quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Ameno - De Eric Levi



Ameno (tradução)

Ameniza

Sinta minha dor
Absorve-me, Toma-me
Sinta minha dor
Liberta-me, Liberta-me
Descubra-me , Descubra meus sinais
Sinta minha dor

Suaviza (esta dor), Conforta-me
Perceba, perceba
Mutilaram-me, Machucaram-me
Liberta-me

Suaviza (esta dor), Conforta-me
Liberta-me
Suaviza (esta dor), Conforta-me

Liberta-me, Ameniza a dor
Ameniza minha dor
Ameniza minha dor

Liberta-me, Senhor
Alivia minha dor, Rei
Ameniza minha dor
Ameniza minha dor

Tira-me esta dor, Senhor

sábado, 22 de novembro de 2008

O poder dos sonhos


“ Os sonhos são fiéis intérpretes de nossas inclinações; mas é necessário uma arte para classificá-los e compreendê-los.” Montaigne - “Da Experiência”, Ensaios.

Enquanto dorme, o homem sonha. Desde tempos imemoriais, parte de sua existência está no mundo dos sonhos.
Sonhar é mais do que passar o tempo durante a noite. É uma experiência. Na experiência há uma mensagem - de você para você mesmo.
Os sonhos são um fato na vida humana. Todos sonham, e os sonhos ajudam a manter um estado de equilíbrio psicológico, uma mente equilibrada. Neste estado do sono certas tensões são descarregadas e certas pressões aliviadas. Esta é apenas uma das razões pelas quais sonhar é necessário.
Os sonhos têm sua própria autonomia e não são limitados por espaço ou tempo. Parece bastante estranho podermos durante um sonho manter conversações sem que uma só palavra seja dita. Podermos ser transportados a diversos lugares completamente diferentes, por vezes muito distantes entre si, sem o uso de qualquer veículo e sem notarmos qualquer lapso de tempo. Simples e repentinamente estamos lá. Objetos, pessoas e animais, familiares ou estranhos, podem aparecer subitamente de parte alguma e desaparecer sem aviso. Contudo, nada disto nos parece estranho ou surpreendente. Tudo que ocorre parece ser muito natural em sua ocorrência... no estado do sonho.
Os sonhos possuem grande significado prático e são reconhecidos como importantes pelas religiões, pelas culturas antigas e contemporâneas e pelo campo da Psicologia.
Por que nem todos recordam seus sonhos?
Edgard Cayce, grande estudioso dos sonhos, encontrou 4 motivos: falta de interesse, exaustão física, impurezas no corpo e materialismo. O primeiro passo para estimular a recordação dos sonhos, segundo ele, é dizer a si mesmo todas as noites , pouco antes de adormecer: “vou recordar meus sonhos”. Um bloco de notas e um lápis devem estar sobre a mesa de cabeceira. Isto ajudará a mente subconsciente a despertar a mente consciente(para registrar), no momento em que for concluído um sonho importante ou logo que despertar.
Há algumas maneiras importantes pelas quais os sonhos lhe podem ser valiosos:
1. Compreender a si mesmo e enfrentar-se;
2. Como orientação prática para o corpo, mente e espírito;
3. Como orientação prática para os problemas do cotidiano;
4. Para registrar a sensitividade psíquica;
5. Como estímulo e inspiração;
6. Informação para a cura do corpo, da mente e do espírito;
7. Expansão da consciência;
8. Estímulo à criatividade;
9. Como registro de experiências psíquicas;
10. Experiências em outras dimensões, como a de fora do corpo;
11.Lembranças de experiências de vidas passadas;
12.Na conscientização de sua responsabilidade para os que dependem de você;
13. No reconhecimento de uma responsabilidade maior para com toda a humanidade, amigos e inimigos;
14. Na descoberta e estabelecimento de comunicação com seu Criador, através do Eu Superior;
15. Desenvolvimento de sua natureza espiritual;
16. Conquista de Paz interior;
17. O mais importante de tudo: aumento de sua capacidade para servir ao semelhante, por meio de melhor compreensão de seus problemas e processos de pensamento.

Os sonhos são experiências reais. Eles nos mostram uma realidade mais profunda de nós mesmos, um encontro mais autêntico com as forças de nossa mente e do nosso espírito. As vivências que ocorrem nos sonhos podem ser poderosas, a ponto de desencadearem mudanças literais em nós: na maneira como pensamos, sentimos e agimos quando acordados.
Os sonhos são muito mais que uma fantasia sem significado. Isso não quer dizer que todo sonho deva ser colocado em ação, literalmente, na vida quando acordado. Em sua maioria, seus acontecimentos são simbólicos. Eles aparecem em forma de imagens. Imagens são símbolos; e estes símbolos são a linguagem de seus sonhos e temos de desenvolver a capacidade de interpretá-los, percebendo assim como transpor melhor essas genuínas experiências do mundo espiritual para a vida física diária. Mesmo que diferentes pessoas possam ter sonhos com imagens/símbolos semelhantes, o sonho terá um significado diferente para cada uma , por causa das experiências individuais, pessoais, em relação àquilo que o símbolo representa. Cada sonho deve ser decifrado de acordo com a situação em que você se encontra, na ocasião em que o ele ocorre.
Assim, é importante na interpretação dos símbolos ver que seu sonho se refere a você, ou seja, você tem o papel principal nele pois, afinal de contas , trata-se de seu sonho. Além de ser a atração principal neste sonho, você deve compreender que também escreve o texto, produz a peça e monta o cenário. E, a não ser em sonhos fora do comum, as outras pessoas que aparecem nos sonhos (nesta peça), são aspectos de seu Eu, partes de seu próprio caráter ou personalidade, ou seja, aquela outra pessoa em seu sonho pode estar se referindo, por exemplo, às suas próprias falhas, virtudes ou atitudes. Ou seja, você observa a sua própria vida de novos ângulos e, ao fazê-lo, pode obter novas e importantes percepções sobre si mesmo. Os padrões morais do indivíduo se refletem com exatidão na clareza e grau de qualidade de seus sonhos.
Em alguns casos, membros da família ou amigos muito chegados ou então parentes retratam-se no sonho. Neste caso, você pode obter valiosas informações sobre seus relacionamentos com essas pessoas.
Assim, cada sonho é criação sua, seu quebra-cabeças, portanto você será seu melhor intérprete. Não se deixe desencorajar. Com a prática, a compreensão se tornará mais fácil. Os sonhos não têm a intenção de ocultar. Geralmente há uma razão para que aconteçam, sendo algumas dessas razões mais importantes que outras. A persistência nos reserva grandes recompensas.
(Texto elaborado com base no livro O PODER DOS SONHOS, de Martin Claret.)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Filho drogado

Uma mulher desesperada, que se sente fracassada como mãe, ao descobrir que o filho, mais uma vez, a estava enganando e continuava usando drogas me diz através de um e-mail: “... descobrimos que ele continua mentindo e fazendo as mesmas coisas, com um distúrbio de caráter muito forte. Perdeu mais uma vez o ano na faculdade e sinto que agora eu e o pai precisamos de uma atitude radical. Mas ainda não conversamos com ele pois está fugindo desse encontro. Acho que tem droga, bebida alcoólica, disfunção de caráter, falta de ética e moral...”
Respondi a ela: “Ao ler sua mensagem pensei inicialmente no "olhar cósmico" citado no livro “Quando Nietzsche chorou”, aquele olhar em que precisamos de um distanciamento emocional para podermos ver com mais clareza o real significado dos acontecimentos tristes e trágicos da vida, que quanto mais do alto pudermos observar, mais veremos que as coisas não são tão trágicas assim, e que têm uma intenção de nos ensinar algo, um aprendizado embutido. Você está precisando fazer mais uso dele, para que seu coração não fique tão confuso, misturando dores, culpas e as responsabilidades que são suas com a dos outros. Preserve-se mais, especialmente começando a se conscientizar mais ainda, no plano emocional, que seu filho é um espírito e você é outro. Assim, possibilita estarem mais presentes o bom senso e a clareza, para ver que você não é a única responsável por tudo isso que a vida dele se transformou. Sei que você sabe disso, mas às vezes recai, como se não soubesse, e voltam-lhe os mesmos sintomas: tristeza, sentimento de fracasso, culpa generalizada, desânimo, falta de perspectiva, auto-punição, auto-sabotagem, menosprezo por si, vontade de fugir. Você não pode nunca deixar de ver que fez o melhor, sempre achando que estava dando o seu amor, sua dedicação, sua vida. Se o outro lado não recebeu toda essa dedicação e intensidade afetivas a culpa não é toda sua (como aparece dentro de seu sentimento), e, ao longo da vida dele, estamos vendo que ele não recebeu mesmo, não só por incompetência de vocês pais, mas por falta de competência dele (aqui não só a intencional, como se fosse sem-vergonhice dele) . Hoje, o que vemos nele é um quadro psicopatológico severo, e que precisa ser abordado por esta ótica. Não basta só os pais "endurecerem" de forma infantilizada, tirando o pirulito do "menino mal-criado" (carro, mesada, mordomias diversas), mas reconhecer o fracasso em determinados ângulos da criação e descobrir, com o auxílio de profissionais da saúde mental, o que é e até onde é, o patológico. A vocês pais cabe mais continuar cumprindo, dentro de uma renovação de valores e de manifestação sentimental, o que lhes foi destinado: dar amor de uma forma cada vez mais justa e orientar este espírito. Ele precisa muito disso, de carinho e compreensão, especialmente de uma forma que possa reconhecer que pode confiar em vocês, que tem em casa um porto seguro.”

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Qual é a sua identidade?

Para Gladys:

Às vezes anoto o que ouço ou leio e que toca o meu coração: frases, trechos de músicas, pensamentos, ditados populares, provérbios, etc. Quando criança eu gostava de colecionar álbum de figurinhas, petecas (bolas de gude), revistas de esporte, etc. Um dia desses descobri que agora eu sou um colecionador de palavras. Tenho diversos arquivos relacionados a isto. Depois que comecei a criar mais coragem e a me expor através da escrita, procuro fazer algumas vezes, como um dia vi a escritora Lygia Fagundes Telles dizer que faz: ela pega uma palavra ou uma frase, coloca em um “anzol”, lança em seu interior e vê o que consegue “pescar” em seus sentimentos e em suas memórias a respeito do assunto. Se algo for “pescado” ela escreve.
Em um dos debates durante o Festival de Cinema de Gramado gostei muito do que o cineasta Murilo Salles falou sobre a protagonista do seu filme Nome Próprio, que é uma mulher em busca de sua própria identidade: “... quando as pessoas morrem sem identidade, descobre-se a identidade delas buscando suas cicatrizes...”
Fiz o que a Lygia me ensinou e consegui “pescar” o que escrevi abaixo:

Qual é a sua identidade?

Sou um ser humano em busca de uma identidade, de algo que me diga verdadeiramente quem eu sou, o que penso, o que sinto, o que gosto e o que quero, independente do que os outros pensam a meu respeito ou do que querem e esperam de mim. Simplesmente por mim mesmo.
Quantos já têm este conhecimento? Você tem?
Qual é a sua identidade? Será esta visível a todos, ou será aquela guardada a sete chaves, e que muito dela não é nem mesmo conhecida por você? Ou você nunca pensou nisto?
Qual será a mais verdadeira das suas facetas psicológicas e comportamentais, a sua verdadeira essência? Ou você prefere não ver pois sofre muito com este doloroso encontro?
Um poeta disse que as cicatrizes de um ser humano podem nos conduzir à sua identidade. Você consegue identificar as suas cicatrizes? Cada uma delas marca no físico um acontecimento, uma dor. Estas são fáceis de serem identificadas, lembrando facilmente como e porquê aconteceram. Já as cicatrizes dos sentimentos, nem sempre são visíveis, e muitas vezes até fugimos delas ou até mesmo fingimos que elas não existem. Você consegue identificar quais foram as feridas, quem as fez ou porque aconteceram? O que você fez ou ainda faz com os sentimentos gerados no momento inicial da dor? E como estão as dores e os sentimentos agora? Quais as feridas que ainda não cicatrizaram completamente, bastando determinadas lembranças para que reabram? Qual a sua responsabilidade para que a cura ainda não tenha acontecido? Por que você ainda insiste em não permitir esta cicatrização? Por que alimenta as feridas no cultivo cotidiano das mágoas ainda tão fortemente presentes em seu coração, como se tudo tivesse acontecido ontem e não há tanto tempo?
É, precisamos aprender mais a nos libertar, a deixar morrer o que nos sufoca e nos aprisiona, que tira nossa alegria, e fazer como a semente, que para um dia poder voltar a ser flor e fruto, precisa deixar-se morrer, para que brote de dentro de si o novo, a vida e a esperança.
(Escrito no Aeroporto de Porto Alegre, enquanto aguardava o vôo para Brasília e Rio Branco.)

domingo, 14 de setembro de 2008

11. Filmes que assisti no Festival de Cinema de Gramado


Votos, comentários e indicações

Logo que se confirmou minha ida ao Festival a disposição para ver muitos filmes era grande. Fiquei um pouco decepcionado quando soube que seriam só onze filmes. Consegui ver quinze nos seis dias da Mostra Competitiva:

1. Dias e noites: Filme de abertura do Festival, não participante da mostra competitiva.

Elenco: Antônio Calloni, José de Abreu, Naura Scheneider e outros.

Sinopse: Atravessando três décadas, a história mostra a trajetória de uma mulher que, ao casar com um rico fazendeiro, enfrenta uma realidade conjugal quase insustentável. Clotilde foi uma mulher que viveu à frente de sua época e não se conformou com o tratamento que recebia do marido. Sofrendo agressões físicas e morais, ela sai de casa, tornando-se uma mulher “desquitada”, mal vista pela sociedade. Após perder todos seus direitos e a guarda dos filhos, Clô inicia uma longa luta para tentar recuperá-los, enfrentando e ajudando a quebrar toda a lógica de uma época em que a mulher era subjugada socialmente

2. Nome próprio

Elenco:Juliano Cazarré, Leandra Leal e outros

Sinopse: “Nome próprio” conta a história de uma jovem mulher que dedica a vida à sua paixão, escrever. Camila é intensa, complexa e corajosa. Para ela, o que interessa é construir uma trajetória como ato de afirmação. Sua vida é sua narrativa. Construir uma narrativa digna o suficiente para que escreva sobre ela. “Nome próprio” é um filme sobre a paixão de Camila. De sua busca por redenção. Quer a literatura como ato de revelação. Para tal, cria vínculos. Carente, os destrói. Por excesso. Por apego. Por paixão. “Nome próprio” é o olhar sobre uma personagem feminina que encara abismos e, disso, retira os amparos que necessita para existir. Para Camila, a vida floresce das cicatrizes de seu processo de entrega absoluta e vertiginosa.

3. Por sus propios ojos

Elenco: Ana Carabajal, Luisa Nuñez, Mara Santucho, Maximiliano Gallo e outros.

Sinopse: Uma estudante de cinema, Alicia, tenta fazer um documentário sobre um tema nada fácil: as mulheres dos presos. Em geral as mulheres resistem à filmagem por temor à condenação social. No meio dessa dificuldade, Alicia conhece Elsa, que tem um filho preso. Entre elas se estabelece um vínculo onde tudo flui como Alicia quer.

4. Vingança

Elenco: Erom Cordeiro, Branca Messina, José de Abreu e outros.

Sinopse: Em uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, Camila, filha de um rico fazendeiro, é violentada e abandonada na beira de um rio. Meses depois, Miguel, um rapaz misterioso e solitário, chega ao Rio de Janeiro e passa a perseguir uma jovem carioca, Carol, com quem inicia um estranho relacionamento. Carol tem um irmão, Bruno, que mora na Austrália e que acabara de chegar ao Rio para passar alguns dias. Juntos eles vão a uma festa, onde Sazão, amigo de Bruno e Carol, é golpeado e quase morto. Sazão não identifica o agressor. Na mesma noite da festa, Camila chega ao Rio de Janeiro e faz revelações que conduzem a história para um novo e inesperado caminho.

5. Mãe de gay – curta metragem

Sinopse: A descoberta da posição sexual de um filho pode trazer surpresas. As reações de uma mãe ao descobrir que seu filho é gay e o modo como encara a situação variam muito. O documentário aborda as relações e conflitos de mães de filhos gays na sociedade atual. “Mãe de Gay” mostra a relação familiar de homossexuais, dando destaque para a mãe que é considerada o alicerce de toda família.

6. Mindelo – atrás de horizonte

Sinopse: O documentário “Mindelo – atrás de horizonte” é o retrato de uma pequena cidade-porto de Cabo Verde, situada no meio do Oceano Atlântico. A câmara segue a vida contemporânea da ilha procurando a cultura crioula de seu povo. Sem comentários, sem entrevistas, sem narração...

7. Netto e o domador de cavalos

Elenco: Werner Schünemann, Tarcísio Filho, Fernanda Carvalho Leite e outros.

Sinopse: “Netto e o domador de cavalos” reconta a mais popular lenda rio-grandense – O negrinho do pastoreio. No início da Guerra dos Farrapos, o General Netto descobre que um antigo parceiro das guerras do sul, o Sargento Torres, está preso. Para libertá-lo, busca a ajuda de escravos rebelados, entre eles, o negrinho, o melhor ginete da fronteira.

8. A encomenda do bicho medonho – curta metragem

Sinopse: David Ferreira, também conhecido como David Barbeiro, é um desses tipos que despertam a curiosidade e a admiração de quem tem a oportunidade de conhecer suas histórias e engenhocas intrigantes. Ainda menino, sonhou com “um bicho grande, feio e medonho” que o mandou construir a primeira das encomendas que receberia nos anos seguintes. A partir daí, vieram mais e mais tarefas, e David foi dando conta de todas.

9. O grão

Elenco: Leuda Bandeira, Nanego Lira e outros.

Sinopse: A velha Perpétua, sentindo a presença da morte, resolve preparar Zeca, seu querido neto, para a separação que se aproxima, contando-lhe a história de um rei e uma rainha, muito ricos e poderosos, que perderam o único filho e que querem trazê-lo de volta à vida. Enquanto Perpétua conta a história, Damião e Josefa trabalham para sustentar a família e preparar o casamento da filha Fátima. Ao final, a história contada por Perpétua e o destino daquela família se cruzam.

10. Perro come perro

Elenco: Marlon Moreno, Oscar Borda e outros.

Sinopse: No mundo do crime da Colômbia há uma lei não oficial. Quando Victor e Eusébio, dois criminosos que trabalham extorquindo dinheiro, desrespeitam as regras, inconscientemente assinam suas próprias sentenças de morte.

11. Pachamama

Sinopse: O filme “Pachamama” título que significa para os indígenas andinos “mãe-terra” e designa a deusa agrária dos camponeses, narra a viagem de um cineasta, o próprio diretor, através da floresta brasileira em direção ao Peru e à Bolívia, onde encontra a realidade de povos historicamente excluídos do processo político de seus países e que pela primeira vez na história buscam uma participação efetiva na construção de seu próprio destino. É uma pequena odisséia de trinta dias pela realidade amazônica e andina, que revela um continente em ebulição, perpassado pela cultura milenar andina, que irradia pelo continente sul-americano substância primordial na constituição de novos paradigmas políticos.

12. A festa da menina morta:

Elenco: Daniel de Oliveira, Jackson Antunes, Juliano Cazarré, Cássia Kiss, Dira Paes, Paulo José (participação especial) e outros.

Sinopse: A Festa da Menina Morta conta a história de Santinho, alçado à condição de líder espiritual numa comunidade ribeirinha do alto Amazonas, a partir de um “milagre” realizado por ele após o suicídio de sua própria mãe. O filme procura ser o retrato íntimo dos envolvidos nesta seita e da capacidade infinita do homem em “criar” fé e buscar um sentido diante de seu horror à morte.

13. O mistério da estrada de Sintra

Elenco: Antônio Pedro Cerdeira, Bruna di Túlio e outros.

Sinopse: Verão de 1870. Dois escritores, Eça e Ramalho. Ramalho é raptado. O desafio está lançado. Escrever um policial a quatro mãos para O diário de Notícias. Será que a história que criaram como ficção é baseada num caso real? Esta é a pergunta que sustenta o conflito entre estes dois escritores, e os afasta num duelo quase mortal entre Sintra e Malta. O folhetim avança, e com ele ameaças, duelos, sexo e intrigas. Lisboa está em alvoroço. Todos se tomam pelo conde atraiçoado. Os crimes sucedem-se numa história onde o amor é mais forte que a tradição, a intriga escapa às evidências e tudo corre freneticamente, como num jogo. Baseado na obra de Eça de Queiroz, O mistério da estrada de Sintra desafia todas as convenções numa acutilante crítica de costumes à romântica sociedade portuguesa do século.

14. Cochochi

Elenco: Luis Antônio Lerma torres, Evaristo Corpus Lerma torres e outros.

Sinopse: Evaristo e Tony, irmãos indígenas do noroeste do México têm apenas o ensino fundamental concluído quando recebem uma tarefa do seu avô: entregar medicamento no outro extremo da Sierra Tarahumara. Tony e Evaristo, temendo a estrada pela frente, decidem pegar o cavalo do avô e partem em uma viagem mais longa do que o esperado.

15. Juventude

Elenco: Paulo José, domingos de Oliveira, Aderbal Freire Filho e outros.

Sinopse: David, Antônio e Ulisses foram amigos a vida toda. Desde sua reunião, ainda adolescentes, para a representação colegial de “A ceia dos cardeais” de Júlio Dantas, o clássico português. Passados 50 anos reúnem-se uma noite para comemorar seu encontro e efetuarem um balanço das suas vidas e, particularmente, seus amores. “Juventude”, título do filme, trata-se de um estudo da psicologia e problemática dos homens entre 65 e 70 anos. O trabalho conteve em sua gênese a intenção de resultar num filme belo e profundo, além de engraçado, que estude sem medo e francamente a situação psicológica e filosófica dos “Cardeais”. Homens inteiros, ainda sem os beneplácitos da senilidade, no entanto próximos e diante de seu próprio fim.

Comentários:

A mostra competitiva aconteceu entre os dias 10 e 15, sendo um filme na abertura e dois (um nacional e um estrangeiro) nas noites subseqüentes. Durante o dia participava dos debates sobre os filmes da noite anterior, reuniões, passeios na cidade e em duas tardes consegui ver dois curtas e um longa metragem.
Como disse anteriormente, o Júri Popular avaliava os filmes somente pelo aspecto afetivo, mas não me concentrei somente neste critério. Já não consigo ver um filme sem olhar e avaliar trilha sonora, direção, edição, interpretação dos atores, fotografia, figurino. Para mim, cinema não é só diversão e pipoca. Antes de ver qualquer filme pergunto-me: com base na sinopse, opinião de amigos, leitura de críticas especializadas e outras notícias da mídia, tenho real interesse e a necessária disposição para gastar duas horas do meu tempo para ver este filme? Acho que vai me trazer algo de útil, que possa contribuir para o meu crescimento? Com base nestas perguntas já descarto grande parte dos filmes atuais, xaropadas totalmente previsíveis, comédias sem graça, romances pueris, violências e terrores gratuitos. Alguns diretores e atores já me ganharam a credibilidade e vejo todos os filmes que encontro deles. Dos diretores destaco Akira Kurosawa, Fellini, Ingmar Bergman, Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick, Pedro Almodóvar, Cacá Diegues, Sidney Lumet, Costa-Gravas, Fernando Meirelles, Ettore Scolla e outros. Dentre os atores e atrizes acompanho os filmes de Meryl Streep, Nicole Kidman, Jack Nicholson, Morgan Freeman, Dustin Hoffmann, Al Pacino, Johnny Deep, Robin Willians, Anthony Hopkins, Cate Blanchett, Daniel Day-Lewis, entre outros.
Após um filme procuro ver se a história me chamou e me prendeu a atenção; se o filme tocou o meu coração; se a interpretação dos atores e a direção me convenceram, e fizeram com que eu conseguisse realmente acreditar e entrar de cabeça e coração no filme. Nada mais frustrante do que ver que os atores estão somente representando, sem estar vivendo o personagem (sinto-me enganado); do que perceber falhas na continuidade e mudança das cenas, seja em cenários como no figurino, na maquiagem. Acho que estão querendo me fazer de bobo quando vejo o(a) ator/atriz carregando mala vazia em aeroportos ou boneca em lugar de um bebê.
Por esta minha forma de ver o cinema, considerei fracos grande parte dos filmes que vi. Gostei do primeiro filme da mostra competitiva, Nome próprio, pelo enredo atual (internet, cidade grande e relacionamento humano), pela direção que trabalhou de forma pouco usual com a iluminação e os ângulos das câmeras, e, especialmente, pela bela e forte interpretação da atriz Leandra Leal. Já neste dia vi que dificilmente ela perderia o troféu de melhor atriz, o que veio a se confirmar. Achei totalmente insossos, sem brilho e com pouca qualidade interpretativa e artística em geral os filmes Netto e o domador de cavalos, Vingança e Juventude. Todos estes com bons argumentos, atores e diretores, mas o conjunto do trabalho não me convenceu, não me tocou, especialmente Juventude, que me gerou uma boa expectativa quando li a sinopse e encontrei algumas semelhanças com o filme canadense As invasões bárbaras, Oscar de melhor filme estrangeiro em 2004, que tenho em minha lista de melhores filmes que já vi, onde velhos amigos se reencontram, após saber que um deles está prestes a morrer, e relembram o passado. Fiquei decepcionado, achando que perderam a oportunidade de fazer um grande filme, e não entendi o entusiasmo da platéia após a exibição e depois a quantidade de prêmios recebidos. Pareceu-me que os prêmios foram mais voltados a homenagens pessoais do que pela qualidade artística da obra.
Quanto ao filme Pachamama, que também concorreu, não consegui colocá-lo no mesmo patamar dos outros, porque é um documentário e os outros ficção. O mesmo aconteceu com Mindelo – atrás de horizonte, que também é um documentário, na mostra de filmes estrangeiros. Ambos são bons documentários e deveriam concorrer em uma categoria própria e não junto com ficção.
Chegou a última noite da mostra e meu voto continuava com o filme Nome próprio, quando foi exibido o filme A festa da menina morta, que me conquistou a mente, o coração e o voto de melhor filme, porque encontrei nele uma completude que atendeu melhor que Nome próprio meus critérios do que deve ter um bom filme, especialmente pela competente abordagem de temas como religiosidade messiânica, incesto, meio ambiente, espiritualidade, transtorno mental, cultura amazônica, crenças populares, além de música e fotografia na medida certa.
Na mostra de filmes estrangeiros gostei muito do argentino Por sus propios ojos e do colombiano Perro come perro, dois filmes com enredos, interpretações e direções consistentes, que abordam com dramaticidade equilibrada a violência em nossa América Latina, mostrando algo que não soa estranho à realidade brasileira. O mexicano Cochochi e o luso-brasileiro O mistério da estrada de Sintra têm uma qualidade inferior, mas considerei-os melhores que os brasileiros Netto e o domador de cavalos, Vingança e Juventude, e que o filme Dias e Noites, que não concorreu na mostra competitiva. Votei em Perro come perro.
De todos os filmes que vi em Gramado o que mais me tocou o sentimento foi o nordestino “O grão” . Caso ele estivesse na mostra competitiva teria ganho meu voto de melhor filme. Acredito que muito tenha influenciado em minha receptividade a ele o ambiente em que o filme se passa – o nordeste árido e pobre, a vida de pessoas simples e trabalhadoras, realidade que imagino muito semelhante à que meus pais viveram lá antes de migrarem ainda jovens com suas famílias para o norte, na segunda guerra mundial. Outro aspecto que valorizei foi a inteligência e a sensibilidade do diretor em transpor uma lenda oriental para dentro da realidade sofrida do nordeste brasileiro, fazendo um casamento que considerei perfeito, como também a magistral interpretação, no papel da avó, feita pela atriz Leuda Bandeira. Veja trecho do filme: http://mais.uol.com.br/view/a56q6zv70hwb/18-cine-ceara--o-grao-040264DCC903C6?types=A&
Também gostei muito do curta “Mãe de gay”, direção de Carlos Xarão, colega do Júri Popular, que ganhou dois prêmios Galgo de ouro na categoria Vídeo Universitário Gaúcho, como melhor Documentário e prêmio do Júri Popular. De forma simples, direta e profunda o filme mostra as vítimas do preconceito e da discriminação social contra homossexuais, revelando o sentimento sob a pele tantas vezes massacrada de gays e suas mães. Veja o filme no site http://www.metodistadosul.edu.br/sites/universoipa/webjornalismo/geral/gramado/mae.html
Meus votos em A festa da menina morta e em Perro come perro coincidiram com os votos do Júri da crítica.

Em resumo: Dos filmes que vi no Festival indico Nome próprio, A festa da menina morta, Por sus propios ojos, Perro come perro e O grão, além do curta Mãe de gay.

Observação: As sinopses dos filmes foram transcritas da revista oficial do Festival, sendo que a do filme Mãe de Gay foi retirada do site http://www.metodistadosul.edu.br/

sábado, 6 de setembro de 2008

1. Minha experiência no Festival de Cinema de Gramado-RS

1. Como fui escolhido para ir a Gramado:
Minha filha Mariana me informou que o Jornal A Gazeta havia lançado um concurso para escolher um acreano para ser membro do Júri Popular do Festival de Cinema de Gramado, que aconteceria entre 10 e 16.08.2008, e me incentivou a participar. Aceitei de imediato e fiz estas quatro frases:
1. “Cinema brasileiro: desde o pioneiro Humberto Mauro, a câmera, a luz, a idéia e o talento brasileiro revelando sonhos e cultura através da 7ª arte.”
2. “Sonho, realidade, fantasia, imaginação e arte, o cinema brasileiro alimenta o imaginário de nosso povo, unindo-nos em fé, esperança, cultura, cidadania, nacionalidade e consciência do nosso valor.”
3. “O cinema brasileiro embala os sonhos da infância; desperta a consciência revolucionária em nossos jovens; alimenta a força do coração dos adultos e reconhece a importância e o valor dos idosos. Arte a serviço do povo.”
4. "De norte a sul, o cinema brasileiro evidencia e une a diversidade cultural brasileira, conduzindo através da fantasia, do talento e da imaginação, as mentes e corações em direção à essência artística de nossa brasilidade."
No final de julho recebi um telefonema da editora de A Gazeta, Maíra Martinello, me dando a agradável notícia que minha frase - número 3 - havia vencido o concurso. Fiquei muito feliz e, em seguida liguei para a Mariana, que vibrou muito com minha vitória.
(Continua)

2. Origem do símbolo do Festival


KIKITO - "O DEUS DO BOM HUMOR"
Num dia cinzento, Elisabeth Rosenfeld teve a idéia de criar algo para dissipar o mau humor, algo que ajudasse a vencer as amarguras da vida. Surgiu, assim, uma figura risonha: o Kikito, o deus do bom humor. Esta estatueta, devido ao seu êxito imediato, passou a ser o símbolo da cidade de Gramado, e depois, o símbolo e prêmio máximo dos Festivais de Cinema Brasileiro que desde 1973, oficialmente, realizam-se nessa cidade. Como troféu do Festival, mede 33 cm de altura, foi confeccionado em madeira de imbuia até o ano de 1989. A partir de 1990 passou a ser feito de bronze. De símbolo de uma cidade a prêmio de Festival, foi um salto. Romeu Dutra, em fins de 1970, levou o exemplar do Kikito para Ricardo Cravo Albim, então presidente do Instituto Nacional do Cinema - INC. Ricardo se agradou da estatueta e sugeriu, na ocasião, que a tomassem como troféu máximo dos Festivais de cinema, ainda que alguns preferissem a Hortênsia de Ouro. Este encontro foi marcado pelo ator gaúcho José Lewgoy. Desde a criação do Kikito, por Elisabeth Rosenfeld, também a mãe do artesanato gramadense, esta estatueta tem sido confeccionada pelo escultor Orival da Silva Marques, o "Xixo", que trabalhava com Elisabeth nos primeiros anos do Festival. Elisabeth Rosenfeld faleceu em 24 de janeiro de 1980.
Texto extraído do livro "Festival de Cinema Brasileiro de Gramado",de Luis Carlos Carrion, pág, 23.