Em meus tempos de estudante de medicina, década de 70, em Manaus, existia uma livraria muito freqüentada pela esquerda estudantil e intelectual da cidade, a livraria Maíra. Lá entrei em contato e me interessei pelas obras de Marx, Engels, Trotski, Lênin e outros teóricos socialistas.
Como ainda estávamos em pleno regime militar(1964-1985), a Polícia Federal de vez em quando aparecia por lá, o que para mim tornava mais interessante ainda, pois naquela época a juventude rebelde tinha uma causa, e o que importava era afrontar, muitas vezes de forma infantil e ingênua, o poder militar constituído.
Na Maíra também comecei a ler outros autores, dentre os quais um que me tornei grande admirador, Thiago de Mello, poeta amazonense, nascido em Barreirinha-amazonas, em 30 de março de 1926, onde ainda hoje reside. Encontrei-o, algumas vezes, nas ruas de Manaus, com sua figura alta e esguia, feições de índio e sempre vestido de branco.
Thiago esteve exilado no Chile, onde se tornou amigo do poeta chileno Pablo Neruda.
De sua grande obra destaco “Os estatutos do homem” e “Faz escuro mas eu canto”, além da poesia a seguir:
Para repartir com todos
“Para repartir com todos,
Com este canto te chamo
Porque dependo de ti.
Quero encontrar um diamante
Sei que ele existe e onde está.
Não me acanho de pedir ajuda,
Sei que sozinho nunca vou poder achar,
Mas desde logo advirto,
É para repartir com todos.
Traz a ternura que escondes machucada no teu peito,
Eu levo um resto de infância que meu coração guardou.
Vamos precisar de fachos para as veredas da noite,
Que oculta e às vezes defende o diamante.
Vamos juntos, traz toda a luz que tiveres,
Não te esqueças do arco-íris que escondestes no porão.
Eu ponho a minha poronga, de uso na selva,
É uma luz que se aconchega na sombra.
Não vale desanimar, nem preferir os atalhos sedutores,
Que nos perdem, para chegar mais depressa.
Vamos achar o diamante para repartir com todos,
Mesmo com quem não quis vir ajudar, pobre de sonhos,
com quem preferiu ficar sozinho
bordando de ouro seu umbigo engelhado,
mesmo com quem se fez cego ou se encolheu na vergonha de aparecer procurando,
com quem foi indiferente e zombou das nossas mãos enfadigadas na busca,
mas também com quem tem medo do diamante e seu poder,
e até mesmo com quem desconfia que ele existe,
e existe,
o diamante se constrói quando procuramos juntos,
no meio da nossa vida,
e cresce, límpido cresce,
na intenção de repartir o que chamamos AMOR.”
Leia mais sobre Thiago de Mello: http://www.secrel.com.br/jpoesia/thiag.html
quarta-feira, 25 de junho de 2008
segunda-feira, 9 de junho de 2008
A renúncia
Muitas vezes queremos, mas nem tudo podemos, nem tudo temos o direito de ser ou de ter. Em nome da paz, da harmonia, da (re)conciliação, da consciência tranqüila ou do amor ao próximo, é preciso muitas vezes abdicar a um desejo. É a renúncia. Renunciar verdadeiramente não deve ser se subjugar, ser derrotado nas batalhas da vida sem lutar, e sim um exercício de autodomínio, de amor, de sábia compreensão e de despojamento, que o poeta e cantor Djavan tão bem define em Esquinas: “... sabe lá o que é morrer de sede em frente ao mar...”
A renúncia é um santo remédio para combater o egoísmo.
A renúncia é um santo remédio para combater o egoísmo.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Filósofos que admiro: Confúcio

Sábio filósofo chinês, Confúcio (Kung-fu-tzu), o sapientíssimo, o sábio dos sábios, nasceu na 11ª lua do 21º ano de Ling-uang (551 A.C.). Conta-se que fatos prodigiosos revestiram o seu nascimento. Uma antiga lenda chinesa diz o seguinte: “Uma tarde, quando Yen Chen Tsai passeava nos jardins da mansão de seu marido, viu surgir, de repente, diante dela, uma grande nuvem azulada. E, desta nuvem, saiu uma radiosa entidade espiritual. Seu corpo diáfano parecia ungido de aromas delicados e cintilava ao calor de pedrarias raras. Estupefata, Yen Chen Tsai ouviu-a dizer:
“- Breve terás um filho que será um grande sábio! Tu deverás dar-lhe à luz na Gruta das Amoreiras, perto do Templo da Paz Celeste!
“E assim dizendo o ser etéreo desapareceu como num sonho. Yen Chen Tsai ficou maravilhada e contou ao marido as palavras da estranha aparição. E ambos concordaram em seguir as instruções divinas. Quando chegou a época propícia, ela foi para a Gruta das Amoreiras, e lá nasceu Confúcio. Assim que a criança veio ao mundo, cinco velhos veneráveis, vestindo trajes de seda cintilante, apareceram na gruta. Eram os espíritos dos Cinco Planetas que vinham trazer a sua benção. Com eles veio também um estranho animal. Tinha o corpo igual ao de um touro, mas era recoberto de escamas de dragão. A cabeça parecia a de uma corça e tinha no meio da testa um grande chifre recurvo. Tratava-se do lendário Unicórnio, o sagrado “lin”, que só aparece para anunciar o nascimento dos sábios neste mundo. Com extrema delicadeza, os Cinco Espíritos Planetários levaram docemente a mãe e o filho pelos ares e depositaram-nos em seus aposentos na casa de Shu Liang Ho. E após abençoar aquela família feliz, desapareceram no ar, tão misteriosamente como haviam vindo.”
Sabedoria de Confúcio:
- Refletindo sobre nossa natureza com seus discípulos, Confúcio afirmou que alcança humanidade aquele que pratica:
Cortesia – e com ela repele os insultos;
Tolerância – e com ela conquista todos os corações;
Boa-fé – e com ela inspira a confiança dos outros;
Diligência – e com ela garante o sucesso, e a
Generosidade – e com ela angaria autoridade sobre os outros.
Ainda hoje temos diante de nós esse grande desafio, cinco práticas capazes de mudar nosso destino.
- “A educação do homem deve começar pela poesia, ser fortificada pela conduta justa e consumar-se na música.”
- "Aos quinze anos orientei o meu coração para aprender. Aos trinta, plantei meus pés firmemente no chão. Aos quarenta, não mais sofria de perplexidade. Aos cinqüenta, sabia quais eram os preceitos do céu. Aos sessenta, eu os ouvia com ouvido dócil. Aos setenta, eu podia seguir as indicações do meu próprio coração, pois o que eu desejava não mais excedia as fronteiras da Justiça".
- "Quando conhecer um homem bom, trate de imitá-lo; quando conhecer um homem mau, faça uma auto-análise."
- “Tenha cuidado com tuas palavras e teus atos”.
- “Sabedoria, compaixão e coragem são as três qualidades superiores do homem superior.”
- “A verdadeira riqueza de um homem se resume naquilo que ele faz pelos outros.”
- “A sabedoria e o sucesso nunca poderão ser alcançados sem esforço, mas resulta de pequenas coisas.”
Conheça mais sobre Confúcio:
-Livro: A essência da sabedoria de Confúcio.
Autor: Charles J. Finger
Editora: Ediouro
“- Breve terás um filho que será um grande sábio! Tu deverás dar-lhe à luz na Gruta das Amoreiras, perto do Templo da Paz Celeste!
“E assim dizendo o ser etéreo desapareceu como num sonho. Yen Chen Tsai ficou maravilhada e contou ao marido as palavras da estranha aparição. E ambos concordaram em seguir as instruções divinas. Quando chegou a época propícia, ela foi para a Gruta das Amoreiras, e lá nasceu Confúcio. Assim que a criança veio ao mundo, cinco velhos veneráveis, vestindo trajes de seda cintilante, apareceram na gruta. Eram os espíritos dos Cinco Planetas que vinham trazer a sua benção. Com eles veio também um estranho animal. Tinha o corpo igual ao de um touro, mas era recoberto de escamas de dragão. A cabeça parecia a de uma corça e tinha no meio da testa um grande chifre recurvo. Tratava-se do lendário Unicórnio, o sagrado “lin”, que só aparece para anunciar o nascimento dos sábios neste mundo. Com extrema delicadeza, os Cinco Espíritos Planetários levaram docemente a mãe e o filho pelos ares e depositaram-nos em seus aposentos na casa de Shu Liang Ho. E após abençoar aquela família feliz, desapareceram no ar, tão misteriosamente como haviam vindo.”
Sabedoria de Confúcio:
- Refletindo sobre nossa natureza com seus discípulos, Confúcio afirmou que alcança humanidade aquele que pratica:
Cortesia – e com ela repele os insultos;
Tolerância – e com ela conquista todos os corações;
Boa-fé – e com ela inspira a confiança dos outros;
Diligência – e com ela garante o sucesso, e a
Generosidade – e com ela angaria autoridade sobre os outros.
Ainda hoje temos diante de nós esse grande desafio, cinco práticas capazes de mudar nosso destino.
- “A educação do homem deve começar pela poesia, ser fortificada pela conduta justa e consumar-se na música.”
- "Aos quinze anos orientei o meu coração para aprender. Aos trinta, plantei meus pés firmemente no chão. Aos quarenta, não mais sofria de perplexidade. Aos cinqüenta, sabia quais eram os preceitos do céu. Aos sessenta, eu os ouvia com ouvido dócil. Aos setenta, eu podia seguir as indicações do meu próprio coração, pois o que eu desejava não mais excedia as fronteiras da Justiça".
- "Quando conhecer um homem bom, trate de imitá-lo; quando conhecer um homem mau, faça uma auto-análise."
- “Tenha cuidado com tuas palavras e teus atos”.
- “Sabedoria, compaixão e coragem são as três qualidades superiores do homem superior.”
- “A verdadeira riqueza de um homem se resume naquilo que ele faz pelos outros.”
- “A sabedoria e o sucesso nunca poderão ser alcançados sem esforço, mas resulta de pequenas coisas.”
Conheça mais sobre Confúcio:
-Livro: A essência da sabedoria de Confúcio.
Autor: Charles J. Finger
Editora: Ediouro
sábado, 31 de maio de 2008
A caridade
Quando perceberes a bondade se aninhar em teu coração e surgir o desejo de servir, atendas, pois é a caridade chegando. Neste sagrado momento de sublimar o ego, compartilha os teus bens, materiais e espirituais, conduzindo esta luz sagrada que Deus nos envia, na intenção de unir os seus filhos. Se dás o que te sobra é um belo gesto. Se dás o que te pode faltar é mais belo ainda. Muitas vezes encontrarás carentes de pão, mas a carência é muito mais ampla. Com atenção e o coração desarmado perceberás que há carentes até de um olhar carinhoso, de uma mão amiga, de um ombro onde possam chorar as dores, de uma palavra que lhes traga a paz necessária.
Gilvan Almeida
Gilvan Almeida
domingo, 25 de maio de 2008
A mentira
Dentro de meus estudos de auto-conhecimento, de vez em quando estou refletindo sobre esta frase: “...mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira...” (Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Renato Rocha). Sei que ainda não sou plenamente verdadeiro comigo mesmo, que já enfrentei e superei muitos conflitos íntimos, mas quais são os pontos em que ainda continuo me enganando? Onde fujo do encontro com minha essência, por falta de coragem para transcender o medo de sair dos meus quintais e ganhar as ruas? Eu quero a verdade, mas até que ponto eu tenho maturidade e equilíbrio para agüentá-la de pé, sem correr, sem me fazer de vítima, sem ficar deprimido e sem colocar a culpa nos outros? Por que evito encarar os sofrimentos mais profundos, aquelas dores mais angustiantes, e continuo mentindo para mim que está tudo bem? Por que ainda faço auto-sabotagem em meu crescimento, inventando desculpas para não sair do lugar e definir determinados rumos da minha vida? Aí entendo um pouco porque é a pior mentira essa auto-enganação: ninguém consegue enganar para sempre a própria consciência, e, se nós permitirmos, ela mostra de forma clara quem nós somos e o que devemos fazer para ter mais paz.
Gilvan Almeida
Gilvan Almeida
sexta-feira, 23 de maio de 2008
A humildade
Confundida por alguns como pobreza, baixo nível sócio-econômico, a humildade é uma palavra de fino significado, uma virtude tão nobre e rara, que na prática é mais fácil ver quando não se é humilde. Assim posso ver o que falta em mim de humildade quando sou impaciente, grosseiro, insensível, pedante, pretensioso, autoritário, hipócrita, ganancioso, etc. O verdadeiramente humilde não diz que é, pois se diz que é, não é, já que são os outros que enxergam nele essa virtude, que reflete a grandeza de sua alma. Reconhecer um erro, dar a mão à palmatória, de coração, é um gesto que conduz à humildade.
Escrito por Gilvan Almeida
Escrito por Gilvan Almeida
terça-feira, 20 de maio de 2008
Nasrudin
Gosto muito de garimpar pérolas na diversidade cultural existente neste nosso planeta. Quando criança eu colecionava peteca(hoje chamada bola de gude) e revista Placar. Recentemente descobri que continuo colecionando, só que agora coleciono palavras, frases, ditados populares, adágios, sabedoria popular, ensinamentos e sínteses filosóficos e espirituais. Assim, descobri na cultura árabe o Mullá Nasrudin, com suas pequenas e significativas histórias que mexem, de forma inteligente, com o raciocínio trivial e a mesmice lógica, tocando nosso coração de forma bem humorada e, às vezes, irônica. Vejam um pouco dele. Continuarei o garimpo e compartilharei com vocês. Gilvan
Popularíssimo entre os muçulmanos, a figura de Mullá (mestre) Nasrudin protagoniza historietas que revelam, com bom humor, o coração humano. Há até quem diga que ele existiu na Turquia do século 13, porém o importante mesmo são as interpretações de suas aventuras. De certa maneira, as histórias de Nasrudin se parecem com os contos zen-budistas, pois quebram o raciocínio convencional. Aqui duas das centenas de histórias desse mestre, que encanta o mundo islâmico há gerações:
1. Numa certa noite muito escura, Nasrudin foi visto procurando algo no chão debaixo de um poste de luz que iluminava uma boa área a seu redor. Querendo ajudar o velho mestre, um jovem perguntou o que ele estava procurando. “Minhas chaves! Deixei-as cair!”, disse ele. O jovem se pôs então de quatro ao lado de Nasrudin para procurá-las. Depois de um certo tempo sem encontrar nada, o jovem perguntou a Nasrudin. “Mullá, tem certeza de que deixou cair suas chaves por aqui?” O mestre respondeu: “Claro que não! Deixei-as cair em frente de casa!” Perplexo, o jovem perguntou: “Por que então está procurando aqui?” Respondeu Mullá Nasrudin: “Ora, porque aqui há muito mais luz!”
Ensinamento da história: muitas vezes buscamos a felicidade apenas no que está mais aparente e visível, no que tem mais luz, isto é, nas coisas do mundo, quando é preciso dar um mergulho no escuro, enfrentando medos e emoções turbulentas, para obter as chaves de uma transformação real.
2. Nasrudin postou-se na praça do mercado e dirigiu-se à multidão:
-“Ó povo deste lugar! Querem conhecimento sem dificuldade, verdade sem falsidade, realização sem esforço, progresso sem sacrifício?”
Logo juntou-se um grande número de pessoas com todo mundo gritando:
-“Queremos, queremos!”
-“Era só para saber”, disse ele.“Podem confiar em mim. Contarei a vocês tudo a respeito, caso algum dia descubra algo assim.”
Popularíssimo entre os muçulmanos, a figura de Mullá (mestre) Nasrudin protagoniza historietas que revelam, com bom humor, o coração humano. Há até quem diga que ele existiu na Turquia do século 13, porém o importante mesmo são as interpretações de suas aventuras. De certa maneira, as histórias de Nasrudin se parecem com os contos zen-budistas, pois quebram o raciocínio convencional. Aqui duas das centenas de histórias desse mestre, que encanta o mundo islâmico há gerações:
1. Numa certa noite muito escura, Nasrudin foi visto procurando algo no chão debaixo de um poste de luz que iluminava uma boa área a seu redor. Querendo ajudar o velho mestre, um jovem perguntou o que ele estava procurando. “Minhas chaves! Deixei-as cair!”, disse ele. O jovem se pôs então de quatro ao lado de Nasrudin para procurá-las. Depois de um certo tempo sem encontrar nada, o jovem perguntou a Nasrudin. “Mullá, tem certeza de que deixou cair suas chaves por aqui?” O mestre respondeu: “Claro que não! Deixei-as cair em frente de casa!” Perplexo, o jovem perguntou: “Por que então está procurando aqui?” Respondeu Mullá Nasrudin: “Ora, porque aqui há muito mais luz!”
Ensinamento da história: muitas vezes buscamos a felicidade apenas no que está mais aparente e visível, no que tem mais luz, isto é, nas coisas do mundo, quando é preciso dar um mergulho no escuro, enfrentando medos e emoções turbulentas, para obter as chaves de uma transformação real.
2. Nasrudin postou-se na praça do mercado e dirigiu-se à multidão:
-“Ó povo deste lugar! Querem conhecimento sem dificuldade, verdade sem falsidade, realização sem esforço, progresso sem sacrifício?”
Logo juntou-se um grande número de pessoas com todo mundo gritando:
-“Queremos, queremos!”
-“Era só para saber”, disse ele.“Podem confiar em mim. Contarei a vocês tudo a respeito, caso algum dia descubra algo assim.”
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