Recebi o seguinte e-mail de uma amiga: “...Que tal produzir um texto sobre os "tiozãos" (quarentões, cinquentões e até sessentões), que acham que podem competir com os filhos jovens e saem paquerando as "menininhas"?”. Pedi que ela escrevesse mais sobre o assunto e ela respondeu: “Não tenho uma tese "científica", apenas observações do cotidiano vivido em um ambiente predominantemente masculino. Pelas conversas e atitudes, percebe-se que eles se sentem tão à vontade quanto qualquer garotão, quando se trata de dar em cima das garotas, mesmo havendo leis que punem a pedofilia. Historicamente, parece que esse interesse era mais disfarçado (e até mais aceito socialmente): vide as visitas dos senhores de engenho às senzalas e dos seringalistas com as filhas dos seringueiros; na literatura, onde os escritores, ao falar de seus personagens adolescentes, talvez estivessem homenageando alguém especial para eles (Lolita, Alice no País....Ariel, etc.). Sei que não justifica o mau-caratismo desses “lobos-maus”, mas hoje há uma exposição tão exarcebada das "ninfetas", alimentada pela mídia, que elas "transpiram" sensualidade já com 13, 14 anos. Os "caras" devem ficar malucos. Imagina, uma "gatinha", de shortinho curtinho, barriguinha lisinha de fora, descendo do carro do tiozão junto com a filhinha dele e, toda sensual, dizer: "obrigada, tio"! Ou então circulando dentro de casa, dormindo no quarto da filha dele ou contando estórias engraçadas à mesa do almoço. Um conhecido, com filhos adultos, largou a família para viver com uma garota de 15 anos, filha do melhor amigo dele. Imediatamente, fez dieta, emagreceu, fez exercícios, comprou roupas novas e foi conversar com cada um dos conhecidos, tentando convencê-los de que havia total compatibilidade. Na verdade ele queria uma "aprovação", porque sabia que todos achavam a situação ridícula e ele, realmente, estava ridículo.” A Pedofilia consta na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças(CID), da Organização Mundial da Saúde, como uma patologia relacionada aos Transtornos de Preferência Sexual - CID F 65.4. Apesar de já combatida, ainda é muito praticada, inclusive com menores do mesmo sexo e com os próprios filho(a)s, com o agravante de que é aceita por muitos como algo normal, cultural, fator até de exibicionismo e gabolice de alguns “papa-anjos”, e há muito a ser feito para que essa nefasta prática seja abolida. E tem também, em menor escala, a pedofilia praticada por mulheres.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
domingo, 3 de agosto de 2008
Procura-se
Quero um amigo verdadeiro
a quem possa vomitar
a alma e o coração inteiro.
Que me ouça sem interromper,
sem condenar nem defender,
que apenas me ouça o mais profundo.
E depois, sem nada cobrar,
seja terno, seja puro, só amigo,
bebendo comigo, sem dividir nem multiplicar,
a grande solidão de meus segredos.
Darcy França Denófrio (Itarumã, 21 de julho de 1936) é uma educadora, poeta, biógrafa e crítica literária brasileira. Tem seus estudos voltados fundamentalmente para a literatura de seu estado, Goiás. Dedicou trinta anos de sua vida ao magistério, destacando-se como professora de Teoria Literária nos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Goiás
a quem possa vomitar
a alma e o coração inteiro.
Que me ouça sem interromper,
sem condenar nem defender,
que apenas me ouça o mais profundo.
E depois, sem nada cobrar,
seja terno, seja puro, só amigo,
bebendo comigo, sem dividir nem multiplicar,
a grande solidão de meus segredos.
Darcy França Denófrio (Itarumã, 21 de julho de 1936) é uma educadora, poeta, biógrafa e crítica literária brasileira. Tem seus estudos voltados fundamentalmente para a literatura de seu estado, Goiás. Dedicou trinta anos de sua vida ao magistério, destacando-se como professora de Teoria Literária nos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Goiás
domingo, 27 de julho de 2008
A Sabedoria Dos Contos Sufis
Na contínua busca do conhecimento nas diversas fontes culturais, filosóficas e religiosas existentes, dedico grande admiração ao islamismo e à sua vertente esotérica, o Sufismo. A seguir um conto que gosto muito.
Gilvan Almeida
Na tradição mulçumana, o sufismo é conhecido como A Via do Coração, pois é uma corrente mística dentro do islamismo que dá muita importância ao amor ao Criador. Segundo os sufis, é o amor a Deus que deve sempre prevalecer em todas as nossas ações, julgamentos e sentimentos. Um belo exemplo da visão sufi está no conto O Melhor Discípulo, inspirado no livro 75 Contes Sufis, de Eva de Vitray (sem tradução em português):
"O xeique Djunaid tinha um jovem discípulo de quem gostava muito, mais até do que de todos os outros. Essa preferência acabou por despertar ciúmes entre seus seguidores mais antigos. O xeique, como conhecia os corações dos homens, rapidamente se deu conta disso e reuniu os discípulos descontentes e disse: – “Apesar de muito jovem, sei que ele é superior a vocês, tanto em bondade como em compreensão. Confio inteiramente nele. Mas, se estiver enganado, quero que vocês apontem meu erro. Assim sendo, mudarei de opinião.” Dizendo isso, propôs um único teste para todos. Radiantes com a oportunidade, os mais antigos aceitaram prontamente o desafio. Então o xeique ordenou que trouxessem 20 pássaros. E disse aos discípulos: - “Cada um de vocês pegue um pássaro, leve-o a um lugar onde ninguém os veja, mate-o e traga-o imediatamente para que eu possa atestar que a ordem foi cumprida”. Todos os discípulos, ansiosos para provar que também eram dignos de confiança de seu mestre, saíram, mataram os pássaros e os trouxeram de volta. Todos, exceto o discípulo favorito. Ele regressou com seu pássaro vivo, que carinhosamente aninhava em suas mãos. – “Por que não o matou?”, perguntou o xeique.– “Porque o mestre disse que teria de fazê-lo em um lugar onde ninguém pudesse nos ver”, respondeu. “Mas em todos os lugares a que fui, o olhar de Alá estava sempre presente!”– “Essa é a medida da compreensão dele!”, exclamou o xeique Djunaid, voltando-se a seus discípulos. “Agora podem compará-la com a de vocês!”Os seguidores mais antigos então se ajoelharam e pediram perdão a Allah por sua ignorância. E reconheceram a grandeza do coração do jovem aprendiz."
Fonte: Presentes do Islã
Poesias, contos, histórias e orações que falam de um profundo amor a Deus, tolerância e justiça. Conheça o Islã a que pertence a maioria dos muçulmanos, que querem viver em paz com o restante do mundo.
Texto: Liane Alves
Gilvan Almeida
Na tradição mulçumana, o sufismo é conhecido como A Via do Coração, pois é uma corrente mística dentro do islamismo que dá muita importância ao amor ao Criador. Segundo os sufis, é o amor a Deus que deve sempre prevalecer em todas as nossas ações, julgamentos e sentimentos. Um belo exemplo da visão sufi está no conto O Melhor Discípulo, inspirado no livro 75 Contes Sufis, de Eva de Vitray (sem tradução em português):
"O xeique Djunaid tinha um jovem discípulo de quem gostava muito, mais até do que de todos os outros. Essa preferência acabou por despertar ciúmes entre seus seguidores mais antigos. O xeique, como conhecia os corações dos homens, rapidamente se deu conta disso e reuniu os discípulos descontentes e disse: – “Apesar de muito jovem, sei que ele é superior a vocês, tanto em bondade como em compreensão. Confio inteiramente nele. Mas, se estiver enganado, quero que vocês apontem meu erro. Assim sendo, mudarei de opinião.” Dizendo isso, propôs um único teste para todos. Radiantes com a oportunidade, os mais antigos aceitaram prontamente o desafio. Então o xeique ordenou que trouxessem 20 pássaros. E disse aos discípulos: - “Cada um de vocês pegue um pássaro, leve-o a um lugar onde ninguém os veja, mate-o e traga-o imediatamente para que eu possa atestar que a ordem foi cumprida”. Todos os discípulos, ansiosos para provar que também eram dignos de confiança de seu mestre, saíram, mataram os pássaros e os trouxeram de volta. Todos, exceto o discípulo favorito. Ele regressou com seu pássaro vivo, que carinhosamente aninhava em suas mãos. – “Por que não o matou?”, perguntou o xeique.– “Porque o mestre disse que teria de fazê-lo em um lugar onde ninguém pudesse nos ver”, respondeu. “Mas em todos os lugares a que fui, o olhar de Alá estava sempre presente!”– “Essa é a medida da compreensão dele!”, exclamou o xeique Djunaid, voltando-se a seus discípulos. “Agora podem compará-la com a de vocês!”Os seguidores mais antigos então se ajoelharam e pediram perdão a Allah por sua ignorância. E reconheceram a grandeza do coração do jovem aprendiz."
Fonte: Presentes do Islã
Poesias, contos, histórias e orações que falam de um profundo amor a Deus, tolerância e justiça. Conheça o Islã a que pertence a maioria dos muçulmanos, que querem viver em paz com o restante do mundo.
Texto: Liane Alves
sábado, 19 de julho de 2008
O redespertar da amizade
A vida de todo ser humano é composta de altos e baixos, tristezas, desencantos e alegrias, solidão e convivência. Em algum desses momentos, especialmente os tristes, ficamos tão envolvidos com nossos problemas que deixamos de lado as coisas boas da vida – que continuam existindo, mesmo nos momentos de dor. Recebi este e-mail de uma amiga, que me fez despertar um pouco mais para esta realidade. Mandei-lhe um texto sobre a importância das amizades e ela me respondeu:
“...Olhe bem, é o que sinto intensamente, todas as coisas se afrouxam, filhos se reorientam e dão início à caminhada deles; algumas coisas do amor a dois afrouxam MESMO, não é a mesma coisa, o encantamento da paixão é passageiro, desbotam as cenas, perdem o viço pelo tempo e pela falta de uma atenção devida. Aí quando a gente olha para um lado e para o outro, o que nos fortalece nessa caminhada??? Aquele amigo que cativamos e nos deixamos cativar, que fica muitas vezes adormecido, enroscado em sua própria história e se nega a um deleite da verdadeira amizade, aquele que nos ouve, nos acolhe, não nos condena, mas quer partilhar todos os momentos, aquele que se aflige quando não tem notícias, como se um pedaço da gente faltasse, e vem sempre ao pensamento:o que está acontecendo? Por que não recebo notícias? O que estará afligindo o nosso amigo? Não é curiosidade, é poder partilhar sempre.
Esses dias fiquei com muita vontade e saudade de você, sei que você sabe ser um amigo, mas fica às vezes hibernando(risos), mas eu abro um cantinho pra o sol começar a derreter a neve(risos).
Cada dia mais sinto muita falta de nossa convivência; não é fuga, não é carência, não é egoísmo, mas é uma jóia muito preciosa! Não tem motivos pra se interromper algo escrito nas estrelas e no coração! Por isso faz tanta falta, é um "buraco na alma" quando a gente fica sem notícias. Ajuda a viver melhor todas as adversidades e as alegrias também, a amizade é gratuita,sem cobranças(só um pouquinho...) só pra ter um alô! Como você está? O que faz e o que tem sentido?O que lhe aflige tanto? O que lhe alegra mais? Como vê, é um rosário de perguntas só pra estar mais perto.
Assim eu me sinto em relação a você. Sei também que diante de seu silêncio eu preciso respeitar o momento (não por muito tempo...eu não aguento....que jeito?). Sou assim. Coração batendo forte !
Desejo que você esteja bem, melhorando cada vez mais, compreendendo cada vez mais e se amando cada vez mais. Lembre-se Você merece ser feliz! Apesar de tudo.
Aguardo mais noticias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Mais conversa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Abração
V
Expus essa minha intimidade porque pode servir para alguém que esteja vivenciando situação semelhante, para que não esqueça nunca do poder curativo das amizades verdadeiras.
Gilvan Almeida
“...Olhe bem, é o que sinto intensamente, todas as coisas se afrouxam, filhos se reorientam e dão início à caminhada deles; algumas coisas do amor a dois afrouxam MESMO, não é a mesma coisa, o encantamento da paixão é passageiro, desbotam as cenas, perdem o viço pelo tempo e pela falta de uma atenção devida. Aí quando a gente olha para um lado e para o outro, o que nos fortalece nessa caminhada??? Aquele amigo que cativamos e nos deixamos cativar, que fica muitas vezes adormecido, enroscado em sua própria história e se nega a um deleite da verdadeira amizade, aquele que nos ouve, nos acolhe, não nos condena, mas quer partilhar todos os momentos, aquele que se aflige quando não tem notícias, como se um pedaço da gente faltasse, e vem sempre ao pensamento:o que está acontecendo? Por que não recebo notícias? O que estará afligindo o nosso amigo? Não é curiosidade, é poder partilhar sempre.
Esses dias fiquei com muita vontade e saudade de você, sei que você sabe ser um amigo, mas fica às vezes hibernando(risos), mas eu abro um cantinho pra o sol começar a derreter a neve(risos).
Cada dia mais sinto muita falta de nossa convivência; não é fuga, não é carência, não é egoísmo, mas é uma jóia muito preciosa! Não tem motivos pra se interromper algo escrito nas estrelas e no coração! Por isso faz tanta falta, é um "buraco na alma" quando a gente fica sem notícias. Ajuda a viver melhor todas as adversidades e as alegrias também, a amizade é gratuita,sem cobranças(só um pouquinho...) só pra ter um alô! Como você está? O que faz e o que tem sentido?O que lhe aflige tanto? O que lhe alegra mais? Como vê, é um rosário de perguntas só pra estar mais perto.
Assim eu me sinto em relação a você. Sei também que diante de seu silêncio eu preciso respeitar o momento (não por muito tempo...eu não aguento....que jeito?). Sou assim. Coração batendo forte !
Desejo que você esteja bem, melhorando cada vez mais, compreendendo cada vez mais e se amando cada vez mais. Lembre-se Você merece ser feliz! Apesar de tudo.
Aguardo mais noticias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Mais conversa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Abração
V
Expus essa minha intimidade porque pode servir para alguém que esteja vivenciando situação semelhante, para que não esqueça nunca do poder curativo das amizades verdadeiras.
Gilvan Almeida
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Cura filosófica da vida
Todo ser humano, mesmo sem saber, tem uma filosofia de vida, que é o que dá o sentido à existência, o que norteia os pensamentos, os sentimentos, as palavras e as ações, as buscas pessoais, as aspirações mais íntimas. É o que dá força e luz ao cotidiano, fundamentos essenciais para se viver bem. Encontro muita gente doente da existência, a quem não adianta só os medicamentos, é preciso também auxiliá-las a conhecer-se e a resolver os próprios conflitos. Para um bom começo nesta “terapia filosófica”, é importante saber: Qual o sentido da minha vida? Qual a minha razão de viver? Tenho a sensação de ter desperdiçado minha vida? O que acertei? O que errei? O que é ser feliz? Sou feliz? Se fosse possível recomeçar, o que mudaria? O que manteria? O que aprendi com os erros? E com os acertos? Foi eu que escolhi minhas metas? Ou escolheram para mim? Confronto-me com as questões traumáticas da minha vida? Quais são elas mesmo? Que mecanismos de fuga uso para não encará-las? Existe realidade dentro das minhas preocupações? Quanto que dramatizo a minha vida, exagerando emocionalmente e transformando copo d’água em tempestade? O que me causa, como expresso e como resolvo as ansiedades e as angústias? O que me impede de desenvolver plenamente minha capacidade de amar? Mãos à obra e sebo nas canelas que ainda dá tempo de vencer.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Thiago de Mello, poeta da Amazônia.
Em meus tempos de estudante de medicina, década de 70, em Manaus, existia uma livraria muito freqüentada pela esquerda estudantil e intelectual da cidade, a livraria Maíra. Lá entrei em contato e me interessei pelas obras de Marx, Engels, Trotski, Lênin e outros teóricos socialistas.
Como ainda estávamos em pleno regime militar(1964-1985), a Polícia Federal de vez em quando aparecia por lá, o que para mim tornava mais interessante ainda, pois naquela época a juventude rebelde tinha uma causa, e o que importava era afrontar, muitas vezes de forma infantil e ingênua, o poder militar constituído.
Na Maíra também comecei a ler outros autores, dentre os quais um que me tornei grande admirador, Thiago de Mello, poeta amazonense, nascido em Barreirinha-amazonas, em 30 de março de 1926, onde ainda hoje reside. Encontrei-o, algumas vezes, nas ruas de Manaus, com sua figura alta e esguia, feições de índio e sempre vestido de branco.
Thiago esteve exilado no Chile, onde se tornou amigo do poeta chileno Pablo Neruda.
De sua grande obra destaco “Os estatutos do homem” e “Faz escuro mas eu canto”, além da poesia a seguir:
Para repartir com todos
“Para repartir com todos,
Com este canto te chamo
Porque dependo de ti.
Quero encontrar um diamante
Sei que ele existe e onde está.
Não me acanho de pedir ajuda,
Sei que sozinho nunca vou poder achar,
Mas desde logo advirto,
É para repartir com todos.
Traz a ternura que escondes machucada no teu peito,
Eu levo um resto de infância que meu coração guardou.
Vamos precisar de fachos para as veredas da noite,
Que oculta e às vezes defende o diamante.
Vamos juntos, traz toda a luz que tiveres,
Não te esqueças do arco-íris que escondestes no porão.
Eu ponho a minha poronga, de uso na selva,
É uma luz que se aconchega na sombra.
Não vale desanimar, nem preferir os atalhos sedutores,
Que nos perdem, para chegar mais depressa.
Vamos achar o diamante para repartir com todos,
Mesmo com quem não quis vir ajudar, pobre de sonhos,
com quem preferiu ficar sozinho
bordando de ouro seu umbigo engelhado,
mesmo com quem se fez cego ou se encolheu na vergonha de aparecer procurando,
com quem foi indiferente e zombou das nossas mãos enfadigadas na busca,
mas também com quem tem medo do diamante e seu poder,
e até mesmo com quem desconfia que ele existe,
e existe,
o diamante se constrói quando procuramos juntos,
no meio da nossa vida,
e cresce, límpido cresce,
na intenção de repartir o que chamamos AMOR.”
Leia mais sobre Thiago de Mello: http://www.secrel.com.br/jpoesia/thiag.html
Como ainda estávamos em pleno regime militar(1964-1985), a Polícia Federal de vez em quando aparecia por lá, o que para mim tornava mais interessante ainda, pois naquela época a juventude rebelde tinha uma causa, e o que importava era afrontar, muitas vezes de forma infantil e ingênua, o poder militar constituído.
Na Maíra também comecei a ler outros autores, dentre os quais um que me tornei grande admirador, Thiago de Mello, poeta amazonense, nascido em Barreirinha-amazonas, em 30 de março de 1926, onde ainda hoje reside. Encontrei-o, algumas vezes, nas ruas de Manaus, com sua figura alta e esguia, feições de índio e sempre vestido de branco.
Thiago esteve exilado no Chile, onde se tornou amigo do poeta chileno Pablo Neruda.
De sua grande obra destaco “Os estatutos do homem” e “Faz escuro mas eu canto”, além da poesia a seguir:
Para repartir com todos
“Para repartir com todos,
Com este canto te chamo
Porque dependo de ti.
Quero encontrar um diamante
Sei que ele existe e onde está.
Não me acanho de pedir ajuda,
Sei que sozinho nunca vou poder achar,
Mas desde logo advirto,
É para repartir com todos.
Traz a ternura que escondes machucada no teu peito,
Eu levo um resto de infância que meu coração guardou.
Vamos precisar de fachos para as veredas da noite,
Que oculta e às vezes defende o diamante.
Vamos juntos, traz toda a luz que tiveres,
Não te esqueças do arco-íris que escondestes no porão.
Eu ponho a minha poronga, de uso na selva,
É uma luz que se aconchega na sombra.
Não vale desanimar, nem preferir os atalhos sedutores,
Que nos perdem, para chegar mais depressa.
Vamos achar o diamante para repartir com todos,
Mesmo com quem não quis vir ajudar, pobre de sonhos,
com quem preferiu ficar sozinho
bordando de ouro seu umbigo engelhado,
mesmo com quem se fez cego ou se encolheu na vergonha de aparecer procurando,
com quem foi indiferente e zombou das nossas mãos enfadigadas na busca,
mas também com quem tem medo do diamante e seu poder,
e até mesmo com quem desconfia que ele existe,
e existe,
o diamante se constrói quando procuramos juntos,
no meio da nossa vida,
e cresce, límpido cresce,
na intenção de repartir o que chamamos AMOR.”
Leia mais sobre Thiago de Mello: http://www.secrel.com.br/jpoesia/thiag.html
segunda-feira, 9 de junho de 2008
A renúncia
Muitas vezes queremos, mas nem tudo podemos, nem tudo temos o direito de ser ou de ter. Em nome da paz, da harmonia, da (re)conciliação, da consciência tranqüila ou do amor ao próximo, é preciso muitas vezes abdicar a um desejo. É a renúncia. Renunciar verdadeiramente não deve ser se subjugar, ser derrotado nas batalhas da vida sem lutar, e sim um exercício de autodomínio, de amor, de sábia compreensão e de despojamento, que o poeta e cantor Djavan tão bem define em Esquinas: “... sabe lá o que é morrer de sede em frente ao mar...”
A renúncia é um santo remédio para combater o egoísmo.
A renúncia é um santo remédio para combater o egoísmo.
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