
Uma amiga me mandou o endereço de um site muito interessante sobre poesia - http://literaturadecamara.sites.uol.com.br/. Lá encontrei este poema. Cabe bem a quem está em busca da libertação de tantas coisas, aos quais me incluo, pobres escravos que ainda somos.
Gilvan Almeida
ESCUTA
Se pensas que não tens fuga ou saída,
permite que meus versos te encorajem.
Escuta quem já fez essa viagem,
e toma já as rédeas da tua vida.
Reclamas da existência de criado,
mas dela não escapas por temor.
Tu és o teu senhor e o teu feitor:
és tu quem te mantém escravizado.
Preferes a anonímia da manada
a erguer tua cabeça em desafio.
Por como te conduzes te avalio:
ao ser mais um apenas, tu és nada.
Tamanho é teu pavor de andar sozinho
que renovas teus grilhões a cada dia:
se pensas, atrevido, em alforria,
castigas-te a ti mesmo em pelourinho.
A algema que te impões te faz covarde.
Acorda, Zé Ninguém, que já é tarde!
Te afasta do rebanho de que és parte,
ou pasta em servidão até o abate.
Marco Túlio de Alencastro
Gilvan Almeida
ESCUTA
Se pensas que não tens fuga ou saída,
permite que meus versos te encorajem.
Escuta quem já fez essa viagem,
e toma já as rédeas da tua vida.
Reclamas da existência de criado,
mas dela não escapas por temor.
Tu és o teu senhor e o teu feitor:
és tu quem te mantém escravizado.
Preferes a anonímia da manada
a erguer tua cabeça em desafio.
Por como te conduzes te avalio:
ao ser mais um apenas, tu és nada.
Tamanho é teu pavor de andar sozinho
que renovas teus grilhões a cada dia:
se pensas, atrevido, em alforria,
castigas-te a ti mesmo em pelourinho.
A algema que te impões te faz covarde.
Acorda, Zé Ninguém, que já é tarde!
Te afasta do rebanho de que és parte,
ou pasta em servidão até o abate.
Marco Túlio de Alencastro