quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Gentileza em 2010

Ser mais gentil consigo, não se crucificar a cada erro, enxergar e aceitar as próprias limitações, são pratos que devem ser servidos diariamente à auto-estima. Mas às vezes as pessoas se esquecem e ficam cobrando de si perfeição, colocando em seus lombos cargas pesadas, padrões inalcançáveis, que depois vão ter que carregar com muito sacrifício. Tem umas tão gentis com os outros e tão cruéis consigo mesmas, verdadeiras carrascas, que só vêem os próprios defeitos, não se valorizam e cultivam uma eterna insatisfação com tudo o que fazem. Cronicamente estressadas, são inadaptadas a este mundo de imperfeições. Algumas até acreditam que são perfeitas, são as sobre-humanas, que se colocam acima da humanidade, pois, ilusoriamente, têm certeza que são perfeitas, e vivem a exigir de si e dos outros uma perfeição que, na verdade, não possuem, tornando um inferno a própria vida e as dos que as rodeiam. Não admitem erros jamais. Coitados dos familiares, amigos e colegas de trabalho delas. Outras são muito gentis com as pessoas de fora e duras com os de casa. Há também os tiranos com os subalternos e submissos e servis aos superiores. Portanto, em 2010, cuidemos melhor uns dos outros. Seja menos exigente, compreenda e releve mais, a vida já é tão cheia de cobranças.
Feliz Ano Novo !!!


Gilvan Almeida

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

NATAL 2009

Escrevi o texto “A banalização do Sagrado” no Natal de 2007. Não mudei minha forma de pensar. Fico olhando as pessoas, muitas tão amáveis umas com as outras, nesta época, e no restante do ano às vezes nem se falam. Por que não dividimos todo este amor que permitimos transparecer no Natal, pelos outros 364 dias do ano e nos tornamos, todos os dias, mais solidários, amigos e sensíveis à dor do nosso próximo? Feliz Natal 2009

A banalização do sagrado

Ao longo dos anos o Natal vem se tornando, cada vez mais, um acontecimento comercial. O que começou sendo um reconhecimento da manifestação do sagrado entre os homens, o nascimento do menino Deus, transformou-se em festa do consumo, e a maioria nem se lembra do aniversariante, muito menos da mensagem que Ele trouxe, ainda hoje tão pouco compreendida e praticada, de simplicidade, reconciliação, humildade, renúncia, perdão, união, fraternidade e amor. Em vez do cultivo das lições deste grande Mestre, vemos a expressão danosa das comilanças e bebedeiras, pessoas se endividando para atender às cobranças pessoais e familiares de comprar e ganhar presentes. Algumas famílias passam o ano inteiro brigando, mas seguem a “tradição” de passar a noite de Natal juntas, numa aparente “noite de paz, noite feliz”, para no dia seguinte, ou às vezes no dia mesmo, voltarem aos conflitos. Neste Natal olhe com bem honestidade como está o seu coração, e veja, com a intensidade de sua fé, seja ela do tamanho que for, se há espaço para uma reflexão sobre o verdadeiro significado deste dia. Feliz Natal 2007!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

25 mitos sobre a gagueira

Alguns conhecimentos que adquirimos no decorrer da vida nos chegam através de experiências de outras pessoas. Considero-os válidos, pois não há nenhuma necessidade de “tocar no fogo, para saber que ele queima”. Em relação a isso um sábio já disse que “...inteligente é aquele que aprende sem sofrer, observando a experiência dos outros...” Há aprendizados que precisamos, sabe Deus o porquê, passar por dentro, vivenciar na pele e na alma a dor ou o prazer. Foi o que aconteceu comigo com relação à gagueira. Só quem foi ou é gago sabe o quão difícil é a convivência do portador deste distúrbio da fala com as pessoas que falam fluentemente. Observe ao seu redor, e veja como os gagos são tratados. Você já os viu sendo tratados com tolerância, paciência e respeito ao seu ritmo de fala? Nem eu. Imagine-se como um deles, querendo, precisando, se expressar, comunicar o que sente e o que pensa, e tendo a recepção geralmente desrespeitosa que o meio social lhes relega. O que resta então à maioria dos gagos? O isolamento, o silêncio, a timidez, a baixa auto-estima, o incômodo sentimento de culpa por ser assim...
Lembro que uma das simpatias utilizadas antigamente para “curar” gagueira era bater com colher de pau na cabeça do gago (ou será que ainda usam?). Ainda bem que evoluímos, e hoje a gagueira já é abordada por profissionais de fonoaudiologia, psicologia e medicina.
Encontrei no site do Instituto Brasileiro de Fluência um trabalho elaborado por Sandra Merlo e Hugo Silva, com informações sobre a gagueira, colocadas em forma de perguntas e respostas. Além de esclarecer, o trabalho procura desmistificar o tema. Coloquei duas perguntas e respostas. Caso se interesse, entre no site:
http://www.gagueira.org.br/mitos_sobre_gagueira.shtml

Gilvan Almeida



25 mitos sobre a gagueira


01. Mito: A gagueira é um hábito adquirido.

Realidade: Afirmar que a gagueira é um hábito significa que a pessoa começaria a gaguejar voluntariamente e, com a prática, a gagueira se tornaria automática. Não é isso o que acontece. A gagueira é um distúrbio neurobiológico causado provavelmente pelo mau funcionamento de áreas do cérebro responsáveis pela automatização da fala: os núcleos da base não conseguem ajustar adequadamente o tempo de duração de sons e sílabas, ocasionando alongamentos, bloqueios ou repetições. Esta disfunção é resultado de uma predisposição genética ou de uma alteração na estrutura do próprio cérebro. Portanto, a gagueira não pode ser simplesmente aprendida por imitação, porque ocorre em pessoas que, de alguma forma, estão propensas a ela.

02. Mito: Se eu não gaguejo em algumas situações (por exemplo: cantar, ler em coro, falar com outro sotaque, representar um personagem, sussurrar), é sinal de que posso ser fluente em todas as situações. Se não consigo ser sempre fluente, a culpa é minha.

Realidade: Dependendo do contexto, a fala é processada por diferentes partes do cérebro. As variações situacionais da gagueira - embora possam soar indevidamente como um problema emocional ou de ansiedade social - refletem apenas diferenças no modo como o cérebro processa a fala de acordo com a circunstância, usando um de dois sistemas pré-motores para fazer a temporalização do movimento: o sistema pré-motor medial ou o sistema pré-motor lateral. Na gagueira, o sistema pré-motor medial, responsável pela fala espontânea e integrado pelos núcleos da base, é o que tende a estar comprometido. Por outro lado, o sistema pré-motor lateral, responsável pela fala não-espontânea (como falar sozinho, cantar, ler em coro, representar um personagem e sussurrar) e integrado pelo cerebelo, tende a estar íntegro. Assim, a melhora da gagueira em situações que não envolvem fala espontânea é esperada e não significa que esta melhora possa ser transferida para a fala espontânea, uma vez que são processamentos distintos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Passado, presente e futuro

Há diversas formas de conhecermos os seres humanos. Uma delas é ver como que cada um vive em relação ao tempo. Algumas pessoas vivem no passado: umas através do saudosismo, em que só as coisas de antigamente é que eram boas, tudo no tempo delas era melhor, que o mundo atual está perdido, pois todos os bons valores de sua época se perderam ou foram deturpados; outras vivem no passado guardando e cultivando profundas mágoas de situações vividas, remoem ressentimentos, nutrem planos de vinganças, vivendo novamente as dores a cada vez que pensam ou alguém fala sobre o que aconteceu, verdadeiras prisioneiras do ontem que não se libertam para viver o hoje. Há os que vivem no futuro, apressados, impacientes, preocupados e ansiosos com o que vai lhes acontecer, antecipam o futuro, geralmente de maneira trágica, pessimista, imaginando sempre o pior, criando situações em pensamento, como se fossem verdades e sofrendo por antecipação. Não sabem esperar o futuro chegar sob a forma de presente. Poucas pessoas vivem no presente, vivenciando a realidade atual de forma intensa e concentrada, assumindo responsabilidades, erros, culpas e aproveitando a vida, degustando os frutos das vitórias obtidas. Assim, quem vive no passado precisa de asas para voar até o presente, e quem vive no futuro precisa de âncora para permanecer no presente. Qual é o tempo em que você vive?

Gilvan Almeida

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Bagagem da viagem II

Da mesma forma que gosto de grifar os trechos mais marcantes e essenciais dos livros que leio, para posteriormente reler só o que foi grifado, costumo ver filmes em DVD com papel e caneta ao alcance da mão, para registrar as palavras e frases que mais me tocam. Depois arquivo em minha pasta de cinema, onde há um arquivo chamado Sinopses_críticas_palavras de filmes.
Em Brasília há uma locadora de filmes que é o meu sonho de consumo para Rio Branco, um dia. Chama-se Cultvideo -
http://www.cultvideo.com.br/site/ . Nela, além dos filmes atuais, há um espaço para clássicos, com uma organização dos filmes por Diretor. Desta vez, além de ver mais alguns filmes dos diretores Akira Kurosawa, Ingmar Bergman, Roberto Rosselinni e Luchino Visconti, encontrei uma nova jóia chamada Jean Cocteau, de quem vi o último filme que dirigiu, chamado "Testamento de Orfeu ou não me pergunte por que". Anotei uma série de coisas deste filme, que é o testamento intelectual e artístico de Cocteau, uma viagem por suas reminiscências artísticas e filosóficas, pelos mitos e a essência do ser humano. No início do filme ele, que escreveu o roteiro, dirige e é o ator principal, diz assim: "O privilégio do cinema é permitir a um grande número de pessoas de sonhar o mesmo sonho juntos, e de nos apresentar a ilusão como se fosse a pura realidade. Isto é, em resumo, um admirável veículo para a poesia. Meu filme não é nada diferente de um strip-tease, gradualmente tirando a pele do meu corpo para revelar minha alma nua..." Um personagem de um filme anterior de Cocteau ressurge do mar com uma flor na mão (hibiscus vermelho) e o conduz por todo o filme. Em um determinado momento o diretor é levado para ser julgado pela deusa Minerva e um auxiliar, sendo esta a acusação: “...você é acusado de inocência, sendo culpado de todos os crimes...”. Outras palavras ditas no julgamento: “Você desobedeceu a sua vocação? O que as crianças, os heróis e os artistas fazem sem isto?”; “fenixologia é a arte de morrer repetidamente e renascer”; “Um artista sempre pinta o seu próprio retrato.”; “criando poemas, o poeta usa uma língua, nem viva nem morta, falada por poucos, e entendida por poucos.”; “Eu sinto um tipo, uma dificuldade de existir.”; “Você passa seu tempo tentando ser e isso o impede de viver.” O surpreendente veredito de Minerva: “...você está condenado a viver.” O personagem revivido diz para ele, em outro momento: “...eu nem sei de mim mesmo. Mas estou vagando. Tudo que sei, é que esta flor, composta do seu sangue, compartilha do pulsar do seu destino.” E tem muito mais. Só mais esta: "Um filme é uma fonte de materialização da consciência, um filme ressuscita ações inanimadas. Um filme permite à pessoa fazer que a realidade pareça que é irreal..." Quando puder veja. E como introdução, para que haja uma melhor compreensão do universo filosófico e artístico de Cocteau, veja os Extras antes do filme.

Gilvan Almeida


A sinopse do filme: “Em seu último filme (1959), o legendário escritor, artista e cineasta Jean Cocteau retrata um poeta do século XVIII que viaja através do tempo em busca da sabedoria divina. Em um misterioso lugar, ele encontra diversos fantasmas simbólicos que trazem sua morte e ressurreição. Com um elenco eclético, que inclui Jean-Pierre Léaud, Pablo Picasso e Yul Brynner, Testamento de Orfeu traz a exploração do torturante relacionamento entre o artista e suas criações.”

Leia mais sobre o filme:
http://www.gargantadaserpente.com/cine/testamentorfeu.shtml

Análises de filmes
http://www.gargantadaserpente.com/cine/nome-filme.shtml

Leia mais sobre Jean Cocteau:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Cocteau

domingo, 22 de novembro de 2009

Inveja tucana

Artigo de utilidade pública, para que não nos esqueçamos de quem foi Fernando Henrique Cardoso e o que este senhor, o partido a que ele pertence e seus aliados, fizeram com o nosso país em um período recente. E o candidato dele à presidência da República, José Serra, está em primeiro lugar nas pesquisas de opinião. Se ganhar, certamente farão o que não conseguiram fazer nos dois governos de FHC, dilapidar o que ainda sobrou das riquezas nacionais, que eles entregaram a preço de banana ao capital internacional, tais como a Companhia Vale do Rio Doce, a Usiminas, a Telebrás, a Eletropaulo, a Light e tantos outros bens do nosso patrimônio.

Gilvan Almeida

INVEJA
18 de novembro de 2009

Não há como se desvincular a imagem de Fernando Henrique Cardoso (FHC) das de Carlos Menem e Alberto Fujimori. Em primeiro lugar, pela generosa submissão da troika ao Consenso de Washington, esperta sacação do Mercado para disseminar a cultura do Estado mínimo que nos legou o desmonte tanto irresponsável quanto nebuloso de grande parte do patrimônio nacional. Segundo, pelo alinhamento automático dos seus governos à política expansionista dos EUA, prática herdada das respectivas ditaduras militares.

Não é sem razão, portanto, a reação de CANDIDO MENDES – membro da Academia Brasileira de Letras, da Comissão de Justiça e Paz, do Conselho Internacional de Ciências Sociais da Unesco e secretário-geral da Academia da Latinidade, em artigo publicado pela Folha de S Paulo na última quarta-feira, ante um contraditório artigo do ex-presidente brasileiro, multiplicado pelos jornais do país à véspera do dia dos mortos. Queria FHC tentar tirar da indigência nossa medíocre oposição e parte da grande mídia.

Queria. Pois, como depois se viu, o artigo do ex-presidente, “Para onde vamos”, não passou de uma cínica coletânea de velhos chavões da mesma fonte indigente oposicionista dos últimos tempos. Diz Candido Mendes que o indeciso artigo de FHC vai estimular os eleitores nas próximas eleições a mostrar “para onde não voltamos”, principalmente quando o ex-presidente afirma, cinicamente, “que tudo que é bom no atual governo já veio de antes e que o mal de agora apenas começa”.

Uma sábia observação sociológica de que inveja é atributo dos narcisistas cai bem para o “príncipe dos sociólogos”. A invejável evidência do Brasil no conceito planetário fragilizou a estratégia do ex-presidente, cuja fala (contrariando as oposições e grande parte da mídia) abriu espaço a que as eleições de 2010 sejam radicalmente plebiscitárias, como quer o presidente Lula. Em primeiro plano, a privataria versus “a melhoria social do país e a recuperação do poder do Estado”, como observa Candido Mendes.

Teremos, de um lado, a falta de controle da Nação sobre o petróleo (um generoso regime entreguista de concessões). Do outro, a partilha, o modelo norueguês, que amplia a destinação social imediata dos recursos do subsolo. Nos setores onde o governo dos tucanos foi zero, teremos o PAC, milhares de obras a exibir a presença do Estado na mudança da infraestrutura, exigência do nosso desenvolvimento. E o Bolsa Família, uma política de transferência de renda e cidadania, que na visão de Candido Mendes, “colocou a população de uma Colômbia na nossa economia de mercado”.

“A conduta de Lula na determinação visceral de não ceder a um terceiro mandato, avassaladoramente acolhível, se assim quisesse o presidente, por emenda constitucional”, como entende Candido Mendes, expõe a desavergonhada batalha de FHC para que o Congresso Nacional lhe desse, a custa de muita corrupção, um mandato extra. É puro cinismo, portanto, o ex-presidente dizer que "é mais do que tempo dar um basta ao continuísmo antes que seja tarde". Simbolicamente dito no dia dos mortos.

Candido Mendes percebe ainda que “o embaraço do tucanato em reconhecer o ‘entreguismo’ dos controles públicos durante o seu governo é o mesmo que o alvoroça a comparar o governo Lula ao ‘populismo autoritário peronista”. Populismo, sabemos, é um termo utilizado pelo conservadorismo oligarca contra as políticas públicas de resgate do fosso social que ele próprio secularmente produziu. Populismo real é aquele que essas mesmas elites praticam há séculos para manutenção do poder e da pobreza.

A despeito deles, e de suas falas cheias de ódio e de inveja, o amadurecimento brasileiro, uma nova amplitude e uma nova densidade são o novo patamar que o mundo reconhece em nós de forma crescente. Na semana passada, o presidente Lula recebeu de instituição ligada à família real do Reino Unido, em Londres, importante prêmio por sua contribuição "à estabilidade e à integração na América Latina" e por seu papel na "resolução de crises regionais". Uma significativa (e invejável) premiação ao Brasil.

Fonte: http://boletimhsliberal.blogspot.com/

sábado, 14 de novembro de 2009

Bagagem da viagem

Nestes 15 dias de viagem a Brasília e Goiânia quase não passeei. Cuidei da saúde, ou melhor, do que há frágil precisando melhorar, e participei de um Seminário Internacional de Homeopatia, com o Dr. Bandish Ambani, membro da Predictive Homeopathy School, localizada em Mumbai - Índia. www.predictivehomeopathy.com. Aproveitei também para descansar, pensar e ver filmes: vi 20 em 11 dias. Teve dia que vi 4 longas e um curta-metragem. Ampliei meus conhecimentos sobre o diretor japonês Akira Kurosawa, um dos meus prediletos e que cada vez mais admiro a sensibilidade, e vi mais 7 filmes dele. Um, chamado Madadayo, o último que filmou antes de morrer, conta uma bonita história de um professor muito amado pelos alunos, que se aposenta. Uns alunos continuam a procurá-lo em casa, e criam uma comemoração anual no dia do aniversário dele. Todos os anos, durante a festa, os alunos perguntam "Madakai?" (Pronto? Ainda não se cansou de viver?), e ele, depois de uma imensa taça de cerveja, responde "Madadayo!" (Ainda não!), significando que seus alunos teriam que "agüentá-lo" por mais um ano. Assim, continuam a conviver e a compartilhar situações do cotidiano do sábio Mestre, incluindo as coisas da velhice. Em uma dessas festas o professor diz para as crianças que trazem o bolo à sua frente, umas palavras que me tocaram e fizeram lembrar de diversas pessoas que gosto, especialmente meus filhos: "...encontrem alguma coisa de que realmente gostem. Encontrem algo que sejam capazes de amar de verdade. E quando encontrarem, lutem com todas as forças que tiverem pelo seu tesouro. E assim, vocês terão o tesouro pelo qual tanto lutaram. E irão adquirir o hábito de abraçar as coisas de coração. Este é o verdadeiro tesouro."
Quem de nós já pode dizer que encontrou esse tesouro? Se acha que sim, como estão os cuidados para mantê-lo? Se acha que não, o que está sendo feito para encontrá-lo? Será que encontrou e não reconheceu?


Gilvan Almeida

Sinopse do filme: O último filme de Akira Kurosawa conta a história das últimas décadas de vida de Hyakken Uchida, professor e escritor que se aposenta no início dos anos 40. Com saudades e reconhecendo o talento do professor, seus antigos alunos fazem constantes reuniões para matar as saudades do professor, em um ritual que o prepara para a morte, que pode estar mais perto a cada ano. Enquanto isso, a vida continua.
"Espero que todo mundo saia do cinema com um grande sorriso no rosto depois de ver este filme", disse Akira Kurosawa sobre seu 30º e último trabalho como diretor: Akira morreu em 6 de setembro de 98.
Foi como esse mestre do cinema escreveu seu próprio epitáfio: libertando sua alma de criança a correr pelo campo com outras crianças numa tarde tocantemente crepuscular, cantarolando “madadayo”. Aos poucos sobre o cantarolar, sobressai-se suavemente "L’estro Armonico" de Vivaldi, clássico de que tanto gostava, a câmera focalizando o céu cheio de cores – a última cena do filme – a alma do mestre a adejar por entre as nuvens rumo ao infinito. Como no filme, o que é perene é invisível.

Um adeus sem tristeza.

Um réquiem feito de ternura.

Foi o último trabalho do cineasta.

A última poesia declamada pelo menestrel.

O último canto do trovador.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Bebês devem dormir de barriga para cima.

28/09/09 - Esta é a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria, que apóia campanha da Pastoral da Criança. O assunto será tema de conferência da dra. Magda Lahorgue Nunes no Congresso Brasileiro de Pediatria, dia 12 de outubro, às 11h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Dra. Magda coordena o Núcleo de Estudos sobre o Sono da entidade e é autora, com colaboradores, de texto publicado na revista eletrônica SBP Ciência.
Segundo estudos, dormir nessa posição reduz em até 70% o risco de morte súbita – uma das principais causas de óbitos de crianças com até um ano. "O hábito de deixar o bebê dormir de lado está enraizado na nossa cultura. Existe uma crença muito forte de que o bebê pode se afogar se estiver de barriga para cima, mas os estudos mostram que isso não é verdade”, salienta a dra. Magda.

Principais Recomendações


(Publicadas em reportagem de Fernanda Bassete na Folha de S. Paulo, com a colaboração da SBP e da Pastoral. Aqui reproduzimos as principais, revisadas pela Dra. Magda)


1 - POSIÇÃO CORRETA

Bebês devem dormir de barriga para cima, e não de lado ou de barriga para baixo. Os riscos de dormir de lado são semelhantes aos de dormir de bruços. Essa posição é instável e muitos bebês rolam e ficam de barriga para baixo.

2 - VÔMITO

Se o bebê está de barriga para cima e vomita, a tendência é tossir, e com isso chamar a atenção dos pais.
3 - SUPERAQUECIMENTO

Evite agasalhar demais o bebê na hora de dormir, pois isso dificulta os movimentos e pode superaquecê-lo.

4 - INCLINAÇÃO

A inclinação da cama não precisa ser maior do que 5%. Deixe os braços para fora da coberta para evitar que o bebê deslize e fique sufocado pelo cobertor.

5 - OBJETOS DECORATIVOS

Deixe o berço livre de almofadas, travesseiros, "cheirinhos", pelúcias e outros brinquedos, pois eles podem dificultar a respiração.

MORTE SÚBITA

É o nome que se dá para a morte de crianças menores de 1 ano que morrem de forma inesperada e sem explicação durante o sono. Ocorre mais frequentemente nos primeiros meses de vida.

FATORES DE RISCO

- A posição de dormir

- Exposição ao fumo durante a gravidez e após o nascimento

- Consumo de álcool e drogas durante e após a gestação

- Falta de aleitamento materno

- Uso de colchões e travesseiros muito moles ou fofos

- Prematuridade ou baixo peso ao nascer


domingo, 18 de outubro de 2009

18 de outubro - Dia do Médico

Há maus e bons profissionais em todos os trabalhos desenvolvidos pelos seres humanos. Não seria diferente na Medicina. Entendo que a profissão é uma das formas que o ser humano revela o seu interior, tanto em suas características de personalidade e caráter, quanto em sua visão social, política e filosófica frente ao mundo em que vive. Ao longo da segunda metade do século passado e início do atual, a Medicina, ou melhor, os médicos, perderam o status que tinham, desceram as escadas sociais e hoje a maioria vive uma fase de “proletarização”, recebendo salários aviltantes e indignos, sendo por isto obrigada a ter mais de um emprego e plantões para manter uma vida digna. Mas as responsabilidades que eles conduzem continuam as mesmas, pois lidam com o que há de mais delicado e sagrado, a vida humana. São-lhes exigidas atitudes de sacerdotes, de seres boníssimos, simpáticos, de paciência e conhecimento infinitos, e que nunca errem. No entanto, quase ninguém olha deles o lado humano; as horas longe da família e dos amigos; a dedicação que precisam ter nos constantes estudos de atualização; a falta de tempo para os cuidados consigo mesmos e as doenças que estão expostos por terem um ofício tão estressante. Algumas vezes o médico encontra a incompreensão também dentro de sua própria família, que não aceita as interrupções dos raros momentos que está junta no lazer, nas refeições, no descanso, o que compromete mais ainda a sua saúde e qualidade de vida. Portanto, com esta reflexão, aproveito este dia para buscar uma renovação e um fortalecimento na procura do melhor no exercício desta nobre profissão.

Gilvan Almeida


Por que 18 de outubro é o "dia dos médicos"


O dia 18 de outubro foi escolhido como "dia dos médicos" por ser o dia consagrado pela Igreja a São Lucas. Como se sabe, Lucas foi um dos quatro evangelistas do Novo Testamento. Seu evangelho é o terceiro em ordem cronológica; os dois que o precederam foram escritos pelos apóstolos Mateus e Marcos.
Lucas não conviveu pessoalmente com Jesus e por isso a sua narrativa é baseada em depoimentos de pessoas que testemunharam a vida e a morte de Jesus. Além do evangelho, é autor do "Ato dos Apóstolos", que complementa o evangelho.
Segundo a tradição, São Lucas era médico, além de pintor, músico e historiador, e teria estudado medicina em Antióquia. Possuindo maior cultura que os outros evangelistas, seu evangelho utiliza uma linguagem mais aprimorada que a dos outros evangelistas, o que revela seu perfeito domínio do idioma grego.
São Lucas não era hebreu e sim gentio, como era chamado todo aquele que não professava a religião judaica. Não há dados precisos sobre a vida de S. Lucas. Segundo a tradição era natural de Antióquia, cidade situada em território hoje pertencente à Síria e que, na época, era um dos mais importantes centros da civilização helênica na Ásia Menor. Viveu no século I d.C., desconhecendo-se a data do seu nascimento, assim como de sua morte.
Há incerteza, igualmente, sobre as circunstâncias de sua morte; segundo alguns teria sido martirizado, vítima da perseguição dos romanos ao cristianismo; segundo outros morreu de morte natural em idade avançada. Tampouco se sabe ao certo onde foi sepultado e onde repousam seus restos mortais. Na versão mais provável e aceita pela Igreja Católica, seus despojos encontram-se em Pádua, na Itália, onde há um jazigo com o seu nome, que é visitado pelos peregrinos. Não há provas documentais, porém há provas indiretas de sua condição de médico. A principal delas nos foi legada por São Paulo, na epístola aos colossenses, quando se refere a "Lucas, o amado médico" (4.14). Foi grande amigo de São Paulo e, juntos, difundiram os ensinamentos de Jesus entre os gentios.
Outra prova indireta da sua condição de médico consiste na terminologia empregada por Lucas em seus escritos. Em certas passagens, utiliza palavras que indicam sua familiaridade com a linguagem médica de seu tempo. Este fato tem sido objeto de estudos críticos comparativos entre os textos evangélicos de Mateus, Marcos e Lucas, e é apontado como relevante na comprovação de que Lucas era realmente médico. Dentre estes estudos, gostaríamos de citar o de Dircks, que contém um glossário das palavras de interesse médico encontradas no Novo Testamento.
A vida de São Lucas, como evangelista e como médico, foi tema de um romance histórico muito difundido, intitulado "Médico de homens e de almas", de autoria da escritora Taylor Caldwell. Embora se trate de uma obra de ficção, a mesma muito tem contribuído para a consagração da personalidade e da obra de Sao Lucas.
A escolha de São Lucas como patrono dos médicos nos países que professam o cristianismo é bem antiga. Eurico Branco Ribeiro, renomado professor de cirurgia e fundador do Sanatório S. Lucas, em São Paulo, é autor de uma obra fundamental sobre São Lucas, em quatro volumes, totalizando 685 páginas, fruto de investigações pessoais e rica fonte de informações sobre o patrono dos médicos. Nesta obra, intitulada "Médico, pintor e santo", o autor refere que, já em 1463, a Universidade de Pádua iniciava o ano letivo em 18 de outubro, em homenagem a São Lucas, proclamado patrono do "Colégio dos filósofos e dos médicos".
A escolha de São Lucas como patrono dos médicos e do dia 18 de outubro como "dia dos médicos", é comum a muitos países, dentre os quais Portugal, França, Espanha, Itália, Bélgica, Polônia, Inglaterra, Argentina, Canadá e Estados Unidos. No Brasil acha-se definitivamente consagrado o dia 18 de outubro como "dia dos médicos".


Referências bibliográficas
1. RIBEIRO, E.B. - Médico, pintor e santo. São Paulo, São Paulo Editora, 1970.2. STERPELLONE, L. - Os santos e a medicina (trad.) São Paulo, Paulus, 1998, p. 13-20.3. FREY, E.F. - Saints in medical history. Clio Med. 14:35-70, 1979.4. DIRCKS, J.H. - Scientific and medical terms and references in the writings of St. Luke. Am. J. Dermatopathol. 5:491-499, 1983.5. CALDWELL, T. - Médico de homens e de almas.(trad.). 31. ed. Rio de Janeiro, Ed. Record, 2002.
Autor: Joffre M. de Rezende - 24/05/2003

e-mail: jmrezende@cultura.com.br


http://usuarios.cultura.com.br/jmrezende


Tópicos Selecionados de História da Medicina e Linguagem Médica


Artigos, notas e comentários

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Fome

A notícia abaixo teve o poder de me fazer refletir a respeito da vida neste planeta, que para uns (minoria) é um paraíso e, para outros (maioria), é o próprio inferno. Não é fácil constatar e ver que podemos fazer tão pouco para modificar a estrutura social, política e econômica mundial, sistema em que “é normal” seres humanos lucrarem com a fome, a doença, a droga, a guerra, o analfabetismo, o desemprego, e outros tipos de escravidão humana. Esta foto ao lado causa um impacto e mexe com minha condição humana, pois é doloroso ver alguém com fome e, pior ainda, uma criança morrer de fome. Traduzo a imagem como "a fome matando a esperança e a morte, pacientemente, à espreita, aguardando o desfecho".

Gilvan Almeida

Número de famintos no mundo passa de 1 bilhão em 2009, diz ONU

Da Reuters, em Roma

Uma combinação da crise alimentar e da desaceleração econômica global fez com que mais de 1 bilhão de pessoas passasse fome em 2009, informaram agências da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira, confirmando a perspectiva pessimista divulgada neste ano.
A Organização para a Agricultura e Alimentos (FAO, na sigla em inglês) e o Programa Mundial para a Alimentação (WFP, na sigla em inglês) disseram que 1,02 bilhão de pessoas --cerca de 100 milhões a mais do que no ano passado-- estão subnutridas em 2009, maior número em décadas."A alta no número de pessoas famintas é intolerável", disse o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, durante a divulgação do relatório anual sobre a fome no mundo."Temos os meios econômicos e técnicos para fazer a fome desaparecer, o que está faltando é uma vontade política mais forte para erradicar a fome para sempre", disse.O aumento no número de famintos não é resultado de problemas na produção agrícola, mas sim dos altos preços dos alimentos --particularmente em países em desenvolvimento-- menor renda e perda de empregos.Mesmo antes da recente crise alimentar e da recessão econômica, o número de desnutridos cresceu constantemente por uma década, revertendo o progresso obtido na década de 1980 e no início da década de 1990.
No ano passado o WFP elevou para 5 bilhões de dólares o montante necessário para alimentar os pobres, num momento em que os preços dos alimentos entre 2006 e 2008 geraram protestos violentos em alguns países.
Até o momento, neste ano, a entidade recebeu 2,9 bilhões de dólares e reduziu a ração de alimentos e suas operações em lugares como Quênia e Bangladesh.
Países africanos lideram Índice Global da Fome
Os países africanos continuam à frente no Índice Global da Fome 2009 apresentado hoje, em Berlim, pela alemã Welthungerhilfe e pelo Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFPRI, em inglês), que destaca que as mulheres são as que mais sofrem com a desnutrição e a pobreza.
Leia mais: http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2009/10/14/ult1766u33709.jhtm

(Reportagem de Silvia Aloisi)

sábado, 10 de outubro de 2009

Nobel da Paz ???

Cada vez mais compreendo e constato que grande parte da história da humanidade é feita de farsas. A frase “ Em uma guerra, a primeira vítima é sempre a verdade.”, atribuída ao senador estadunidense Hiram Johnson, me abriu mais ainda os olhos quanto a isso. Desde os primórdios, a humanidade vive em guerra, e o capitalismo precisa de guerras para se manter, então, olhando por este prisma, não se sabe mais, o que é mentira e o que é verdade, o que é errado e o que é certo, quem é o bandido e quem é o mocinho.
Ontem, com perplexidade, recebi a notícia que o presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, havia sido laureado com o prêmio Nobel da Paz. Fica difícil entender que o homem que há poucos meses pediu ao congresso estadunidense 200 bilhões de dólares para a manutenção da guerra, em 2010, em diversos países – leia texto abaixo – receba tal honra e passe a ocupar na história mundial um lugar junto ao Dalai Lama, a Nelson Mandela, à Organização Médicos Sem Fronteiras, ao bispo sul-africano Desmond Tutu, ao escritor argentino Adolfo Esquivel, também ganhadores deste prêmio.

Gilvan Almeida

Obama pedirá em orçamento US$ 200 bi para guerras dos EUA
26 de fevereiro de 2009

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pedirá mais de US$ 200 bilhões para os gastos das guerras mantidas pelo país neste ano, segundo informações divulgadas pela imprensa nesta quinta-feira, 26. O governo Obama deve apresentar nesta tarde a proposta de Orçamento para o ano fiscal de 2010, que segundo a imprensa, prevê um déficit de US$ 1,75 trilhões neste ano, o maior desde a Segunda Guerra Mundial.
Obama espera que os gastos dos Estados Unidos com as guerras no Iraque e no Afeganistão cheguem a US$ 140 bilhões para o atual ano fiscal, que termina em setembro, de acordo com uma importante autoridade do governo. Parte desse montante (US$ 65,9 bi) já foi apropriada pelo governo de George W. Bush no ano passado. Mas a autoridade, que falou sob a condição de anonimato, disse que o governo precisará fazer um pedido adicional ao Congresso por uma verba suplementar de US$ 75 bilhões para enviar mais tropas para o conflito afegão, somando os mais de US$ 200 bi. O orçamento incluirá mais US$ 130 bilhões para guerras em 2010 e US$ 50 bilhões por ano para o restante da próxima década.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Como criar um filho saudável... apesar do seu Pediatra.

Livro: Como criar um filho saudável... apesar do seu Pediatra.
Autor: Robert Mendelsohn
Editora: Marco Zero

Este é um livro importante em minha formação profissional, especialmente em uma das especialidades médicas que pratico: a Pediatria. Prefiro a realidade desmistificada, e a Medicina, ou melhor, alguns médicos, e quem se aproveita deles – a indústria médica capitalista, alimentam este lado, colocando o conhecimento médico acadêmico atual, de forma mistificada e pretensamente infalível, acima do bem e do mal, com todo o poder para decidir padrões comportamentais, estéticos, alimentares, de sanidade física e mental e outros, como se a verdade científica não fosse mutável e fortemente sujeita a manipulações por interesses escusos. Não é um livro do currículo médico e sua leitura é simples e interessante. Leia um trecho dele a seguir.
Gilvan Almeida

Castigo não é a solução

Crianças precisam, é claro, ser orientadas na direção do comportamento responsável adulto, mas os pais não devem esperar que elas consigam isso de uma vez só. E não há nenhuma evidência convincente de que possa ser alcançado efetivamente empregando-se o velho ditado "é de pequenino que se torce o pepino". Castigo corporal em qualquer idade confunde e traumatiza a criança, pois ela não consegue entender por que a mãe e o pai que ela ama, e que supostamente a amam, passam repentinamente a ter raiva dela e lhe infligir dor física. Ela pode tornar-se insegura, ressentida e até inútil, e a conseqüência pode ser um dano psicológico. O impacto do castigo físico no desenvolvimento da criança tem sido estudado exaustivamente, e o consenso é que a violência provoca danos tanto nos pais quanto nas crianças. O castigo não ensina à criança o que fazer e consegue apenas um benefício temporário, se conseguir, em ensinar-lhe o que não fazer. Não nego que, numa ocasião, levantei a mão, com raiva, mas, na maior parte do tempo, tentei conseguir o objetivo desejado com os meus filhos através da utilização do exemplo e da transmissão de encorajamento terno e amoroso. Estou mais do que satisfeito com os resultados. Espero e creio que meus netos, da mesma maneira, raramente experimentarão castigo físico por qualquer motivo.

Fonte: http://www.cadernor.com.br/index.phpoption=com_content&view=article&id=422:bater-em-crian-covardia&catid=14:filhos&Itemid=67

sábado, 26 de setembro de 2009

Um outro 11 de setembro

Desde a minha adolescência, a partir do tempo em que passei a me interessar por política internacional, dois acontecimentos históricos marcaram de forma profunda minha consciência política e, anualmente, eu me lembrava deles com tristeza e indignação: as bombas atômicas que os Estados Unidos lançaram sobre o Japão, em 06 e 09 de agosto de 1945, e o golpe militar no Chile, armado e financiado pelo governo norte-americano, alimentado pela burguesia chilena e executado por Pinochet e seus militares, em 11 de setembro de 1973. Ambos me fazendo ver até onde vai a maldade de alguns seres humanos, e que a demonstração do poderio e da dominação imperialista não tem limites éticos, morais ou legais.
Salvador Allende, o Presidente deposto e assassinado naquele golpe, ousou sonhar, junto com os que o elegeram, em construir um Chile livre e soberano. Foi impedido porque daria mau exemplo aos outros povos.
Milhares de chilenos foram torturados e assassinados, e poucos governos fizeram qualquer sinal de preocupação ou solidariedade ao povo perseguido.
Por isso, quando anualmente nos lembrarmos dos mortos nos ataques terroristas aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, lembremo-nos também dos chilenos mortos e desaparecidos, e de sua jovem democracia assassinada em 11 de setembro de 1973.

Gilvan Almeida

sábado, 12 de setembro de 2009

Conversa sobre a inveja

Para mim a internet tem sido fonte de aprendizados, seja em pesquisas, como em conversas com amigos. Alguns registros que salvei sobre um assunto interessante, a inveja.

Gilvan Almeida

Uma amiga pergunta: Eu queria que alguém me informasse quais características, sintomas, expressões, sei lá o quê a pessoa pode perceber como a inveja se manifesta. Pelo que me consta dificilmente alguém se diz invejoso. Por favor, sem muitas delongas de conceitos formais, o momento que estou vivendo é repleto de conceitos, são eles que direcionam o conhecimento, sei disso, mas é importante não nos formatarmos num mesmo padrão, onde até as palavras são as mesmas. Mas me digam, por favor, quero entender melhor essa tal de inveja.

O que penso, sendo conciso conforme a amiga pede: Algumas filosofias espiritualistas e religiosas têm o desejo como fonte de todo o sofrimento humano. Concordo com elas.
Assim, uma forma que procuro me monitorar quanto a estar ou não sentindo inveja é vendo a quantas andam os meus desejos. Entendo, então, que na raiz da inveja está o desejo, principalmente o desejo de ter algo de alguém, ou igual ou ainda melhor que o de alguém, seja um bem material, um amigo, um amor, inteligência, êxito na vida, conhecimentos, etc.

Outra amiga opina: Outro dia recebi um e-mail de um amigo falando que estava com "inveja branca" das fotografias que mostrei da minha viagem a Nova York; achei interessante, porque ainda não tinha visto essas duas palavras juntas. Entretanto, vejo que a inveja branca é sadia, de paz e amor, enquanto a inveja no sentido literal da palavra pode ser definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de um outro ser, pois aquele que deseja tais virtudes é incapaz de alcançá-la, seja pela incompetência e limitação física, seja pela intelectual. Confesso, que tenho uma certa dificuldade de lidar com o sentimento da inveja e do ciúme, na hora não sei que medida adotar quando a pessoa está com esse sentimento comigo.
Um amigo filosofou: Ao tratarmos da inveja, ou de qualquer outro tema envolvendo sentimentos não muito nobres, devemos ter o anjo da humildade como guia, assim, admitiremos que não falamos dos outros, mas de nós mesmos, como seres imperfeitos e desequilibrados que somos. Entendo que a inveja é uma espécie de rejeição interior que sentimos por não sermos como os outros são. É uma forma de auto-punição e de cobrança interior, injusta muitas vezes, outras nem tanto, que fazemos a nós mesmos. Como diz aquela música do maluco do Raul Seixas, "é sempre mais fácil achar que a culpa é dos outros". Através da inveja, transferimos a culpa pelos nossos fracassos, na forma de vibrações negativas, para os outros. Em verdade, é sintoma da baixa auto-estima e, é ela, que semeia dentro de nós a arrogância e o egoísmo. A arma que a inveja utiliza para nos dominar é a comparação. Mas como fugir dela se vivenciamos, de forma inevitável, o processo comparativo no dia a dia? Quer a gente queira ou não a vida cotidiana é feita de comparações. Para tudo há um modelo, um padrão, um referencial. Ou será que não? Talvez, o melhor exercício seja parar de se comparar com os outros e partir para comparações internas. Compare o que você foi ontem com o que é hoje. É bem possível que, com a auto-comparação, possamos identificar falhas que são nossas, e não dos outros. Será que se compararmos nossos sentimentos e atitudes, de hoje e do passado, não estaremos patrocinando batalhas vitoriosas na guerra contra a inveja? E será também que não estaremos ampliando nossa capacidade de admirar o bom exemplo que vem das outras pessoas, transformando inveja em admiração, que é um caminho bom na busca por evolução.

Acrescentei: Há um tempo havia um adesivo de colocar em vidro de carro que dizia assim: “a inveja é a arma dos incompetentes." Encontrei estas outras frases que mostram a inveja de uma forma que também concordo. Vejo também que a inveja não é só de coisas materiais. Estas são até mais grosseiras e fáceis de serem vistas. Há a inveja de amizades, de dons/qualidades que alguém possua, de quem tem conhecimento intelectual e espiritual.

"O ciúme traduz o sentimento de propriedade, ao passo que a inveja mostra o instinto de roubo."(Autor Desconhecido)

"Inveja é o ódio da felicidade alheia, ou dor que se sente no coração por causa do sucesso alheio."(Albertano da Brescia)

"Duas são as feras que em nós produzem mais danos: uma cruel e selvagem, a inveja; outra, mansa e doméstica, a adulação. "(Juan Luis Vives)

"Ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é querer que o outro não tenha."(Zuenir Ventura)
Disse um pouco mais: Acho muito delicada (e às vezes enganosa) a percepção de achar que está sendo vítima de inveja. Já vi pessoas dizerem isto, que estavam falando dela com inveja do que ela tinha e do que ela era, e, na verdade, ela estava mesmo era se exaltando, “siachando”, como dizem. Observe que estou dizendo de uma experiência de observação e não dizendo que você está enquadrada nisto. Por isto que acho delicado, porque é algo muito difícil de avaliar com isenção e equilíbrio. Mas acho também possível perceber quando alguém está com inveja de outra, pelas palavras, pelo olhar, conforme foi colocado, e também quando é aquela “..."velha" rabugenta, perseguidora, suja, sem dentes, bafo fétido e sinistra...” facilmente vista, só que, às vezes, a inveja pode ser bela, insinuante, sutil, parecendo amiga, chega-se de mansinho para invejar e algumas vezes roubar, se apoderar, do objeto do seu desejo. Como prevenir então? Uma forma que vejo: discrição no que se é, no que se tem, no que se pode. Não fazer propaganda. Lembro do Milton Nascimento quando diz “amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração...” Aqui interpreto que ele não está dizendo para se apossar do amigo, nem esconder o amigo, nem ter ciúme do amigo, querer só para si. Ele diz para cuidarmos do amigo, sendo uma das formas através da discrição, não propagandeando aos sete mares que é o amigo daquela pessoa, de tão grande que é a amizade com ela. É sujeito despertar em alguém a inveja, especialmente nos mais carentes e de baixíssima auto-estima.

Texto de autor desconhecido: “A inveja é um dos sete pecados capitais. É considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bençãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual. Outra expressão muito comumente usada, no dito popular, para designar a inveja é a "dor de cotovelo".

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Grandes escritores I : Fernando Pessoa

Minha mãe me ensinou a ter e a sempre cultivar a paixão pelos livros. Enquanto universitária do Curso de Letras da UFAC, ela foi me apresentando os livros que ia lendo e eu, iniciando a adolescência, ia me deixando “contagiar” pelo amor que ela tinha pela literatura. O sentimento que me envolve ao ler um bom livro gera em mim um estado semelhante a uma paixão, fico pensando, envolvido, procurando tempo para ler, saboreando cada página e deixando a mente e o coração livres para se manifestarem conforme a história me conduz. É uma espécie de amor, de prazer, onde a concentração e a entrega me transportam por viagens a lugares, povos e culturas distantes, sentimentos e memórias do que já vivi, do que aspiro viver e, até mesmo, trazendo à tona saudades não sei do quê ou de quem. É muito bom encontrar escrito algo que penso e sinto semelhante, o que muitas vezes me alivia por ver que, por mais estranho que seja, tem mais alguém que vê da mesma forma. Quando gosto de um livro tenho por hábito procurar ler os outros daquele autor. Já fiz assim com José de Alencar, José Lins do Rego, Machado de Assis, Albert Camus, Gabriel Garcia Marques, Clarice Lispector, Eça de Queiroz, Rainer Maria Rilke, Alexandre Dumas, Jorge Amado, Antônio Callado, Vitor Hugo, Agatha Cristie, Lobsang Rampa, Manoel Puig e outros.
Recentemente, li o texto Antropofagia, de Rubem Alves, no livro “Ostra feliz não faz pérola”, que diz assim: “Para comer meus próprios semelhantes, eis-me sentado à mesa”, escreveu Augusto dos Anjos (“Eu”, 1912, Revista de Antropofagia 1). ' Eu escrevo antropofagicamente: quero que me devorem. Eu leio antropofagicamente: quero devorar aquele que escreveu. Nietzsche sentia o mesmo e disse que só amava os livros escritos com sangue. Como na Eucaristia. A eucaristia é um ritual antropofágico. “Esse pão é o meu corpo; esse vinho é o meu sangue. Comei. Bebei.” Literatura é antropofagia, o que está de acordo com a teologia do evangelho de João, que a afirma que a Palavra é igual à carne. ’ E eu, que nem me imaginava antropófago, deliciei-me ao ver que a minha tendência a “devorar” autores e suas obras também acontece com muitas outras pessoas.
Meus amores literários sempre foram por obras escritas em prosa. Não tinha paciência, sensibilidade e compreensão para escritos em verso, até me encontrar, recentemente, de forma mais intensa, com o escritor Fernando Pessoa, minha atual paixão. Falando isto a um amigo, ele me disse: “você ainda não tinha suficiente maturidade intelectual e sentimental para penetrar na alma e no coração da poesia”. Já gostava de algumas poesias dele, recitadas pela cantora Maria Betânia em alguns shows; lidas em mensagens e sites na internet e também através de um CD, A música em Pessoa, em que musicaram algumas poesias dele, e que são cantadas por Nana Caymmi, Tom Jobim, Marcos Nanini e outros. Agora, estou definitivamente conquistado. Li o livro O Eu profundo e os outros Eus e acredito ter chegado mais perto da alma e do coração do poeta, e pude sentir mais a genialidade de Fernando Pessoa e seus heterônimos. Muitas vezes uma frase de 5 ou 6 palavras me fazia parar a leitura para refletir, buscar os sentimentos do autor, e também os meus, envolvidos no que ele estava querendo dizer, e entender onde, como e por quê me tocavam. Gosto de escritores que me desafiam, que me tiram da inércia de sentimentos e da mesmice intelectual, e dão um “nó” na minha compreensão, além de estilhaçar as minhas convicções e paradigmas, e Pessoa veio se unir a outros que fazem isto comigo, especialmente Kafka, Camus, Gabriel Garcia Marques, George Orwell, Erasmo de Roterdã, Machado de Assis, Clarice Lispector, Rainer Rilke, Arthur Rimbaud.
Adquiri na I Bienal da Floresta do livro e da leitura as Poesias Completas de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro, os três principais heterônimos de Fernando Pessoa, e estou agora ampliando meus conhecimentos sobre o universo deste Mestre da palavra. Deixo-os com esta poesia dele, que foi a primeira que gostei, na voz da Betânia, na década de 70, e que só recentemente soube do nome, o que me fez gostar mais ainda:

EROS E PSIQUE

Conta a lenda que dormia
uma Princesa encantada
a quem só despertaria
um Infante, que viria
de além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
vencer o mal e o bem,
antes que, já libertado,
deixasse o caminho errado
por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
se espera, dormindo espera,
sonha em morte a sua vida,
e orna-lhe a fronte esquecida,
verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
sem saber que intuito tem,
rompe o caminho fadado,
ele dela é ignorado,
ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino,
ela dormindo encantada,
ele buscando-a sem tino,
pelo processo divino
que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
tudo pela estrada fora,
e falso, ele vem seguro,
e vencendo estrada e muro,
chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
a cabeça, em maresia,
ergue a mão, e encontra hera,
e vê que ele mesmo era
a Princesa que dormia.
Fernando Pessoa – Cronologia
http://www.insite.com.br/art/pessoa/

13 de junho de 1888 - Nasce em Lisboa, às 3 horas da tarde, Fernando Antônio Nogueira Pessoa.
1896 - Parte para Durban, na África do Sul.
1905 - Regressa a Lisboa.
1906 - Matricula-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa.
1907 - Abandona o curso.
1914 - Surge o mestre Alberto Caeiro. Fernando Pessoa passa a escrever poemas dos três heterônimos.
1915 - Primeiro número da Revista "Orfeu". Pessoa "mata" Alberto Caeiro.
1916 - Seu amigo Mário de Sá-Carneiro suicida-se.
1924 - Surge a Revista "Atena", dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz.
1926 - Fernando Pessoa requere patente de invenção de um "Anuário Indicador Sintético, por Nomes e Outras Classificações, Consultável em Qualquer Língua". Dirige, com seu cunhado, a Revista de Comércio e Contabilidade.
1927 - Passa a colaborar com a Revista "Presença".
1934 – Aparece “Mensagem”, seu único livro publicado.
30 de novembro de 1935 - Morre em Lisboa, aos 47 anos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Quando o luxo vem sem etiqueta...

A humanidade vive, cada vez mais, em um mundo de aparências, onde a embalagem é o que importa, não o conteúdo, num estilo fast-food sem limites. Estamos em plena era do descartável. Na literatura, a auto-ajuda milagrosa de botequim; na música, a famosa eguinha pocotó e similares; na Medicina, as pílulas da felicidade e as promessas de beleza e vida quase eternas e sem dores; nos relacionamentos, paixões que mudam a cada lua, quando muito; na política, os eternos salvadores da Pátria, eleitos às custas de publicitários que enganam os eleitores desavisados (infelizmente a maioria, ainda) maquiando os candidatos de honestíssimos defensores do povo etc. Este texto que recebi pela internet mostra um ângulo desta realidade atual de forma bem interessante.

Gilvan Almeida



Quando o luxo vem sem etiqueta...

O cara desce na estação do metrô de Nova York vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal. Durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes, ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1.000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.
Conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife. Somente uma mulher reconheceu a música....


O vídeo da apresentação no metrô está no You Tube:http://www.youtube.com/watch?v=hnOPu0_YWhw

sábado, 8 de agosto de 2009

Adeus, Mariangeles!

Desde 1995 convivo diariamente com a internet. Milhares de e-mails, entre idas e vindas, conduzindo dores, saudades, orientações, alegrias, dúvidas, reencontros e tantas outras vivências que só o coração humano é capaz de nos fazer viver. Hoje ia fazer algo que já fiz diversas vezes, mas não consegui, pois fui impedido por um sentimento, que me alertou que eu não podia, naquele momento, simplesmente dar um delete. Vi, então, que, pela primeira vez, ia retirar um nome do catálogo de endereços porque a pessoa tinha morrido: minha amiga da Espanha, Mariangeles.
Semelhante aos demais seres humanos, pois somos todos iguais em carências, seja acreano, tailandês, russo, espanhol ou nigeriano, um dia ela chegou ao Acre, em busca de mais luz para seu interior. Iniciamos uma amizade, que sobreviveu à distância geográfica, alimentada por muitos e-mails.
Mariangeles lutou como uma guerreira em busca de se conhecer e poder transcender as dores de sua alma. Mulher corajosa que não teve medo e nem vergonha de se ver, e não fugiu de suas próprias fragilidades, assumindo-as com humildade e pelejando pela transformação alquímica do defeito em virtude, do espinho em flor. Mesmo diante do sofrimento que a doença lhe impôs, não se acomodou e continuava em busca de compreender mais e melhor os mistérios da vida.
Quantos de nós submetidos a uma dor profunda teríamos condições de sentir e dizer o que ela me disse em um e-mail:

“... Quiero contarte, con alegria, que llevo un tiempo ya, comprendiendo mi proceso de salud, como una bendicion... porque me esta trayendo, una gran belleza para el alma.... Es doloroso el estado fisico y solo Dios sabe si podra soportarlo mi cuerpo, mas puedo decirte, con alegria, que mi estado emocional esta siendo hermoso... Vivi siempre intensamente y buscando afinar mi discernimiento para saber ver de verdad... y en ese camino continuar andando, afinando cada vez mas el instrumento corazón...”
Dentre tantas coisas boas que ela me deu, uma é especial e ficará como sua maior recordação: a poesia Los portadores de sueños, de Gioconda Belli, que publiquei neste blog, no dia 22.05.2009.
Ao receber a notícia de sua morte, transmitida pela nossa amiga Zeneide, acreana que reside na Espanha, senti tristeza pela perda e, ao mesmo tempo, uma grande alegria em saber que, ao morrer, ela estava em paz, serena nos sentimentos e bem mais compreensiva sobre o real significado da vida.


Adeus, Mariangeles!

Gilvan Almeida

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Alguns livros e autores que me fizeram a cabeça

Para mim, o que cada um tem na memória e no coração é seu real e intransferível patrimônio, a riqueza que os ladrões não roubam e nem as traças roem, conforme nos ensina a Bíblia. Leio livros desde criança e incentivo todas as pessoas ao meu redor a lerem. Através da leitura já fiz muitas viagens sem sair do lugar, conhecendo outros povos e culturas, filosofias, tragédias e grandes amores, religiões e até outros mundos. Há algum tempo venho elaborando esta lista com os livros mais importantes da minha formação cultural, os que mais acrescentaram na construção da minha filosofia de vida e dos valores que prezo.

Gilvan Almeida


Alguns livros e autores que me fizeram a cabeça:

1. Como passar sua vida a limpo – Marisa Thame;
2. O caminho da autotransformação – Eva Pierrakos;
3. A utopia – Thomas Morus;
4. A mãe – Gorki;
5. O drama da criança bem dotada – Alice Miller;
6. Sexo e repressão na sociedade selvagem - Bronislaw Malinowski;
7. José de Alencar – diversos, especialmente O guarani, Iracema, Cinco minutos, Senhora e O tronco do ipê;
8. José Lins do Rego – diversos, especialmente O menino do engenho e Fogo morto;
9. Gabriel Garcia Márquez – diversos, especialmente Cem anos de solidão, Crônica de uma morte anunciada e Relato de um náufrago;
10. O velho e o mar – Ernest Hemingway;
11. Elogio da loucura – Erasmo de Roterdã;
12. A metamorfose – Kafka;
13. Fernão Capelo Gaivota – Richard Bach;
14. O pequeno príncipe – Saint Exupéry;
15. O manifesto comunista – Marx e Engels;
16. As veias abertas da América Latina – Eduardo Galeano;
17. A história da riqueza do homem – Leo Hubermann;
18. George Orwell - 1984 e A revolução dos bichos;
19. Jardim de inverno - Pablo Neruda;
20. Apologia a Sócrates – Platão;
21. A luz da Ásia – Edwin Arnold;
22. Machado de Assis – diversos, especialmente O alienista e Memórias póstumas de Brás Cubas;
23. Bestiário – Julio Cortazar;
24. Albert Camus – diversos, especialmente A peste e A queda;
25. Victor Hugo – diversos, especialmente Os miseráveis;
26. Guerra e paz – Leon Tolstoi;
27. Crime e castigo – Dostoievski;
28. O evangelho segundo o Espiritismo – Alan Kardec;
29. Admirável mundo novo – Aldous Huxley;
30. Taylor Caldwell - Médico de homens e de almas e O grande amigo de Deus;
31.O médico, seu paciente e a doença – Michael Balint;
32. Samuel Hahnemann – diversos, especialmente O organon da arte de curar e Doenças crônicas;
33. Livros espíritas Kardecistas – especialmente O amor venceu (Zibia Gasparetto), Paulo e Estevão e E a vida continua (Emannuel);
34. Thiago de mello – Os estatutos do homem e Faz escuro mas eu canto;
35. O mártir do Gólgota - Henrique Perez Escrich;
36. Robinson Crusoé - Daniel Defoe;
37. Antônio Callado - Bar Don Juan e Quarup;
38. O beijo da mulher-aranha – Daniel Puig;
39. Alexandre Dumas pai – O conde de Montecristo e Os três mosqueteiros;
40. Maíra - Darcy Ribeiro;
41. Jean Genet - Diário de um ladrão e Querelle;
42. Érico Veríssimo - diversos, especialmente Olhai os lírios do campo;
43. O tratado de Narciso in A volta do filho pródigo – André Gide;
44. Histórias de homens notáveis – Gurdjieff;
45. Rainer Maria Rilke - Cartas a um jovem poeta e O diário de Florença;
46. Sir Richard Francis Burton: O agente secreto que fez a peregrinação a Meca, descobriu o Kama Sutra e trouxe As mil e uma noites para o Ocidente – Uma biografia escrita por Edward Rice;
47. Carlos Castañeda - A erva do diabo; O segundo círculo do Poder; Porta para o infinito; Viagem a Ixtlán e outros;
48. O crime do padre Amaro e Primo Basílio – Eça de Queiroz;
49. Camilo Castelo Branco - Amor de perdição e Amor de salvação;
50. Hermann Hesse - Demian, Sidarta e O lobo da estepe;
51. Lobsang Rampa - A terceira visão, Entre os monges do Tibete, O manto amarelo e outros;
52. O caçador de pipas - Khaled Hosseini;
53. Tao Te King – Lao Tsé;
54. A essência da sabedoria de Confúcio - Charles J. Finger;
55. Coleção Os grandes iniciados: Moisés, Krishna, Orfeu e outros;
56. A arte cavalheiresca do arqueiro Zen - Eugen Herrigel;
57. O Zen na arte da cerimônia do chá - Horst Hammitzsch;
58. Shogun – James Clavell;
59. A expropriação da saúde: nêmesis da Medicina - Ivan Illich;
60. Paulo Coelho - O alquimista e Diário de um mago;
61. Jorge Amado - Mar morto; Tereza Batista cansada de guerra; Gabriela, cravo e canela; O cavaleiro da esperança e outros;
62. Morangos mofados - Caio Fernando Abreu;
63. Krishnamurti – Liberte-se do passado e diversos textos;
64. Isabel Allende – Paula; A casa dos espíritos e De amor e de sombra;
65. Além das balas mágicas - Bernard Dixon;
66. A redoma de vidro – Sylvia Plath;
67. Dibbs, em busca de si mesmo - Dra. Axline;
68. Nunca lhe prometi um jardim de rosas: Hannah Green;
69. O apanhador no campo de centeio - J.D. Salinger;
70. Teorema - Pier Paolo Pasolini;
71. O feiticeiro do Alto Amazonas - Bruce Lamb;
72. Irmão do 3º grau - Will L. Garver;
73. A vós confio - Rosa Cruz AMORC;
74. A vida secreta das plantas - Peter Tomkis e Christopher Bird;
75. O menino do dedo verde - Maurice Druon;
76. Clarice Lispector - Felicidade clandestina e Perto do coração selvagem;
77. O livro de Mirdad - Mikhail Naimy;
78. Sobre a brevidade da vida - Sêneca;
79. A tábua de esmeraldas - Hermes Trismegisto;
80. Confissões de um comedor de ópio - Thomas de Quincey;
81. A carne - Júlio Ribeiro;
82. Inocência - Visconde de Taunay;
83. Lavoura arcaica - Raduan Nassar;
84. A arte de viver - Epicteto;
85. A arte da prudência – Baltasar Gracián;
86. O caminho dos sonhos - Marie-Louise Von Franz;
87. Fernando Pessoa - Diversas poesias e O eu profundo e os outros eus;
88. A psicanálise dos contos de fada - Bruno Bettelheim;
89. As mil e uma noites - alguns trechos;
90. Zero - Ignácio de Loyola Brandão;
91. Os carbonários - Alfredo Sirkis
92. Batismo de sangue - Frei Tito;
93. Nos porões da ditadura - Raymundo Negrão Torres;
94. O que é isso, companheiro – Fernando Gabeira;
95. Rubem Alves - Ostra feliz não faz pérola e diversos textos;
96. Você pode curar sua vida - Louise Hay;
97. Uma temporada no inferno - Arthur Rimbaud;
98. A última grande lição - Mitch Albom
99. A pérola – John Steinbeck
100. O corpo fala – Pierre Weil e Roland Tompakow
101. Rollo May - A arte do aconselhamento psicológico e O homem à procura de si mesmo;
102. Robert A. Johnson - He; She; We e A chave do reino interior;
103. A doença como caminho – Thorwald Dethlefsen e Rudiger Dahlke;
104. A doença como linguagem da alma – Rudiger Dahlke;
105. Amor, medicina e milagres – Bernie S. Siegel;
106. O pobre de Deus – Nikos Karantzakis;
107. Nossos índios, nossos mortos – Edilson Martins
108. Dalai Lama - Liberdade no exílio; A arte da felicidade e outros;
109. Irmãos, irmãs – Karl Koning
110. Onde não há médico – Dr. Werner
111. Dicionário de símbolos - Jean Chevalier e Alain Gheerbrant
112. O despertar do tigre - Peter a. Levine
113. Cem dias entre o céu e mar – Amyr Klink
114. Roberto Shinyashiki - A Carícia Essencial e outros;
115. O Dom Supremo - Henry Drummond
116. Os Filmes Que Eu Vi Com Freud - Waldemar Zusman
117. Contos Fantásticos - Guy de Maupassant
118. A Voz do Silêncio - Helena Blavatsky
119. O Coração das Trevas - Joseph Conrad
120. Não Faça Tempestade em Copo D’água - Richard Carlson
121. O Desvendar do Amor - Bob Hoffman
122. O príncipe – Maquiavel;
123. Continuo me recordando dos livros que li ........

sábado, 18 de julho de 2009

A ideologia saiu de moda? Adote a que está em alta.


Sempre que uma ideologia sai de moda, o político recorre ao primeiro modelito prêt-à-porter disponível na prateleira das conveniências.
Para o PT, o patrocínio incondicional da ética tornou-se démodé. O chique agora é envergar o manto diáfano da “governabilidade”.
Numa fase em que camiseta de Che Guevara já não serve nem para seduzir a Ideli Salvatti, o repórter sai em socorro dos petistas.
Vão abaixo duas listas. Relacionam o que precisam fazer e o que devem evitar os petistas que desejam salvar o charme.

- O que o petista não precisa mais fazer:

1. Lembrar que Lula já chamou Sarney de ladrão.
2. Recordar as baixarias do Collor na eleição de 89.
3. Posar de torquemada em sessões de CPI.
4. Gritar ‘Fora, FMI’.
5. Ler Neruda.
6. Comer frango com a mão.
7. Beber cachaça.
- O que o neopetista não pode deixar de fazer:

1. Rezar por Sarney antes de dormir.
2. Admitir que foi injusto com o Collor.
3. Negociar com o Renan a tática anti-CPI.
4. Exaltar o socorro do Brasil ao FMI.
5. Ler Marimbondos de Fogo.
6. Aprender a manusear os talheres.
7. Folhear um bom guia de vinhos.

Escrito por Josias de Souza
PS: Qualquer brasileiro bem informado (infelizmente ainda não é a maioria) concorda com este retrato que o jornalista Josias de Souza tão bem pintou sobre o petismo hoje. Nem por isto jogo todos os políticos de esquerda no mesmo "saco de gatos" dos políticos em geral. Ainda encontro, não sei até quando, alguns que merecem o meu voto.
Gilvan Almeida

sábado, 11 de julho de 2009

O REI E O SÁBIO

Cresci fisicamente mas as estórias e fábulas continuam a me tocar o coração, semelhante ao que acontecia na infância. Quero que seja sempre assim, pois aprendo muitas lições com elas. Esta, a seguir, é uma especial, que guardo com muito carinho em minha "coleção de palavras."

Gilvan Almeida

O REI E O SÁBIO

Havia um rei que, apesar de ser extremamente rico, tinha a fama de ser um grande doador, desapegado da sua riqueza. Quanto mais doava para cuidar dos seus súditos, tanto mais os cofres do seu fabuloso palácio enchiam.
Um dia, um sábio que estava passando por muitas dificuldades procurou o rei para descobrir seu segredo. Ele pensava:
- Como o rei, que não é versado nas sagradas escrituras e não leva uma vida de penitência e renúncia, pode viver cercado por tantas riquezas materiais e ainda assim não ficar “contaminado” por elas? Eu, que renunciei ao mundo e conheço todos os Vedas (livros sagrados), tenho tantos problemas, e ele é virtuoso e amado por todos.
Ao chegar na frente do rei, perguntou-lhe qual era o segredo de viver daquela forma. O rei respondeu:
- Acenda uma lamparina e passe por todas as dependências do palácio, assim o Senhor vai descobrir meu segredo. Porém, há uma condição: se o Senhor deixar que a chama se apague, cairá morto.
Desse modo, o sábio visitou todas as salas e duas horas depois voltou para o rei, que lhe perguntou:
- O Senhor viu toda a minha riqueza?
Ainda tremendo da experiência, o sábio respondeu:
- Sua majestade, não vi absolutamente nada. Eu estava tão preocupado em manter a chama acesa que não notei nada.
Com o olhar cheio de misericórdia, o rei falou do seu segredo:
- Assim, Senhor sábio, eu vivo. Tenho tanta atenção em manter a chama da minha alma acesa, que embora tenha tantas riquezas, elas não me afetam. Tenho a consciência de que sou eu que preciso iluminar meu mundo com minha presença, e não o contrário.

Esta história ilustra dois fatos:
· A virtude ou defeito não está em ter as coisas, mas em como são utilizadas.
· O verdadeiro esforço se limita em manter a consciência interior espiritualmente acesa, e não em lutar contra supostas tentações e ameaças.

sábado, 4 de julho de 2009

Indicação de livro: A casa do delírio

A casa do delírio
Reportagem no Manicômio Judiciário de Franco da Rocha
Autor: Douglas Tavolaro
Editora: Senac-São Paulo

Encontrei este livro na Bienal da Floresta. Leitura importante para todos os que procuram enxergar o mundo além do próprio umbigo e também para os que vivem em um mundo bonito e perfumado, onde tudo dá certo e todos são aparentemente felizes, que vivem “... de frente para o mar e de costas para o Brasil...” conforme já nos disse um poeta. Como diz o autor, o livro é “... uma aventura pelo mundo da razão perdida...”. Considerei também um mergulho no inferno dos maiores males que assolam a sociedade brasileira: miséria, abandono, injustiça, fome, exploração, desemprego, doenças, corrupção... Lá no manicômio estão alguns frutos deste sistema político, econômico e social em que vivemos. Além do levantamento histórico da instituição e dos crimes que cometeram alguns internos, o autor nos mostra também o lado humano, familiar e social, dos personagens entrevistados, e o que vem sendo feito institucionalmente no sentido de reabilitar a dignidade perdida. Tocou-me profundamente, quando ele descreve uma cela onde eram colocados os internos mais perigosos, violentos e em surto psicótico, em que havia diversas palavras e símbolos escritos e desenhados nas paredes, aparentemente sem sentido, mas uma frase ele conseguiu entender, e ela dizia assim: “Quando eu morrer, que não seja só de tédio”. Quantos de nós, que nos consideramos normais, temos esta lucidez de ver quando a nossa vida está um tédio, ou de reconhecer que a vida está um tédio e ver que é possível e preciso fazer algo para transformá-la? Com tudo o que vivenciei e aprendi na leitura deste livro, confirmo, mais uma vez, o que alguém disse: não somos mais a mesma pessoa após a leitura de um livro.

Gilvan Almeida

Escrito na contra-capa do livro:

Inaugurado no último dia de 1933, o Manicômio Judiciário de Franco da Rocha continua sendo o maior abrigo de doentes mentais criminosos do Brasil. Foi considerado nos anos 1950 um dos mais importantes hospitais-presídios da América Latina, na vanguarda dos estudos psiquiátricos, mas nos anos 1960 tornou-se “depósito de loucos” superlotado, com os horrores dessa situação: fome, sujeira, doença, violência. Hoje, com a dignidade em recuperação, luta para livrar-se do estigma de ter sido “um inferno onde quem entra só sai morto”.
Conta-se aqui a história do manicômio e a de alguns de seus personagens marcantes; mostra a “rotina insana” conforme a captou o olhar atento e a sensibilidade do autor. Diversos fatos narrados causam o impacto de uma dura realidade, sem que se perca sua dimensão humana.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Socorro a bancos

Vergonhosa esta matéria, que revela um pouco da verdadeira face do capitalismo: concentração cada vez maior das riquezas nas mãos de poucos, a socialização dos prejuízos e a distribuição da miséria para a grande maioria da humanidade. Quando vejo o governo brasileiro ser elogiado pelo capital internacional entendo que fica evidente que está acontecendo em nosso país o que Obama e companhia esperam: lucro fácil com pouquíssimo investimento, política subserviente de subsídios estatais, pouco compromisso das transnacionais com o trabalhador brasileiro e o meio ambiente, e tantas outras formas modernas de exploração. Quando votei em Lula já não era mais ingênuo politicamente a ponto de acreditar que ele faria a grande revolução política, econômica e social que nosso povo espera há séculos. Sei, no entanto, que ele faz o governo possível e permitido internacionalmente, em mais um dos países submissos à ditadura econômica mundial.

Gilvan Almeida

Socorro a bancos em 1 ano supera ajuda a países pobres em 50, diz ONU.
BBC Brasil - 24/06/2009

A indústria financeira internacional recebeu no último ano quase dez vezes mais dinheiro público em ajuda do que todos os países pobres em meio século, segundo aponta um relatório divulgado nesta quarta-feira pela Campanha da ONU pelas Metas do Milênio.

Segundo a organização, que promove o cumprimento das metas das Nações Unidas para o combate à pobreza no mundo, os países em desenvolvimento receberam em 49 anos o equivalente a US$ 2 trilhões em doações de países ricos.
Apenas no último ano, os bancos e outras instituições financeiras ameaçadas pela crise global receberam US$ 18 trilhões em ajuda pública.

A divulgação do relatório coincide com o início de uma conferência entre países ricos e pobres na sede da ONU, em Nova York, para discutir o impacto da pior crise econômica mundial desde os anos 1930.

O encontro, que acontece até o dia 26, tem como principal objetivo "identificar as respostas de emergência para mitigar o impacto da crise em longo prazo", segundo a convocação das Nações Unidas.

Um dos principais desafios da reunião será conseguir um compromisso que permita unir países industrializados e em desenvolvimento para definir uma nova estrutura financeira mundial, prestando atenção especial às populações mais vulneráveis.

Vontade política

O relatório da Campanha pelas Metas do Milênio argumenta que a destinação de dinheiro ao desenvolvimento dos países mais pobres não é uma questão de falta de recursos, mas sim de vontade política.

"Sempre digo que se você fizer uma promessa e não cumprir, é quase um pecado, mas se fizer uma promessa a pessoas pobres e não cumprir, então é praticamente um crime", disse à BBC o diretor da Campanha pelas Metas do Milênio, Salil Shetty.

"O que é ainda mais paradoxal é que esses compromissos (firmados pelos países ricos para ajudar os pobres) são voluntários. Ninguém os obriga a firmá-los, mas logo eles são renegados", lamentou.

"O que pedimos de verdade é que nas próximas reuniões, na ONU nesta semana, e na cúpula do G-8 (em julho), os países ricos apresentem uma agenda clara para cumprir com as promessas que fizeram", disse Shetty.

O relatório da organização observa ainda que a crise mundial piorará a situação dos países mais pobres. Na última semana, a FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação) afirmou que a crise deixará 1 bilhão de pessoas em todo o mundo passando fome.

Para Shetty, é importante que os países pobres também participem de qualquer discussão sobre a crise financeira global.

"Hoje eles não têm nenhuma voz nas principais instituições financeiras. Enquanto não participarem da tomada de decisões, as coisas nunca vão mudar", afirmou.

sábado, 20 de junho de 2009

Matéria prima 1

Alguém há de perguntar: por que em vez das alegrias da vida ele escreve sobre tristezas, dramas existenciais, dores, separações e sofrimentos? Explico: Minha matéria prima é o sentimento e as relações humanas, a vida comum e cotidiana das pessoas. Escrevo sobre o que sinto, o que ouço e vejo no olhar, nos gestos e nas palavras das pessoas, e o que mais encontro são as tristezas e os sofrimentos, construindo a dura existência da maioria. Só é olharmos com mais atenção para o nosso interior e ao nosso redor que veremos que a vida não é um mar de rosas. Com muita luta podemos viver momentos de alegria e de tranqüilidade, mas grande parte do tempo estamos mesmo é vivenciando os dramas e os conflitos da vida, sejam os nossos, sejam os dos outros. Nem por isso entrego-me ao pessimismo e ao desânimo, e persisto na peleja de ser feliz, apesar das dores. E aqui está uma das chaves para se viver bem: ser feliz apesar das dores, e isso é o que considero um dos grandes segredos de uma vida bem vivida, pois não dá para querer ser feliz só quando não tiver mais nenhum problema. Se assim pensarmos é sujeito nunca sermos. É preciso o cultivo da sábia entrega do coração para o momento presente, e viver intensamente cada fagulha de felicidade que nos aparece.

Gilvan Almeida

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Quem sou eu?

Aparentemente fácil de ser respondida, a pergunta Quem sou eu? é fundamental para quem deseja caminhar pelas trilhas do autoconhecimento. Cada ser humano é múltiplo em comportamentos e, dependendo do ambiente em que está - família, trabalho, lazer, religião, a maioria imita a estratégia do camaleão, que adapta a sua cor ao meio ambiente. Assim acontece porque a convivência humana não permite a autenticidade plena, cada um mostrando o que realmente é. Ainda precisamos das “defesas camaleônicas”, máscaras de convivência, quase sempre frutos dos mecanismos de sobrevivência psicológica e emocional que fomos obrigados a desenvolver desde a infância, frente às imposições que as normas sociais exigem. No entanto, conforme o amadurecimento e a busca consciente, um dia esta multiplicidade de formas de ser se tornará Unidade, quando então cada um terá um só comportamento onde quer que esteja. Externamente sou um indivíduo, igual a todos os outros, e, ao mesmo tempo, interiormente um exemplar único e tão pouco conhecido por mim mesmo. Eu não sei, por exemplo, das minhas reações frente a determinados acontecimentos que ainda não vivi. Compreendo que eu não sou só nome, profissão, estado civil e sexo, filiação, naturalidade e nacionalidade. Sou também o que tenho; o que como, o que penso e o que sinto; eu sou o que gosto e o que não gosto; sou as minhas aspirações e preferências; as minhas fragilidades e também o que já consigo ser forte. Cada uma destas características diz exatamente de mim, da minha individualidade, da essência, portanto revelam-me, e quanto mais eu as conheço, mais sei quem sou. Lá no fundo de si mesmo cada um é essencialmente coração, sentimentos, memórias, que gradualmente, e de acordo com a busca pessoal, podem ser conhecidos, transformados, lapidados, na busca de que, um dia, sejamos plenos de paz, equilíbrio, harmonia e amor.
Gilvan Almeida

domingo, 31 de maio de 2009

Prêmio Loucos pela Diversidade

Conheci o Dr. Paulo Amarante na primeira aula que tive na Especialização em Saúde Mental, promovida pela Universidade Federal do Acre, em 2005. Forte batalhador pela implantação da Reforma Psiquiátrica em nosso país, considero que ele e a Dra. Terezinha Freitas (UFAC) foram fundamentais em minha sensibilização para o trabalho que atualmente desenvolvo na área de Saúde Mental. Compartilho estas informações, no sentido de fazer crescer o conhecimento público sobre este universo tão estigmatizado e segregado socialmente.

Gilvan Almeida

Pesquisador fala da primeira edição do Prêmio Loucos pela Diversidade - 29/05/009

Uma parceria entre a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC) e o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Laps) da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP)/Fiocruz deu início ao Projeto 'Loucos pela Diversidade', que visa estimular a produção artístico-cultural de pessoas em sofrimento psíquico. Uma das medidas resultantes dessa cooperação foi o lançamento, em maio de 2009, do 'Prêmio Loucos pela Diversidade'.
O pesquisador da ENSP e coordenador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial conversou com o Informe ENSP e fez um balanço sobre o projeto, falou da primeira edição do prêmio e contou como anda o movimento pela luta antimanicomial no país.

Informe ENSP: O que é o projeto 'Loucos pela Diversidade'? Que balanço é possível fazer dele?

Paulo Amarante: O Projeto 'Loucos pela Diversidade' nasceu de uma cooperação entre a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC) e o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Laps) da ENSP/Fiocruz para estimular a produção artístico-cultural de pessoas em sofrimento psíquico. A primeira medida foi a convocação de uma oficina, realizada aqui na ENSP em agosto de 2007, para a qual foram convidadas todas as pessoas que participam de projetos culturais no campo da saúde mental, seguindo uma tradição iniciada na gestão do ministro Gilberto Gil, que é a de envolver os sujeitos políticos como protagonistas na formulação e gestão das políticas que lhes dizem respeito.
O balanço é extremamente positivo. A partir do projeto 'Loucos pela Diversidade', foi possível viabilizar a realização de várias atividades culturais em vários eventos de saúde, como no 'II Fórum Internacional de Saúde Coletiva, Saúde Mental e Direitos Humanos', em maio do ano passado, no Rio de Janeiro, no 'Congresso Brasileiro e Mundial de Epidemiologia' da Abrasco, em Porto Alegre, no 'I Congresso Brasileiro de Saúde Mental', em dezembro, em Florianópolis, e, já neste ano, no 'Congresso Internacional de Saúde Mental e Reformas Psiquiátricas' em Salvador.


Informe ENSP: Uma das primeiras iniciativas concretas desse projeto é esse edital ao 'Prêmio Loucos pela Diversidade'? O que é o Prêmio e a quem se destina?

Paulo Amarante: A oficina deu origem a uma série de propostas para o fomento, difusão e preservação dos trabalhos realizados neste campo. Uma dessas propostas foi a realização de um edital de prêmios para estimular os projetos existentes e desencadear novos projetos. Poderão concorrer pessoas ou grupos de qualquer área da arte e cultura, desde que o trabalho artístico seja desenvolvido, pelo menos em parte, por pessoas em sofrimento mental. Poderão participar pessoas ou grupos avulsos ou ligados a instituições ou organizações não governamentais.

Informe ENSP: Ao todo, quantos projetos serão contemplados, e qual é o valor total dos prêmios?

Paulo Amarante: O edital concederá 55 prêmios, inclusive com previsão de critérios de regionalização para que todas as regiões do país tenham possibilidade de serem contempladas. Serão destinados 7 (sete) prêmios paras as iniciativas ligadas a instituições públicas, 8 (oito) prêmios para iniciativas de organizações não governamentais, 20 (vinte) para grupos autônomos e 20 (vinte) para pessoas físicas. Os prêmios para grupos serão de R$ 15 mil, e os de pessoas físicas R$ 7,5 mil. Os prêmios serão pagos com recursos da Caixa Econômica Federal; um apoio fundamental e que abre muitas perspectivas políticas para a questão da inclusão social das pessoas em sofrimento mental. Acreditamos que essa iniciativa da Caixa venha a estimular outras instituições a abrirem seus financiamentos para projetos sociais desta natureza.

Informe ENSP: O Prêmio é uma iniciativa do Laps/ENSP/Fiocruz e o MinC. Qual é a perspectiva de vocês em relação aos trabalhos a serem inscritos?

Paulo Amarante: A idéia do prêmio surgiu na Oficina, com a participação das pessoas diretamente envolvidas nos projetos pioneiros dessa área em todo o Brasil, como disse anteriormente. E a decisão de lançar o edital marcou o início de uma política absolutamente inovadora, ousada, revolucionária, de reconhecer a produção artístico-cultural das pessoas em sofrimento mental e criar fontes de apoio, dar visibilidade social etc., com recursos provenientes da cultura, ou a partir da mediação da cultura, como foi o caso da Caixa. Não se trata mais de colocar algum recurso para estimular um trabalho terapêutico através da arte, mas sim de propiciar arte, de propiciar cultura. Por isso a expectativa é boa por enquanto, mas será excelente nas próximas versões do edital, nas próximas chamadas que, esperamos, ocorram regularmente a partir de agora.

Informe ENSP: Por que homenagear Austregésilo Carrano nessa primeira edição?

Paulo Amarante: Austregésilo Carrano foi uma pessoa que deu a vida pela luta antimanicomial, pela reforma psiquiátrica. Foi vítima de violências e constrangimentos diversos em algumas instituições psiquiátricas e escreveu uma obra muito importante relatando suas passagens pelos hospícios. O livro, intitulado 'Cantos dos malditos', se tornou uma ferramenta de denúncia das práticas das instituições psiquiátricas e acabou inspirando a diretora Laís Bodansky para realizar o filme 'Bicho de 7 cabeças' – o filme mais premiado da filmografia brasileira – que levou para o grande público a realidade da psiquiatria brasileira. O livro, em si, é um importante trabalho cultural, literatura e denúncia ao mesmo tempo. A SID (Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural) tem como tradição homenagear nos seus editais de premiação pessoas de destaque do segmento cultural em que atua. Juntos, decidimos homenagear Austregésilo Carrano nesse primeiro edital. Falei com sua mãe e filha, que ficaram muito emocionadas com o reconhecimento.

Informe ENSP: Essa questão de trazer a diversidade cultural como forma de inclusão de pessoas com algum tipo de transtorno mental é um dos frutos da reforma psiquiátrica no país. Como anda esse processo atualmente? Em recente evento aqui na ENSP, na abertura do Curso de Especialização em Saúde Mental e Atenção Psicossocial, o cineasta Helvécio Ratton disse que há um movimento pela volta dos manicômios. Isso está realmente em pauta?

Paulo Amarante: A luta é permanente. A defesa dos manicômios é e será feita sempre por parte dos proprietários de hospitais psiquiátricos, por parte dos setores acadêmicos conservadores, que vivem da doença e não da saúde mental, que vivem, de uma forma ou de outra, do que o professor Carlos Gentille de Melo denominava 'a indústria da loucura'. Muitos dos segmentos da universidade ligados à indústria farmacêutica também defendem a volta aos manicômios porque defendem a idéia de que o sofrimento mental é tão-somente um problema orgânico, pois assim eles vendem mais remédios ou ajudam a vender mais remédios. Por sorte, no mundo inteiro, muito particularmente nos EUA e no Brasil, estão surgindo movimentos fortes de denúncia desses setores acadêmicos com as fraudes nos protocolos de pesquisas, com a compra de artigos que favorecem a medicalização e assim por diante. Mas, sobretudo no Brasil, temos um movimento social forte de luta pela reforma psiquiátrica que garantirá o avanço. E, posso afirmar que, desta vez, non passarán! Mas, nunca é demais aproveitar para reivindicar a 'IV Conferência Nacional de Saúde Mental', para rearticularmos e revigorarmos nossas forças e estratégias.

Informe ENSP
Matéria: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/noticia/index.php?id=16731