que Eos se erguia de junto de seu esposo e acontecia aquele primeiro e delicado enrubescer das faixas mais longínquas de céu e do mar, com o qual a criação principia a se desvelar aos sentidos. Aproximava-se a deusa raptora de adolescentes, que arrebatara consigo Clito e Céfalo e que, enfrentando a inveja de todo o Olimpo, desfrutava do amor do belo Órion. Lá na orla do mundo, um espargir de rosas desencadeava um luzir e florescer de encanto indescritível, nuvens infantis iluminadas, translúcidas, pairavam como Amores obsequiosos na névoa róseo-azulada; púrpura se derramava sobre o mar que com suas vagas ondulantes parecia espalhá-la por sua superfície; lanças douradas se lançavam no mar nas alturas do céu; o brilho incendiava-se silenciosamente, com plenipotência divina; erguia-se o turbilhão de brilho incandescente, ardor e labaredas flamejantes, e os corcéis sagrados de Apolo se elevavam acima do orbe terrestre, devorando o espaço com seus cascos impacientes. Iluminado pelo esplendor do deus, a sentinela solitária ali sentada fechava os olhos, deixando que a glória lhe beijasse as pálpebras. Sentimentos antigos, deliciosos tormentos de um coração juvenil, que haviam se extinguido em meio à severa labuta de sua vida e que ressurgiam agora tão estranhamente transfigurados – ele os reconhecia com um sorriso embaraçado e admirado. Cismava, sonhava, seus lábios lentamente articulavam um nome e, ainda sorrindo, o rosto voltado para o céu, as mãos enlaçadas no colo, adormecia de novo em sua poltrona.(...)
Indico-lhes o filme e o livro.
Gilvan Almeida
domingo, 1 de abril de 2012
Clarice Lispector e as dores do mundo
"Refugiei-me na doideira porque a razão não me bastava."
Clarice Lispector
Ainda não conhecia este pensamento dela. Impactou-me positivamente e fez crescer minha compreensão sobre os transtornos mentais, aliás, sobre os seres humanos. Todos somos, no mínimo, neuróticos, não é mesmo? Já se assumem assim, ou ainda acham que são 100% normais?
Loucura é prisão ou liberdade? Depende do ângulo do olhar. Observemos nossa vida, nossa trajetória íntima, aquela que se esconde por trás de todas as máscaras que utilizamos, e que ao dormirmos os sonhos revelam. De tantas prisões já escapamos e de quantas ainda somos prisioneiros. Inúmeros refúgios buscamos, com o objetivo, nem sempre sabido, de sobrevivermos psicológica e emocionalmente ao que estávamos vivendo.
Muito além de viventes, nós somos sobreviventes mesmo. Refugiados das dores do corpo e da alma, lapeados pelos chicotes da incompreensão e do preconceito, da intolerância e do desamor, da fome de pão e carinho, estamos escapando, nem tanto como o poeta Cazuza diz “...estou sobrevivendo sem um arranhão...”, estamos sobrevivendo com muitos arranhões. Algumas feridas já cicatrizadas, outras ainda sangrando, à espera de atenção e cuidados.
Sem apoio, abandonados por amigos e inimigos, alguns não agüentam “a barra” e “piram”, fogem, consciente e inconscientemente, da realidade tão cruel e dolorosa.
Alguém pode até achar que estou sendo duro e amargo, que só escrevo sobre sofrimento, mas não estou. Não tenho dúvida de que a dor é companheira de viagem. Todos os grandes Mestres falam nela, da importância que elas têm para a vida e a evolução, chegando até mesmo a trazerem a compreensão de que quanto maior o conhecimento, maior a dor; quando não mais por si, pelo próximo. Assim, a vida é dor e sofrimento, embora não seja só isso. Graças a Deus. Temos também alguns momentos de alegria, paz e felicidade.
A dor e o sofrer são minhas principais matérias primas de trabalho. Lido com isso todos os dias e, sem poder parar para cuidar das minhas, vou fazendo o que posso para, ao mesmo tempo, cuidar de mim e de quem me procura com o objetivo de conhecer e tratar, na origem, os seus sofrimentos. Nesta procura/entrega, recebo às vezes e-mails inspirados nas próprias dores, relatos do fundo d'alma, como este a seguir.
Gilvan Almeida
“ Lí o seu texto e o dela (Clarice) – postagem no blog: http://www.gilvanalmeida.blogspot.com.br/2011/04/o-grito-de-clarice-lispector.html ... Eu confesso-lhe que não grito. Ensinaram-me a tentar "dominar" a dor, desde pequena; a trincar os dentes, a sorrir "chorando" por dentro ... Em momentos de meditação já me flagrei chorando, as lágrimas caindo pelos cantos dos olhos, abundantemente, sem que eu pudesse contê-las e nem compreender porque aquilo estava acontecendo.
Recordo ouvir da minha avó a seguinte recomendação: "se você gritar, a dor vai lhe dominar. Domine a dor." É possível dominar a dor, Gilvan? Parece que sim, embora, às vezes, ela lhe trucide e deixe destroçada! Mas, tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Depende de que lado você está olhando as coisas.( ...) Eu fui "estraçalhada" pela dor em tantos pedaços, que fiquei transpassada. (...)
Lembra da música? "Ei dor, eu não te escuto mais, você não me leva a nada ... Ei medo, eu não te escuto mais, você não me leva a nada ..." Pois é. Nem dor, nem medo levam a nada. Ambos precisam ser enfrentados e vencidos.
A dor, realmente doída, é a da alma, embora eu seja intolerante a dor física. Essa eu grito mesmo, em algumas situações, se for necessário, porque não sou resistente a esse tipo de "dor", sou mole. Já aquela dor que você refere, eu não grito mais, eu a sufoco silenciosamente e dissipo-a nos meus afazeres cotidianos. Desde criança criei mecanismos para fugir do que me causava dor (abandono, desamor e solidão). Tenho uma natureza solitária. Aprendi a resistir, utilizando as minhas próprias forças. Nunca espero ajuda externa - de quem quer que seja. Só espero a ajuda de Deus - e ele nunca me deixou só. Você acha que esta altura da vida dá prá mudar isso em mim? Prá mim, tanto faz ... aprendi a me aceitar assim. risos.
Tenho absoluta dificuldade de falar de mim e das minhas dores. Elas me moldaram ao que sou. Me trabalho muito, para conviver bem comigo mesma. Para me aceitar e transformar, dentro do possível, o que precisa ser transformado. Convivo bem comigo. Gosto da minha companhia e, desculpe dizer, gosto muito de estar com os meus bichos. O que é vida bem vivida? O que é vida mal vivida? Pode-se ter como um parâmetro de vida bem vivida, a do Príncipe William e sua noiva Kate? Essa coisa de príncipe e princesa que o mundo põe na cabeça da gente ... rsrsrsrsrs ...
Mas, sendo bem sincera comigo, posso concluir que vivi MUITO a vida, passeei, andei, viajei, me diverti bastante, mas e hoje, me pergunto: minha vida é bem vivida ? Eu só trabalho, trabalho e trabalho. Os filhos crescidos, minha fonte de prazer, é o trabalho. Se me tirarem o trabalho, eu tenho o quê? - Meu trabalho é a minha "muleta" ... Boa reflexão você me trouxe. Preciso melhorar a QUALIDADE da minha vida!
Aguardo os desdobramentos dos seus estudos.”
C.
Clarice Lispector
Ainda não conhecia este pensamento dela. Impactou-me positivamente e fez crescer minha compreensão sobre os transtornos mentais, aliás, sobre os seres humanos. Todos somos, no mínimo, neuróticos, não é mesmo? Já se assumem assim, ou ainda acham que são 100% normais?
Loucura é prisão ou liberdade? Depende do ângulo do olhar. Observemos nossa vida, nossa trajetória íntima, aquela que se esconde por trás de todas as máscaras que utilizamos, e que ao dormirmos os sonhos revelam. De tantas prisões já escapamos e de quantas ainda somos prisioneiros. Inúmeros refúgios buscamos, com o objetivo, nem sempre sabido, de sobrevivermos psicológica e emocionalmente ao que estávamos vivendo.
Muito além de viventes, nós somos sobreviventes mesmo. Refugiados das dores do corpo e da alma, lapeados pelos chicotes da incompreensão e do preconceito, da intolerância e do desamor, da fome de pão e carinho, estamos escapando, nem tanto como o poeta Cazuza diz “...estou sobrevivendo sem um arranhão...”, estamos sobrevivendo com muitos arranhões. Algumas feridas já cicatrizadas, outras ainda sangrando, à espera de atenção e cuidados.
Sem apoio, abandonados por amigos e inimigos, alguns não agüentam “a barra” e “piram”, fogem, consciente e inconscientemente, da realidade tão cruel e dolorosa.
Alguém pode até achar que estou sendo duro e amargo, que só escrevo sobre sofrimento, mas não estou. Não tenho dúvida de que a dor é companheira de viagem. Todos os grandes Mestres falam nela, da importância que elas têm para a vida e a evolução, chegando até mesmo a trazerem a compreensão de que quanto maior o conhecimento, maior a dor; quando não mais por si, pelo próximo. Assim, a vida é dor e sofrimento, embora não seja só isso. Graças a Deus. Temos também alguns momentos de alegria, paz e felicidade.
A dor e o sofrer são minhas principais matérias primas de trabalho. Lido com isso todos os dias e, sem poder parar para cuidar das minhas, vou fazendo o que posso para, ao mesmo tempo, cuidar de mim e de quem me procura com o objetivo de conhecer e tratar, na origem, os seus sofrimentos. Nesta procura/entrega, recebo às vezes e-mails inspirados nas próprias dores, relatos do fundo d'alma, como este a seguir.
Gilvan Almeida
“ Lí o seu texto e o dela (Clarice) – postagem no blog: http://www.gilvanalmeida.blogspot.com.br/2011/04/o-grito-de-clarice-lispector.html ... Eu confesso-lhe que não grito. Ensinaram-me a tentar "dominar" a dor, desde pequena; a trincar os dentes, a sorrir "chorando" por dentro ... Em momentos de meditação já me flagrei chorando, as lágrimas caindo pelos cantos dos olhos, abundantemente, sem que eu pudesse contê-las e nem compreender porque aquilo estava acontecendo.
Recordo ouvir da minha avó a seguinte recomendação: "se você gritar, a dor vai lhe dominar. Domine a dor." É possível dominar a dor, Gilvan? Parece que sim, embora, às vezes, ela lhe trucide e deixe destroçada! Mas, tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Depende de que lado você está olhando as coisas.( ...) Eu fui "estraçalhada" pela dor em tantos pedaços, que fiquei transpassada. (...)
Lembra da música? "Ei dor, eu não te escuto mais, você não me leva a nada ... Ei medo, eu não te escuto mais, você não me leva a nada ..." Pois é. Nem dor, nem medo levam a nada. Ambos precisam ser enfrentados e vencidos.
A dor, realmente doída, é a da alma, embora eu seja intolerante a dor física. Essa eu grito mesmo, em algumas situações, se for necessário, porque não sou resistente a esse tipo de "dor", sou mole. Já aquela dor que você refere, eu não grito mais, eu a sufoco silenciosamente e dissipo-a nos meus afazeres cotidianos. Desde criança criei mecanismos para fugir do que me causava dor (abandono, desamor e solidão). Tenho uma natureza solitária. Aprendi a resistir, utilizando as minhas próprias forças. Nunca espero ajuda externa - de quem quer que seja. Só espero a ajuda de Deus - e ele nunca me deixou só. Você acha que esta altura da vida dá prá mudar isso em mim? Prá mim, tanto faz ... aprendi a me aceitar assim. risos.
Tenho absoluta dificuldade de falar de mim e das minhas dores. Elas me moldaram ao que sou. Me trabalho muito, para conviver bem comigo mesma. Para me aceitar e transformar, dentro do possível, o que precisa ser transformado. Convivo bem comigo. Gosto da minha companhia e, desculpe dizer, gosto muito de estar com os meus bichos. O que é vida bem vivida? O que é vida mal vivida? Pode-se ter como um parâmetro de vida bem vivida, a do Príncipe William e sua noiva Kate? Essa coisa de príncipe e princesa que o mundo põe na cabeça da gente ... rsrsrsrsrs ...
Mas, sendo bem sincera comigo, posso concluir que vivi MUITO a vida, passeei, andei, viajei, me diverti bastante, mas e hoje, me pergunto: minha vida é bem vivida ? Eu só trabalho, trabalho e trabalho. Os filhos crescidos, minha fonte de prazer, é o trabalho. Se me tirarem o trabalho, eu tenho o quê? - Meu trabalho é a minha "muleta" ... Boa reflexão você me trouxe. Preciso melhorar a QUALIDADE da minha vida!
Aguardo os desdobramentos dos seus estudos.”
C.
sábado, 24 de março de 2012
Identidade da obra
Encaminhei o e-mail abaixo para alguns amigos e amigas. Com um mantive um diálogo bem produtivo. Compartilho com vocês uns trechos da conversa. Pode ser que sirva para alguém mais.
Prezado(a)s:
Já há algum tempo estou fazendo um estudo sobre as relações entre os transtornos mentais e as artes, no momento com foco nas vidas e nas obras do poeta português Fernando Pessoa e do pintor holandês Van Gogh. Nesta viagem já fortaleci a seguinte compreensão: "Todo artista revela-se em sua obra, aliás, todo ser humano mostra aquilo que é, naquilo que faz."
Um domingo de claridade íntima.
Gilvan Almeida
“Qual é a minha obra? Estou tentando terminar um quadro chamado X (nome do amigo). Está só um esboço. E malfeito. O problema é que outros delinearam sua estrutura geral, e agora estou com enorme dificuldade de consertar ou trazer harmonia às cores e formas, e, às vezes, nem sei mesmo se devo fazer isso, já que não sei o que posso alterar sem perder a identidade da obra.
O que é bacana é que enquanto estou com esta peleja, já aprendi a respeitar e admirar quem, além de pintar um ótimo quadro de si mesmo, ainda deixa outra obra ao passar pela vida, como quadros, músicas, criações artísticas outras etc.”
X
(...) Então, meu amigo, é necessário um foco maior na identidade da obra. Quanto mais clareza a respeito dela, mais você saberá o que deve ou não ser alterado, em retiradas, acréscimos, reestruturações, manutenção ou mudanças nas cores (sentimentos), etc.
Gilvan
Foco na identidade da obra... ok. Você certa feita disse que eu tinha uma visão distorcida de mim mesmo, e acertou na mosca. Agora que o foco está começando a ficar um pouco mais limpo e claro, estou começando a "enxergar", a distinguir, e ainda de forma confusa, o que é imagem verdadeira e o que é da velha ficção, o que é desejo e o que é realidade. Enfim, nada de novo debaixo do céu.
Tenho tido melhoras. Por exemplo, meu pai está aqui, já há alguns dias, e (até agora) não adoeci: uma grande vitória, considerando que neste mesmo mês, no ano passado, em outro contato prolongado somatizei e fiquei doente. Alguns passos foram dados. Pequenos. Mas importantes.
Li seu post sobre filosofia e medicina ( http://www.gilvanalmeida.blogspot.com.br/2011/10/filosofia-e-medicina-sem-humanidade.html ). Fiquei surpreso em saber que não há filosofia na grade curricular do curso de medicina.
X
Ainda sobre o foco na identidade da obra, pensei no que diz Jung, que o ser humano nasce original e morre cópia. Daí a pergunta básica (com desdobramentos) que me surgiu dentro de um auto-exame existencial: o que cada ser humano seria, sem a (des)educação que teve (familiar, escolar, cultural, política, religiosa)? Quais os potenciais irremediável ou parcialmente destruídos? O que sobrou então? Lembro agora que fiz um post com este tema, chamado Destinos abortados ( http://www.gilvanalmeida.blogspot.com.br/2010/06/destinos-abortados.html ). Continuando: Quais os valores impostos à minha essência, que originalmente não faziam parte dela? Quais os que reproduzo inconscientemente, que me fazem infeliz, insatisfeito? Meu Deus, quanto lixo energético e sentimental carregamos (com as doenças correspondentes). E o que reproduzimos e impomos às gerações seguintes: nossos filhos, fazendo com eles o mesmo que fizeram conosco, o mesmo que tanto criticamos em nossa criação?
Que bom, hoje em dia, poder fazer esta reflexão e não identificar mais, em meu coração, sinais de revolta ou mágoas contra meus pais. Simplesmente compreendê-los e amá-los do jeito que puderam ser, sabendo, hoje, que eles procuraram dar o melhor que tinham e sabiam.
Muito bom, também, saber de seus progressos, especialmente com relação ao maior discernimento entre o que é seu e o que é do seu pai, bem como ver você já perceber em seu sentimento o fruto que esta clareza traz, através do abrandamento da reatividade emocional e comportamental aos pensamentos e atitudes dele e, com isso, adoecendo menos. Muito bem, continue assim, sua coluna vertebral agradece. Aparelho digestivo também. risos.
Gilvan
Prezado(a)s:
Já há algum tempo estou fazendo um estudo sobre as relações entre os transtornos mentais e as artes, no momento com foco nas vidas e nas obras do poeta português Fernando Pessoa e do pintor holandês Van Gogh. Nesta viagem já fortaleci a seguinte compreensão: "Todo artista revela-se em sua obra, aliás, todo ser humano mostra aquilo que é, naquilo que faz."
Um domingo de claridade íntima.
Gilvan Almeida
“Qual é a minha obra? Estou tentando terminar um quadro chamado X (nome do amigo). Está só um esboço. E malfeito. O problema é que outros delinearam sua estrutura geral, e agora estou com enorme dificuldade de consertar ou trazer harmonia às cores e formas, e, às vezes, nem sei mesmo se devo fazer isso, já que não sei o que posso alterar sem perder a identidade da obra.
O que é bacana é que enquanto estou com esta peleja, já aprendi a respeitar e admirar quem, além de pintar um ótimo quadro de si mesmo, ainda deixa outra obra ao passar pela vida, como quadros, músicas, criações artísticas outras etc.”
X
(...) Então, meu amigo, é necessário um foco maior na identidade da obra. Quanto mais clareza a respeito dela, mais você saberá o que deve ou não ser alterado, em retiradas, acréscimos, reestruturações, manutenção ou mudanças nas cores (sentimentos), etc.
Gilvan
Foco na identidade da obra... ok. Você certa feita disse que eu tinha uma visão distorcida de mim mesmo, e acertou na mosca. Agora que o foco está começando a ficar um pouco mais limpo e claro, estou começando a "enxergar", a distinguir, e ainda de forma confusa, o que é imagem verdadeira e o que é da velha ficção, o que é desejo e o que é realidade. Enfim, nada de novo debaixo do céu.
Tenho tido melhoras. Por exemplo, meu pai está aqui, já há alguns dias, e (até agora) não adoeci: uma grande vitória, considerando que neste mesmo mês, no ano passado, em outro contato prolongado somatizei e fiquei doente. Alguns passos foram dados. Pequenos. Mas importantes.
Li seu post sobre filosofia e medicina ( http://www.gilvanalmeida.blogspot.com.br/2011/10/filosofia-e-medicina-sem-humanidade.html ). Fiquei surpreso em saber que não há filosofia na grade curricular do curso de medicina.
X
Ainda sobre o foco na identidade da obra, pensei no que diz Jung, que o ser humano nasce original e morre cópia. Daí a pergunta básica (com desdobramentos) que me surgiu dentro de um auto-exame existencial: o que cada ser humano seria, sem a (des)educação que teve (familiar, escolar, cultural, política, religiosa)? Quais os potenciais irremediável ou parcialmente destruídos? O que sobrou então? Lembro agora que fiz um post com este tema, chamado Destinos abortados ( http://www.gilvanalmeida.blogspot.com.br/2010/06/destinos-abortados.html ). Continuando: Quais os valores impostos à minha essência, que originalmente não faziam parte dela? Quais os que reproduzo inconscientemente, que me fazem infeliz, insatisfeito? Meu Deus, quanto lixo energético e sentimental carregamos (com as doenças correspondentes). E o que reproduzimos e impomos às gerações seguintes: nossos filhos, fazendo com eles o mesmo que fizeram conosco, o mesmo que tanto criticamos em nossa criação?
Que bom, hoje em dia, poder fazer esta reflexão e não identificar mais, em meu coração, sinais de revolta ou mágoas contra meus pais. Simplesmente compreendê-los e amá-los do jeito que puderam ser, sabendo, hoje, que eles procuraram dar o melhor que tinham e sabiam.
Muito bom, também, saber de seus progressos, especialmente com relação ao maior discernimento entre o que é seu e o que é do seu pai, bem como ver você já perceber em seu sentimento o fruto que esta clareza traz, através do abrandamento da reatividade emocional e comportamental aos pensamentos e atitudes dele e, com isso, adoecendo menos. Muito bem, continue assim, sua coluna vertebral agradece. Aparelho digestivo também. risos.
Gilvan
sexta-feira, 16 de março de 2012
Agnódice: a primeira médica relatada na História
Arte em relevo. Agnódice: médica diante do Areópago. Medalhão exposto na nova Faculdade de Medicina (Paris)
Há na história da humanidade relatos orais e escritos sobre o aparecimento de homens e mulheres que revolucionaram suas épocas, questionando conceitos e verdades vigentes nos campos da política, das ciências materiais, da religião, dos mecanismos de poder socioeconômico e cultural e outros. Raros os que foram bem recebidos. Quase todos incompreendidos, especialmente pela classe dominante defensora da antiga verdade, muitos violentamente reprimidos e/ou mortos.
Só recentemente tomei conhecimento da existência de Agnódice e sua luta para exercer a Medicina. Defino-a como uma mulher fora de época, digna de minha admiração. Faço neste post uma homenagem a ela.
Gilvan Almeida
Agnódice ou Agnodike (IV a. C), a mais antiga mulher a ser mencionada pelos gregos, tencionava fortemente ser médica. Natural de Atenas, aonde havia proibição legal para mulheres estudarem medicina, Agnódice viajou a Roma a fim de aprender a fazer partos e, dedicando-se principalmente ao estudo da obstetrícia e da ginecologia, obteu conhecimentos básicos sobre a saúde da mulher.
Desejando voltar a seu país e nele colocar em prática os conhecimentos adquiridos em Roma, a solução para tornar-se impune foi radical: Agnódice voltou à Grécia com os cabelos curtos e travestida de homem, sentindo-se dessa forma segura para exercer a medicina.
Quando começou a atuar, com muito sucesso, atraiu muitos clientes, despertando assim o ciúme de outros médicos. Raivosos com Agnódice e acreditando que fosse realmente homem, eles a acusaram falsamente de estar praticando atos libidinosos com as pacientes.
Levada ao tribunal (areópago), ela tentou se defender da falsa acusação; porém, quando percebeu que seria condenada à morte, despiu-se diante do juiz e dos jurados. A atitude extrema causou em todos grande surpresa e comoção. Além disso, várias de suas pacientes declararam em frente ao templo que se ela fosse executada, iriam morrer com ela. O juiz reconheceu a injustiça que estava sendo cometida contra Agnódice, livrou-a da acusação e promulgou uma lei determinando que, a partir daquele momento, as mulheres teriam o direito de praticar a medicina na Grécia.
Graças à ousada e corajosa atitude de Agnódice, as mulheres hoje são maioria na profissão.
2.Greenhill, William Alexander (1867) - "Agnodice", in Smith, William, Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology, 1, Boston: Little, Brown and Company
3. Wikipédia: Agnodice
Fonte: http://medicineisart.blogspot.com/2011/02/agnodice-primeira-medica-relatada-na.html
Há na história da humanidade relatos orais e escritos sobre o aparecimento de homens e mulheres que revolucionaram suas épocas, questionando conceitos e verdades vigentes nos campos da política, das ciências materiais, da religião, dos mecanismos de poder socioeconômico e cultural e outros. Raros os que foram bem recebidos. Quase todos incompreendidos, especialmente pela classe dominante defensora da antiga verdade, muitos violentamente reprimidos e/ou mortos.
Só recentemente tomei conhecimento da existência de Agnódice e sua luta para exercer a Medicina. Defino-a como uma mulher fora de época, digna de minha admiração. Faço neste post uma homenagem a ela.
Gilvan Almeida
Agnódice ou Agnodike (IV a. C), a mais antiga mulher a ser mencionada pelos gregos, tencionava fortemente ser médica. Natural de Atenas, aonde havia proibição legal para mulheres estudarem medicina, Agnódice viajou a Roma a fim de aprender a fazer partos e, dedicando-se principalmente ao estudo da obstetrícia e da ginecologia, obteu conhecimentos básicos sobre a saúde da mulher.
Desejando voltar a seu país e nele colocar em prática os conhecimentos adquiridos em Roma, a solução para tornar-se impune foi radical: Agnódice voltou à Grécia com os cabelos curtos e travestida de homem, sentindo-se dessa forma segura para exercer a medicina.
Quando começou a atuar, com muito sucesso, atraiu muitos clientes, despertando assim o ciúme de outros médicos. Raivosos com Agnódice e acreditando que fosse realmente homem, eles a acusaram falsamente de estar praticando atos libidinosos com as pacientes.
Levada ao tribunal (areópago), ela tentou se defender da falsa acusação; porém, quando percebeu que seria condenada à morte, despiu-se diante do juiz e dos jurados. A atitude extrema causou em todos grande surpresa e comoção. Além disso, várias de suas pacientes declararam em frente ao templo que se ela fosse executada, iriam morrer com ela. O juiz reconheceu a injustiça que estava sendo cometida contra Agnódice, livrou-a da acusação e promulgou uma lei determinando que, a partir daquele momento, as mulheres teriam o direito de praticar a medicina na Grécia.
Graças à ousada e corajosa atitude de Agnódice, as mulheres hoje são maioria na profissão.
REFERÊNCIAS:
1.BEZERRA, Armando - "Admirável mundo médico: a arte na história da medicina" - Brasília, 20022.Greenhill, William Alexander (1867) - "Agnodice", in Smith, William, Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology, 1, Boston: Little, Brown and Company
3. Wikipédia: Agnodice
Fonte: http://medicineisart.blogspot.com/2011/02/agnodice-primeira-medica-relatada-na.html
sexta-feira, 9 de março de 2012
A verdade
Encaminhei um e-mail para alguns amigos e amigas, pois gostei muito deste pensamento de Vaclav Havel, ex-presidente da República Theca, neste mundo de tantos portadores exclusivos da verdade (como se dizem): “Tenha a companhia daqueles que buscam a verdade, e corra daqueles que a encontraram”.
Uma amiga respondeu assim, dentro do exame de vida que ela está fazendo: “Aqueles que a encontraram, estão enganados porque não é possível encontrar a verdade? Encontrar a verdade significa sentir-se numa condição superior?
No meio de minhas buscas de encontrar essa tal famigerada "verdade" encontrei e tenho encontrado muitas ferramentas..., dentre elas pessoas, lugares, músicas, arte, livros, intuições..., mirações...
Cada vez que encontro algo que me preenche a alma, sinto que ainda há trilhões e trilhões de coisas para descobrir...
Minha última aquisição foi o livro "A escola dos Deuses". Tenho encontrado nele respostas que me parecem tão óbvias, algumas delas até já sabia, mas me encanta estar sempre sendo surpreendida!
Colocar em questão tudo que acredito e vivencio tem sido uma constância nessa vida minha sabe Gilvan?
As vezes parece que vivo num mundo a parte e tudo parece estar sempre inadequado, ou, parece que eu estou sempre inadequada...pois sempre acreditei que as verdades não são assim tão óbvias do ponto de vista material, sinto que o que realmente importa, a gente não consegue ver com esses olhos carnais (apesar deles abrirem os caminho...)
Estou, ou, estava num momento de muita dúvida com relação às crenças e sentimentos profundos, queria jogar tudo para o ar e mandar tudo o que sinto e que acreditava serem verdades pra puta que pariu, pois só existem no meu sentir e não se confirmavam na matéria...Daí esbarro num livro que me diz que o mundo do sonho é o que "realmente" é REAL!!!
Estou caminhando com ele (o livro citado) por agora... e tem me feito bem...e agora sem tantos medos busco aprender mais um pouco ou seria desaprender?”
A:
Entendo que a fuga que o pensamento se refere é daqueles que dizem ter encontrado a verdade absoluta. E veja como são tantos, hoje em dia. É só ligar a TV que vemos avatares encarnados iludindo incautos, novos vendedores de indulgências, pondo abaixo todo o belo trabalho que Martinho Lutero fez. Os templos estão cheios de ingênuos, pagando pela promessa de felicidade, dinheiro e saúde fáceis. É só pagar. Falsos profetas que dizem que o Jesus deles é muito mais Jesus que o Jesus dos outros. Detesto isso. Meu Jesus não está em templos de ouro, ele está lá no Hospital de Saúde Mental, na dor psíquica, na humilhação, na solidão e na fome que cada ser humano vive. E junto com Ele estão Buda, Maomé, Zoroastro, Khrisna, Mestre Gabriel, Ghandi, Madre Tereza de Calcutá, Mestre Irineu, e tantos outros seres que vieram nos lembrar do amor ao próximo como lei máxima e base da fraternidade e da união.
A capacidade humana ainda é muito limitada frente à grandeza da verdade, da Luz de Deus. Aguentamos muito pouco dela.
Que bom saber que você está em dúvida. Ótimo caldo de cultura para a gestação do novo, do que é seu mesmo, da depuração que se faz necessária para que haja o verdadeiro amadurecimento. Existe muito mais a conhecer. Somos principiantes, ainda no abc, e não é preciso jogar tudo para o alto. A hora é do aprimoramento do discernimento. Chegue-se, cada vez mais à humildade, ao reconhecimento de que não sabemos de nada, que a luz brilhará.
Complementando o tema, esta fábula mostra, de forma bem clara, a relatividade da verdade:
A verdadeira história dos cegos e o elefante
O que houve depois...
A história dos cegos e do elefante está disseminada por aí, em várias versões. Mas nenhuma conta o que aconteceu depois. Corrigimos isso a tempo, confira.
Era uma vez seis cegos à beira de uma estrada. Um dia, lá do fundo de sua escuridão, eles ouviram um alvoroço e perguntaram o que era.
Era um elefante passando e a multidão tumultuada atrás dele Os cegos não sabiam o que era um elefante e quiseram conhecê-lo.
Era um elefante passando e a multidão tumultuada atrás dele Os cegos não sabiam o que era um elefante e quiseram conhecê-lo.
Então o guia parou o animal e os cegos começaram a examiná-lo:
Apalparam, apalparam...Terminado o exame, os cegos começaram a conversar:
Apalparam, apalparam...Terminado o exame, os cegos começaram a conversar:
— Puxa! Que animal esquisito! Parece uma coluna coberta de pêlos!
— Você está doido? Coluna que nada! Elefante é um enorme abano, isto sim!
— Qual abano, colega! Você parece cego! Elefante é uma espada que quase me feriu!
— Nada de espada e nem de abano, nem de coluna. Elefante é uma corda, eu até puxei.
— De jeito nenhum! Elefante é uma enorme serpente que se enrola.
— Mas quanta invencionice! Então eu não vi bem? Elefante é uma grande montanha que se mexe.
E lá ficaram os seis cegos, à beira da estrada, discutindo partes do elefante. O tom da discussão foi crescendo, até que começaram a brigar, com tanta eficiência quanto quem não enxerga pode brigar, cada um querendo convencer os outros que sua percepção era a correta. Bem, um não participou da briga, porque estava imaginando se podia registrar os direitos da descoberta e calculando quanto podia ganhar com aquilo.
A certa altura, um dos cegos levou uma pancada na cabeça, a lente dos seus óculos escuros se quebrou ferindo seu olho esquerdo e, por algum desses mistérios da vida, ele recuperou a visão daquele olho. E vendo, olhou, e olhando, viu o elefante, compreendendo imediatamente tudo.
Dirigiu-se então aos outros para explicar que estavam errados, ele estava vendo e sabia como era o elefante. Buscou as melhores palavras que pudessem descrever o que vira, mas eles não acreditaram, e acabaram unidos para debochar e rir dele.
Morais da história:
Em terra de cego, quem tem um olho anda vendo coisas.
Quando algo é tido como verdade, o que é diferente parece mentira.
Problemas comuns unem.
Se você for falar sobre um bicho para uma pessoa que nunca viu um, melhor fazer com que ela o veja primeiro.
Virgílio Vasconcelos Vilela
Sobre texto adaptado de www.terravista.pt
abs
Gilvan Almeida
PS: A imagem - Álvaro Inri Cristo Thais (nascido em Indaial, no dia 22 de março de 1948) é um líder religioso que proclama ser a reencarnação de Jesus Cristo. (Wikipédia)
sexta-feira, 2 de março de 2012
Sofrimento psíquico
Uma das definições mais amplas e profundas que já encontrei sobre as dores psíquicas. Não há quem delas escape, poucos os que sabem abordá-las, acolhendo o doente com respeito e amor, e tantos à espera do bálsamo que traga a paz e a esperança.
Gilvan Almeida
"No registro dos sentimentos humanos, a dor psíquica é efetivamente o derradeiro afeto, a última crispação do eu desesperado, que se contrai para não naufragar no nada. Esse estado de dor extrema que perpassa o enlutado, essa mistura de esvaziamento do eu e de contração em imagem-lembrança, é a expressão de uma defesa, de um estremecimento de vida."
(J. D. Nasio, A Dor de Amar)
Gilvan Almeida
"No registro dos sentimentos humanos, a dor psíquica é efetivamente o derradeiro afeto, a última crispação do eu desesperado, que se contrai para não naufragar no nada. Esse estado de dor extrema que perpassa o enlutado, essa mistura de esvaziamento do eu e de contração em imagem-lembrança, é a expressão de uma defesa, de um estremecimento de vida."
(J. D. Nasio, A Dor de Amar)
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