segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Mensagem de Natal 2008 e Ano Novo 2009

Que neste Natal e no Ano Novo tenhamos mais força e constância no uso destas Pérolas do aperfeiçoamento:

Paciência - para as dificuldades...
Tolerância - para as diferenças...
Benevolência - para os equívocos...
Misericórdia - para os erros...
Perdão - para as ofensas...
Prudência - para as ilusões...
Equilíbrio - para os desejos...
Sensatez - para as escolhas...
Sensibilidade - para os olhos...
Delicadeza - para as palavras...
Discernimento - para os ouvidos...
Resignação - para a escassez...
Responsabilidade - para a fartura...
Coragem - para as provas...
Fé - para as conquistas...
Amor - para todas as ocasiões!
(Autor desconhecido)

Ótimos exercícios para serem praticados em 2009:

Ser alegre, e não exibido.
Ser sincero, e não ofensivo.
Ser firme, e não arrogante.
Ser humilde, e não submisso.
Ser rápido, e não impreciso.
Ser despreocupado, e não descuidado.
Ser amoroso, e não possessivo.
Ser persistente, e não teimoso.
Ser disciplinado, e não inflexível.
Ser flexível, e não permissivo.
Ser obediente, e não escravo.
Ser gentil, e não bajulador.
Ser introspectivo, e não fechado.
Ser determinado, e não teimoso.
Ser corajoso, e não agressivo.
(Autor desconhecido)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Evo Morales e a reconstrução da Bolívia


Postei a carta “Somos irmãos” em meu antigo blog, no início da administração do Presidente da Bolívia Evo Morales (janeiro de 2006), e nestes anos continuo acompanhando e admirando sua trajetória de lutas políticas junto ao povo boliviano para se libertarem das amarras da criminosa exploração capitalista. Neste período vimos toda a campanha promovida pelos Estados Unidos e outros países “civilizados” no sentido de desacreditá-lo, tendo como grande aliada a mídia internacional, também manipulada pela Casa Branca, incluindo a brasileira. Povos que lutam por seus direitos não são bem vistos pelos “donos do mundo”, e a resposta dada por eles é violenta e imediata, pois estas lutas podem ser exemplo para outros povos explorados. Vejam a campanha difamatória que fazem também com Hugo Chavez, da Venezuela; Raul Castro, em Cuba; Rafael Correa, no Equador; Mahmoud Ahmadinejad, no Irã, e outros, e o que fizeram com Salvador Allende, no Chile; João Goulart no Brasil; Mohammed Mossadegh, no Irã, e diversos políticos nacionalistas, derrubados do poder e alguns até assassinados por ousarem defender uma política voltada para o bem de seus povos.
Usando a secular técnica imperialista e colonialista de dividir para poder dominar, os Estados Unidos estão por trás de movimentos que alimentam a divisão interna destes povos (vide o movimento autonomista na Bolívia, o frustrado golpe de Estado na Venezuela em 2002 e tantos golpes militares que foram por eles financiados e até executados em todo o mundo), além de jogarem um país contra outro na América Latina, países árabes, asiáticos e africanos.
Ontem tive a alegria de ler o artigo que transcrevo abaixo, pois acredito firmemente que um povo com educação e saúde tem mais possibilidades de enxergar seus direitos e lutar por eles – quanto mais doente e analfabeto um povo, mais fácil de ser dominado e explorado. Ressalto que não sou mais um deslumbrado por qualquer política ou político de esquerda, como já fui. Hoje, depois de tanta decepção com eles e uma visão mais clara do que a direita política pode fazer de mal a um país, me esforço para discernir politicamente onde devo investir meu voto, e ainda encontro alguns políticos de esquerda que merecem que eu vote neles.
Após o artigo, republico a carta de Evo Morales.
Gilvan Almeida – 21.12.2008

Governo da Bolívia anuncia fim do analfabetismo no país
"Abraham Zamorano”
da Efe, em Cochabamba, 20.12.2008

O governo boliviano anunciou neste sábado (20) o fim do analfabetismo no país andino. Junto com Venezuela e Cuba, planejam se concentrar no Paraguai e Nicarágua para alcançar a mesma meta.
O objetivo de colaborar com esses países foi divulgado pelo ministro venezuelano de Educação, Héctor Navarrona, em Cochabamba, na Bolívia, como medida relacionada a Alba (Alternativa Bolivariana das Américas).
"Missão cumprida diante do povo boliviano e do mundo inteiro", exclamou o presidente da Bolívia, Evo Morales, ao lembrar que "erradicar o analfabetismo" sempre foi um de seus objetivos desde que era candidato.
Em Cochabamba, em uma festa da qual também participou o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, cerca de 5.000 pessoas, muitos deles cubanos e venezuelanos, se concentraram em um complexo poliesportivo para celebrar o fim oficial do analfabetismo no país.
O líder paraguaio destacou que a Bolívia é o terceiro país da América Latina, após Cuba e Venezuela, a alcançar um dos Objetivos do Milênio das Nações Unidas.
"Quando cada paraguaio, cada boliviano, cada argentino e cada brasileiro pouder escrever com próprio punho a história de seu futuro ninguém mais poderá roubar deles a esperança", disse o governante paraguaio.
Lugo também disse receber "com muita alegria" a proposta de Morales de estender o projeto ao Paraguai, o que qualificou de "desejo generoso" do líder boliviano.
A Bolívia, usando o método audiovisual cubano "Eu posso" e contando com apoio financeiro da Venezuela alfabetizou em 33 meses quase 820 mil pessoas, quase 10% da população.
O programa de alfabetização, que Morales transformou em um assunto de Estado, recebeu a doação de 3.000 televisores e videocassetes de Cuba, além de 8.000 painéis geradores de energia para que se pudesse chegar à área rural.
Perfil dos alfabetizados
Cerca de 70% dos alfabetizados pelos quase 50 mil facilitadores foram mulheres, majoritariamente indígenas da área rural, o que para o ministro boliviano de Educação, Roberto Aguilar, demonstra a exclusão à qual estiveram condenadas.
Participaram do programa praticamente a totalidade dos iletrados do país nos mais de 50 mil pontos de alfabetização que foram instalados por todo o país e que resultaram em um índice de alfabetização de 96% da população.
O "Eu posso", segundo explicou o embaixador cubano na Bolívia, Rafael Dausá, se caracteriza também por ser uma versão adaptada à realidade e necessidades do país.
Segundo números oficiais, em idioma quíchua foram alfabetizadas 13,6 mil pessoas e em aimará quase 25 mil.
Entre as lembranças mais comentadas, está o fato de que inclusive crianças se tornaram alfabetizadores como foi o caso de Tupiza, povoado do departamento (Estado) de Potosí, na região sul, onde houve um alfabetizador de 8 anos e uma de 12, segundo o ministro Aguilar.
Apesar de ser um dos países mais pobres do continente junto com Guiana e Haiti, após a campanha que custou US$ 36 milhões, a Bolívia atingiu um marco histórico na frente de potências econômicas da região como Brasil, Argentina e México.
Na celebração, também estiveram o diretor da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação e a Ciência) para a região andina, Edouard Matoco ,e o ex-chanceler argentino Dante Caputo, representando a OEA (Organização dos Estados Americanos).
Além disso, para a ocasião chegaram o vice-presidente do Conselho de Ministros de Cuba, José Ramón Fernández, a titular de Educação desse país, Ena Elsa Velásquez, e seu colega venezuelano Navarro.
O ministro venezuelano reivindicou a integração regional mediante a Alba. "Cubanos, bolivianos e venezuelanos vão à Nicarágua e ao Paraguai também para travar a batalha pela libertação", disse.

Carta postada em 23.10.2006

Acompanho há um bom tempo a trajetória pública de Evo Morales, Presidente de nossa vizinha Bolívia, e admiro o seu pensamento político e ideológico em muitos aspectos (sem deixar de ver os excessos), especialmente aqueles voltados à defesa das riquezas naturais bolivianas e das tradições culturais de seu povo. Secularmente explorados pela potência imperialista da época, como tantos países já foram e são, incluindo o nosso, considero que o trabalho que ele faz nessa defesa dos bens bolivianos é um direito de todos os povos, de dar um fim à exploração. Por isso coloquei nesse espaço essa carta dele.
Gilvan Almeida

Somos irmãos
Evo Morales

Ouvi dizer que os meios de comunicação brasileiros disseram que a Bolívia teria "humilhado" o Brasil. Pode o povo irmão boliviano humilhar o povo irmão brasileiro? É aceitável que, em pleno século 21, estejamos pensando em termos de "humilhação", de "submetimento" ou de "subordinação" quando os destinos de todos os povos sul-americanos estão indissoluvelmente ligados para derrotar a fome, o esquecimento e o colonialismo externo?
Devo lhes dizer com toda a sinceridade que, quando penso no Brasil, penso em um irmão maior, em um povo alegre e dinâmico que, como o boliviano, quer "viver bem", quer acabar com a pobreza e quer ser dono de seu futuro.
Quando, no dia 1º de maio, decretamos a nacionalização de nossos hidrocarbonetos, o fizemos para recuperar um recurso natural que foi inconstitucionalmente privatizado pelos governos neoliberais. Para a Bolívia, não existe futuro sem a recuperação do controle sobre todos os nossos recursos naturais e as empresas estatais privatizadas. Não queremos fazê-lo de maneira negativa, atropelando ou ofendendo. Por isso, propusemos a renegociação de novos contratos com todas as empresas estrangeiras, para que os ganhos sejam distribuídos de maneira mais justa e eqüitativa.
Não queremos abusar de ninguém, não queremos nos aproveitar de ninguém... só o que nós queremos é um trato justo, para que não sobrem migalhas em nosso país e para que possamos começar a construir um amanhã diferente.
Se cheguei à Presidência de meu país, foi graças à luta de muitos anos de meu povo pela nacionalização de nossos recursos naturais. Por isso, a primeira coisa que fiz no governo foi satisfazer esse anseio, atender a esse clamor. Sei que alguns poderosos se sentiram surpreendidos, contrariados e incomodados. Sinto muito, mas já era de começar a chover para todos.
A nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia não tem porque provocar incertezas no Brasil. Mesmo nos momentos mais difíceis de nossa história, nós mantivemos nossas exportações de gás ao Brasil, e vamos continuar fazendo o mesmo. As modificações que estamos negociando não têm porque afetar o consumidor brasileiro, já que são extremamente pequenas, levando em conta que a receita da Petrobras em 2005 foi 24 vezes maior que todas as exportações mundiais da Bolívia no mesmo ano.
Em meus oito meses de governo, aprendi que os grandes ricos e os novos conquistadores não dão a cara a tapas para enfrentar o povo. Não! O que fazem é provocar disputas entre pobres, para nos enfraquecer, para nos desunir, para nos distanciar uns dos outros. Por isso, me entristece muito quando procuram distanciar e provocar um confronto entre os povos irmãos da Bolívia e do Brasil.
Eles, os que sempre estiveram em cima, sabem que em nossa união está a força, que, juntos, somos invencíveis. Por isso a insídia, por isso a mentira, por isso a calúnia. Por isso essa retórica que procura nos converter em seres egoístas que pensamos apenas em nós mesmos, em nosso bem-estar individual, nos esquecendo de que compartilhamos um mesmo continente, um mesmo planeta.
A sorte do Brasil é a sorte da Bolívia, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e de todos os países da região. Em nossos tempos, já não podemos pensar unicamente em termos de país. Juntos, precisamos nos apoiar, precisamos colaborar, precisamos nos compreender uns aos outros.
Entre povos irmãos, precisamos compartilhar, e não competir, precisamos nos complementar e fortalecer nossa unidade sul-americana. Essa é nossa agenda para a próxima reunião da Comunidade Sul-Americana de Nações que terá lugar em Cochabamba, Bolívia.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Disposição e coragem

Estou criando mais disposição e coragem para continuar a escrever no blog,
campo de exercício em que me proponho a aprender a expressar, na forma escrita, verdadeiramente o que penso e sinto, como me situo no mundo, em quê acredito, o que quero para minha vida e qual deve ser o meu papel na construção do bem estar geral.
Para que eu possa saber se isto está realmente acontecendo, preciso de
opiniões, toques amigos, de correções quando algo não estiver no bom
propósito, daí eu estar escrevendo isto pra vocês, leitores. Peço-lhes, quando estiverem dispostos, a participação.
Gilvan

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Ameno - De Eric Levi



Ameno (tradução)

Ameniza

Sinta minha dor
Absorve-me, Toma-me
Sinta minha dor
Liberta-me, Liberta-me
Descubra-me , Descubra meus sinais
Sinta minha dor

Suaviza (esta dor), Conforta-me
Perceba, perceba
Mutilaram-me, Machucaram-me
Liberta-me

Suaviza (esta dor), Conforta-me
Liberta-me
Suaviza (esta dor), Conforta-me

Liberta-me, Ameniza a dor
Ameniza minha dor
Ameniza minha dor

Liberta-me, Senhor
Alivia minha dor, Rei
Ameniza minha dor
Ameniza minha dor

Tira-me esta dor, Senhor

sábado, 22 de novembro de 2008

O poder dos sonhos


“ Os sonhos são fiéis intérpretes de nossas inclinações; mas é necessário uma arte para classificá-los e compreendê-los.” Montaigne - “Da Experiência”, Ensaios.

Enquanto dorme, o homem sonha. Desde tempos imemoriais, parte de sua existência está no mundo dos sonhos.
Sonhar é mais do que passar o tempo durante a noite. É uma experiência. Na experiência há uma mensagem - de você para você mesmo.
Os sonhos são um fato na vida humana. Todos sonham, e os sonhos ajudam a manter um estado de equilíbrio psicológico, uma mente equilibrada. Neste estado do sono certas tensões são descarregadas e certas pressões aliviadas. Esta é apenas uma das razões pelas quais sonhar é necessário.
Os sonhos têm sua própria autonomia e não são limitados por espaço ou tempo. Parece bastante estranho podermos durante um sonho manter conversações sem que uma só palavra seja dita. Podermos ser transportados a diversos lugares completamente diferentes, por vezes muito distantes entre si, sem o uso de qualquer veículo e sem notarmos qualquer lapso de tempo. Simples e repentinamente estamos lá. Objetos, pessoas e animais, familiares ou estranhos, podem aparecer subitamente de parte alguma e desaparecer sem aviso. Contudo, nada disto nos parece estranho ou surpreendente. Tudo que ocorre parece ser muito natural em sua ocorrência... no estado do sonho.
Os sonhos possuem grande significado prático e são reconhecidos como importantes pelas religiões, pelas culturas antigas e contemporâneas e pelo campo da Psicologia.
Por que nem todos recordam seus sonhos?
Edgard Cayce, grande estudioso dos sonhos, encontrou 4 motivos: falta de interesse, exaustão física, impurezas no corpo e materialismo. O primeiro passo para estimular a recordação dos sonhos, segundo ele, é dizer a si mesmo todas as noites , pouco antes de adormecer: “vou recordar meus sonhos”. Um bloco de notas e um lápis devem estar sobre a mesa de cabeceira. Isto ajudará a mente subconsciente a despertar a mente consciente(para registrar), no momento em que for concluído um sonho importante ou logo que despertar.
Há algumas maneiras importantes pelas quais os sonhos lhe podem ser valiosos:
1. Compreender a si mesmo e enfrentar-se;
2. Como orientação prática para o corpo, mente e espírito;
3. Como orientação prática para os problemas do cotidiano;
4. Para registrar a sensitividade psíquica;
5. Como estímulo e inspiração;
6. Informação para a cura do corpo, da mente e do espírito;
7. Expansão da consciência;
8. Estímulo à criatividade;
9. Como registro de experiências psíquicas;
10. Experiências em outras dimensões, como a de fora do corpo;
11.Lembranças de experiências de vidas passadas;
12.Na conscientização de sua responsabilidade para os que dependem de você;
13. No reconhecimento de uma responsabilidade maior para com toda a humanidade, amigos e inimigos;
14. Na descoberta e estabelecimento de comunicação com seu Criador, através do Eu Superior;
15. Desenvolvimento de sua natureza espiritual;
16. Conquista de Paz interior;
17. O mais importante de tudo: aumento de sua capacidade para servir ao semelhante, por meio de melhor compreensão de seus problemas e processos de pensamento.

Os sonhos são experiências reais. Eles nos mostram uma realidade mais profunda de nós mesmos, um encontro mais autêntico com as forças de nossa mente e do nosso espírito. As vivências que ocorrem nos sonhos podem ser poderosas, a ponto de desencadearem mudanças literais em nós: na maneira como pensamos, sentimos e agimos quando acordados.
Os sonhos são muito mais que uma fantasia sem significado. Isso não quer dizer que todo sonho deva ser colocado em ação, literalmente, na vida quando acordado. Em sua maioria, seus acontecimentos são simbólicos. Eles aparecem em forma de imagens. Imagens são símbolos; e estes símbolos são a linguagem de seus sonhos e temos de desenvolver a capacidade de interpretá-los, percebendo assim como transpor melhor essas genuínas experiências do mundo espiritual para a vida física diária. Mesmo que diferentes pessoas possam ter sonhos com imagens/símbolos semelhantes, o sonho terá um significado diferente para cada uma , por causa das experiências individuais, pessoais, em relação àquilo que o símbolo representa. Cada sonho deve ser decifrado de acordo com a situação em que você se encontra, na ocasião em que o ele ocorre.
Assim, é importante na interpretação dos símbolos ver que seu sonho se refere a você, ou seja, você tem o papel principal nele pois, afinal de contas , trata-se de seu sonho. Além de ser a atração principal neste sonho, você deve compreender que também escreve o texto, produz a peça e monta o cenário. E, a não ser em sonhos fora do comum, as outras pessoas que aparecem nos sonhos (nesta peça), são aspectos de seu Eu, partes de seu próprio caráter ou personalidade, ou seja, aquela outra pessoa em seu sonho pode estar se referindo, por exemplo, às suas próprias falhas, virtudes ou atitudes. Ou seja, você observa a sua própria vida de novos ângulos e, ao fazê-lo, pode obter novas e importantes percepções sobre si mesmo. Os padrões morais do indivíduo se refletem com exatidão na clareza e grau de qualidade de seus sonhos.
Em alguns casos, membros da família ou amigos muito chegados ou então parentes retratam-se no sonho. Neste caso, você pode obter valiosas informações sobre seus relacionamentos com essas pessoas.
Assim, cada sonho é criação sua, seu quebra-cabeças, portanto você será seu melhor intérprete. Não se deixe desencorajar. Com a prática, a compreensão se tornará mais fácil. Os sonhos não têm a intenção de ocultar. Geralmente há uma razão para que aconteçam, sendo algumas dessas razões mais importantes que outras. A persistência nos reserva grandes recompensas.
(Texto elaborado com base no livro O PODER DOS SONHOS, de Martin Claret.)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Filho drogado

Uma mulher desesperada, que se sente fracassada como mãe, ao descobrir que o filho, mais uma vez, a estava enganando e continuava usando drogas me diz através de um e-mail: “... descobrimos que ele continua mentindo e fazendo as mesmas coisas, com um distúrbio de caráter muito forte. Perdeu mais uma vez o ano na faculdade e sinto que agora eu e o pai precisamos de uma atitude radical. Mas ainda não conversamos com ele pois está fugindo desse encontro. Acho que tem droga, bebida alcoólica, disfunção de caráter, falta de ética e moral...”
Respondi a ela: “Ao ler sua mensagem pensei inicialmente no "olhar cósmico" citado no livro “Quando Nietzsche chorou”, aquele olhar em que precisamos de um distanciamento emocional para podermos ver com mais clareza o real significado dos acontecimentos tristes e trágicos da vida, que quanto mais do alto pudermos observar, mais veremos que as coisas não são tão trágicas assim, e que têm uma intenção de nos ensinar algo, um aprendizado embutido. Você está precisando fazer mais uso dele, para que seu coração não fique tão confuso, misturando dores, culpas e as responsabilidades que são suas com a dos outros. Preserve-se mais, especialmente começando a se conscientizar mais ainda, no plano emocional, que seu filho é um espírito e você é outro. Assim, possibilita estarem mais presentes o bom senso e a clareza, para ver que você não é a única responsável por tudo isso que a vida dele se transformou. Sei que você sabe disso, mas às vezes recai, como se não soubesse, e voltam-lhe os mesmos sintomas: tristeza, sentimento de fracasso, culpa generalizada, desânimo, falta de perspectiva, auto-punição, auto-sabotagem, menosprezo por si, vontade de fugir. Você não pode nunca deixar de ver que fez o melhor, sempre achando que estava dando o seu amor, sua dedicação, sua vida. Se o outro lado não recebeu toda essa dedicação e intensidade afetivas a culpa não é toda sua (como aparece dentro de seu sentimento), e, ao longo da vida dele, estamos vendo que ele não recebeu mesmo, não só por incompetência de vocês pais, mas por falta de competência dele (aqui não só a intencional, como se fosse sem-vergonhice dele) . Hoje, o que vemos nele é um quadro psicopatológico severo, e que precisa ser abordado por esta ótica. Não basta só os pais "endurecerem" de forma infantilizada, tirando o pirulito do "menino mal-criado" (carro, mesada, mordomias diversas), mas reconhecer o fracasso em determinados ângulos da criação e descobrir, com o auxílio de profissionais da saúde mental, o que é e até onde é, o patológico. A vocês pais cabe mais continuar cumprindo, dentro de uma renovação de valores e de manifestação sentimental, o que lhes foi destinado: dar amor de uma forma cada vez mais justa e orientar este espírito. Ele precisa muito disso, de carinho e compreensão, especialmente de uma forma que possa reconhecer que pode confiar em vocês, que tem em casa um porto seguro.”

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Qual é a sua identidade?

Para Gladys:

Às vezes anoto o que ouço ou leio e que toca o meu coração: frases, trechos de músicas, pensamentos, ditados populares, provérbios, etc. Quando criança eu gostava de colecionar álbum de figurinhas, petecas (bolas de gude), revistas de esporte, etc. Um dia desses descobri que agora eu sou um colecionador de palavras. Tenho diversos arquivos relacionados a isto. Depois que comecei a criar mais coragem e a me expor através da escrita, procuro fazer algumas vezes, como um dia vi a escritora Lygia Fagundes Telles dizer que faz: ela pega uma palavra ou uma frase, coloca em um “anzol”, lança em seu interior e vê o que consegue “pescar” em seus sentimentos e em suas memórias a respeito do assunto. Se algo for “pescado” ela escreve.
Em um dos debates durante o Festival de Cinema de Gramado gostei muito do que o cineasta Murilo Salles falou sobre a protagonista do seu filme Nome Próprio, que é uma mulher em busca de sua própria identidade: “... quando as pessoas morrem sem identidade, descobre-se a identidade delas buscando suas cicatrizes...”
Fiz o que a Lygia me ensinou e consegui “pescar” o que escrevi abaixo:

Qual é a sua identidade?

Sou um ser humano em busca de uma identidade, de algo que me diga verdadeiramente quem eu sou, o que penso, o que sinto, o que gosto e o que quero, independente do que os outros pensam a meu respeito ou do que querem e esperam de mim. Simplesmente por mim mesmo.
Quantos já têm este conhecimento? Você tem?
Qual é a sua identidade? Será esta visível a todos, ou será aquela guardada a sete chaves, e que muito dela não é nem mesmo conhecida por você? Ou você nunca pensou nisto?
Qual será a mais verdadeira das suas facetas psicológicas e comportamentais, a sua verdadeira essência? Ou você prefere não ver pois sofre muito com este doloroso encontro?
Um poeta disse que as cicatrizes de um ser humano podem nos conduzir à sua identidade. Você consegue identificar as suas cicatrizes? Cada uma delas marca no físico um acontecimento, uma dor. Estas são fáceis de serem identificadas, lembrando facilmente como e porquê aconteceram. Já as cicatrizes dos sentimentos, nem sempre são visíveis, e muitas vezes até fugimos delas ou até mesmo fingimos que elas não existem. Você consegue identificar quais foram as feridas, quem as fez ou porque aconteceram? O que você fez ou ainda faz com os sentimentos gerados no momento inicial da dor? E como estão as dores e os sentimentos agora? Quais as feridas que ainda não cicatrizaram completamente, bastando determinadas lembranças para que reabram? Qual a sua responsabilidade para que a cura ainda não tenha acontecido? Por que você ainda insiste em não permitir esta cicatrização? Por que alimenta as feridas no cultivo cotidiano das mágoas ainda tão fortemente presentes em seu coração, como se tudo tivesse acontecido ontem e não há tanto tempo?
É, precisamos aprender mais a nos libertar, a deixar morrer o que nos sufoca e nos aprisiona, que tira nossa alegria, e fazer como a semente, que para um dia poder voltar a ser flor e fruto, precisa deixar-se morrer, para que brote de dentro de si o novo, a vida e a esperança.
(Escrito no Aeroporto de Porto Alegre, enquanto aguardava o vôo para Brasília e Rio Branco.)

domingo, 14 de setembro de 2008

11. Filmes que assisti no Festival de Cinema de Gramado


Votos, comentários e indicações

Logo que se confirmou minha ida ao Festival a disposição para ver muitos filmes era grande. Fiquei um pouco decepcionado quando soube que seriam só onze filmes. Consegui ver quinze nos seis dias da Mostra Competitiva:

1. Dias e noites: Filme de abertura do Festival, não participante da mostra competitiva.

Elenco: Antônio Calloni, José de Abreu, Naura Scheneider e outros.

Sinopse: Atravessando três décadas, a história mostra a trajetória de uma mulher que, ao casar com um rico fazendeiro, enfrenta uma realidade conjugal quase insustentável. Clotilde foi uma mulher que viveu à frente de sua época e não se conformou com o tratamento que recebia do marido. Sofrendo agressões físicas e morais, ela sai de casa, tornando-se uma mulher “desquitada”, mal vista pela sociedade. Após perder todos seus direitos e a guarda dos filhos, Clô inicia uma longa luta para tentar recuperá-los, enfrentando e ajudando a quebrar toda a lógica de uma época em que a mulher era subjugada socialmente

2. Nome próprio

Elenco:Juliano Cazarré, Leandra Leal e outros

Sinopse: “Nome próprio” conta a história de uma jovem mulher que dedica a vida à sua paixão, escrever. Camila é intensa, complexa e corajosa. Para ela, o que interessa é construir uma trajetória como ato de afirmação. Sua vida é sua narrativa. Construir uma narrativa digna o suficiente para que escreva sobre ela. “Nome próprio” é um filme sobre a paixão de Camila. De sua busca por redenção. Quer a literatura como ato de revelação. Para tal, cria vínculos. Carente, os destrói. Por excesso. Por apego. Por paixão. “Nome próprio” é o olhar sobre uma personagem feminina que encara abismos e, disso, retira os amparos que necessita para existir. Para Camila, a vida floresce das cicatrizes de seu processo de entrega absoluta e vertiginosa.

3. Por sus propios ojos

Elenco: Ana Carabajal, Luisa Nuñez, Mara Santucho, Maximiliano Gallo e outros.

Sinopse: Uma estudante de cinema, Alicia, tenta fazer um documentário sobre um tema nada fácil: as mulheres dos presos. Em geral as mulheres resistem à filmagem por temor à condenação social. No meio dessa dificuldade, Alicia conhece Elsa, que tem um filho preso. Entre elas se estabelece um vínculo onde tudo flui como Alicia quer.

4. Vingança

Elenco: Erom Cordeiro, Branca Messina, José de Abreu e outros.

Sinopse: Em uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, Camila, filha de um rico fazendeiro, é violentada e abandonada na beira de um rio. Meses depois, Miguel, um rapaz misterioso e solitário, chega ao Rio de Janeiro e passa a perseguir uma jovem carioca, Carol, com quem inicia um estranho relacionamento. Carol tem um irmão, Bruno, que mora na Austrália e que acabara de chegar ao Rio para passar alguns dias. Juntos eles vão a uma festa, onde Sazão, amigo de Bruno e Carol, é golpeado e quase morto. Sazão não identifica o agressor. Na mesma noite da festa, Camila chega ao Rio de Janeiro e faz revelações que conduzem a história para um novo e inesperado caminho.

5. Mãe de gay – curta metragem

Sinopse: A descoberta da posição sexual de um filho pode trazer surpresas. As reações de uma mãe ao descobrir que seu filho é gay e o modo como encara a situação variam muito. O documentário aborda as relações e conflitos de mães de filhos gays na sociedade atual. “Mãe de Gay” mostra a relação familiar de homossexuais, dando destaque para a mãe que é considerada o alicerce de toda família.

6. Mindelo – atrás de horizonte

Sinopse: O documentário “Mindelo – atrás de horizonte” é o retrato de uma pequena cidade-porto de Cabo Verde, situada no meio do Oceano Atlântico. A câmara segue a vida contemporânea da ilha procurando a cultura crioula de seu povo. Sem comentários, sem entrevistas, sem narração...

7. Netto e o domador de cavalos

Elenco: Werner Schünemann, Tarcísio Filho, Fernanda Carvalho Leite e outros.

Sinopse: “Netto e o domador de cavalos” reconta a mais popular lenda rio-grandense – O negrinho do pastoreio. No início da Guerra dos Farrapos, o General Netto descobre que um antigo parceiro das guerras do sul, o Sargento Torres, está preso. Para libertá-lo, busca a ajuda de escravos rebelados, entre eles, o negrinho, o melhor ginete da fronteira.

8. A encomenda do bicho medonho – curta metragem

Sinopse: David Ferreira, também conhecido como David Barbeiro, é um desses tipos que despertam a curiosidade e a admiração de quem tem a oportunidade de conhecer suas histórias e engenhocas intrigantes. Ainda menino, sonhou com “um bicho grande, feio e medonho” que o mandou construir a primeira das encomendas que receberia nos anos seguintes. A partir daí, vieram mais e mais tarefas, e David foi dando conta de todas.

9. O grão

Elenco: Leuda Bandeira, Nanego Lira e outros.

Sinopse: A velha Perpétua, sentindo a presença da morte, resolve preparar Zeca, seu querido neto, para a separação que se aproxima, contando-lhe a história de um rei e uma rainha, muito ricos e poderosos, que perderam o único filho e que querem trazê-lo de volta à vida. Enquanto Perpétua conta a história, Damião e Josefa trabalham para sustentar a família e preparar o casamento da filha Fátima. Ao final, a história contada por Perpétua e o destino daquela família se cruzam.

10. Perro come perro

Elenco: Marlon Moreno, Oscar Borda e outros.

Sinopse: No mundo do crime da Colômbia há uma lei não oficial. Quando Victor e Eusébio, dois criminosos que trabalham extorquindo dinheiro, desrespeitam as regras, inconscientemente assinam suas próprias sentenças de morte.

11. Pachamama

Sinopse: O filme “Pachamama” título que significa para os indígenas andinos “mãe-terra” e designa a deusa agrária dos camponeses, narra a viagem de um cineasta, o próprio diretor, através da floresta brasileira em direção ao Peru e à Bolívia, onde encontra a realidade de povos historicamente excluídos do processo político de seus países e que pela primeira vez na história buscam uma participação efetiva na construção de seu próprio destino. É uma pequena odisséia de trinta dias pela realidade amazônica e andina, que revela um continente em ebulição, perpassado pela cultura milenar andina, que irradia pelo continente sul-americano substância primordial na constituição de novos paradigmas políticos.

12. A festa da menina morta:

Elenco: Daniel de Oliveira, Jackson Antunes, Juliano Cazarré, Cássia Kiss, Dira Paes, Paulo José (participação especial) e outros.

Sinopse: A Festa da Menina Morta conta a história de Santinho, alçado à condição de líder espiritual numa comunidade ribeirinha do alto Amazonas, a partir de um “milagre” realizado por ele após o suicídio de sua própria mãe. O filme procura ser o retrato íntimo dos envolvidos nesta seita e da capacidade infinita do homem em “criar” fé e buscar um sentido diante de seu horror à morte.

13. O mistério da estrada de Sintra

Elenco: Antônio Pedro Cerdeira, Bruna di Túlio e outros.

Sinopse: Verão de 1870. Dois escritores, Eça e Ramalho. Ramalho é raptado. O desafio está lançado. Escrever um policial a quatro mãos para O diário de Notícias. Será que a história que criaram como ficção é baseada num caso real? Esta é a pergunta que sustenta o conflito entre estes dois escritores, e os afasta num duelo quase mortal entre Sintra e Malta. O folhetim avança, e com ele ameaças, duelos, sexo e intrigas. Lisboa está em alvoroço. Todos se tomam pelo conde atraiçoado. Os crimes sucedem-se numa história onde o amor é mais forte que a tradição, a intriga escapa às evidências e tudo corre freneticamente, como num jogo. Baseado na obra de Eça de Queiroz, O mistério da estrada de Sintra desafia todas as convenções numa acutilante crítica de costumes à romântica sociedade portuguesa do século.

14. Cochochi

Elenco: Luis Antônio Lerma torres, Evaristo Corpus Lerma torres e outros.

Sinopse: Evaristo e Tony, irmãos indígenas do noroeste do México têm apenas o ensino fundamental concluído quando recebem uma tarefa do seu avô: entregar medicamento no outro extremo da Sierra Tarahumara. Tony e Evaristo, temendo a estrada pela frente, decidem pegar o cavalo do avô e partem em uma viagem mais longa do que o esperado.

15. Juventude

Elenco: Paulo José, domingos de Oliveira, Aderbal Freire Filho e outros.

Sinopse: David, Antônio e Ulisses foram amigos a vida toda. Desde sua reunião, ainda adolescentes, para a representação colegial de “A ceia dos cardeais” de Júlio Dantas, o clássico português. Passados 50 anos reúnem-se uma noite para comemorar seu encontro e efetuarem um balanço das suas vidas e, particularmente, seus amores. “Juventude”, título do filme, trata-se de um estudo da psicologia e problemática dos homens entre 65 e 70 anos. O trabalho conteve em sua gênese a intenção de resultar num filme belo e profundo, além de engraçado, que estude sem medo e francamente a situação psicológica e filosófica dos “Cardeais”. Homens inteiros, ainda sem os beneplácitos da senilidade, no entanto próximos e diante de seu próprio fim.

Comentários:

A mostra competitiva aconteceu entre os dias 10 e 15, sendo um filme na abertura e dois (um nacional e um estrangeiro) nas noites subseqüentes. Durante o dia participava dos debates sobre os filmes da noite anterior, reuniões, passeios na cidade e em duas tardes consegui ver dois curtas e um longa metragem.
Como disse anteriormente, o Júri Popular avaliava os filmes somente pelo aspecto afetivo, mas não me concentrei somente neste critério. Já não consigo ver um filme sem olhar e avaliar trilha sonora, direção, edição, interpretação dos atores, fotografia, figurino. Para mim, cinema não é só diversão e pipoca. Antes de ver qualquer filme pergunto-me: com base na sinopse, opinião de amigos, leitura de críticas especializadas e outras notícias da mídia, tenho real interesse e a necessária disposição para gastar duas horas do meu tempo para ver este filme? Acho que vai me trazer algo de útil, que possa contribuir para o meu crescimento? Com base nestas perguntas já descarto grande parte dos filmes atuais, xaropadas totalmente previsíveis, comédias sem graça, romances pueris, violências e terrores gratuitos. Alguns diretores e atores já me ganharam a credibilidade e vejo todos os filmes que encontro deles. Dos diretores destaco Akira Kurosawa, Fellini, Ingmar Bergman, Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick, Pedro Almodóvar, Cacá Diegues, Sidney Lumet, Costa-Gravas, Fernando Meirelles, Ettore Scolla e outros. Dentre os atores e atrizes acompanho os filmes de Meryl Streep, Nicole Kidman, Jack Nicholson, Morgan Freeman, Dustin Hoffmann, Al Pacino, Johnny Deep, Robin Willians, Anthony Hopkins, Cate Blanchett, Daniel Day-Lewis, entre outros.
Após um filme procuro ver se a história me chamou e me prendeu a atenção; se o filme tocou o meu coração; se a interpretação dos atores e a direção me convenceram, e fizeram com que eu conseguisse realmente acreditar e entrar de cabeça e coração no filme. Nada mais frustrante do que ver que os atores estão somente representando, sem estar vivendo o personagem (sinto-me enganado); do que perceber falhas na continuidade e mudança das cenas, seja em cenários como no figurino, na maquiagem. Acho que estão querendo me fazer de bobo quando vejo o(a) ator/atriz carregando mala vazia em aeroportos ou boneca em lugar de um bebê.
Por esta minha forma de ver o cinema, considerei fracos grande parte dos filmes que vi. Gostei do primeiro filme da mostra competitiva, Nome próprio, pelo enredo atual (internet, cidade grande e relacionamento humano), pela direção que trabalhou de forma pouco usual com a iluminação e os ângulos das câmeras, e, especialmente, pela bela e forte interpretação da atriz Leandra Leal. Já neste dia vi que dificilmente ela perderia o troféu de melhor atriz, o que veio a se confirmar. Achei totalmente insossos, sem brilho e com pouca qualidade interpretativa e artística em geral os filmes Netto e o domador de cavalos, Vingança e Juventude. Todos estes com bons argumentos, atores e diretores, mas o conjunto do trabalho não me convenceu, não me tocou, especialmente Juventude, que me gerou uma boa expectativa quando li a sinopse e encontrei algumas semelhanças com o filme canadense As invasões bárbaras, Oscar de melhor filme estrangeiro em 2004, que tenho em minha lista de melhores filmes que já vi, onde velhos amigos se reencontram, após saber que um deles está prestes a morrer, e relembram o passado. Fiquei decepcionado, achando que perderam a oportunidade de fazer um grande filme, e não entendi o entusiasmo da platéia após a exibição e depois a quantidade de prêmios recebidos. Pareceu-me que os prêmios foram mais voltados a homenagens pessoais do que pela qualidade artística da obra.
Quanto ao filme Pachamama, que também concorreu, não consegui colocá-lo no mesmo patamar dos outros, porque é um documentário e os outros ficção. O mesmo aconteceu com Mindelo – atrás de horizonte, que também é um documentário, na mostra de filmes estrangeiros. Ambos são bons documentários e deveriam concorrer em uma categoria própria e não junto com ficção.
Chegou a última noite da mostra e meu voto continuava com o filme Nome próprio, quando foi exibido o filme A festa da menina morta, que me conquistou a mente, o coração e o voto de melhor filme, porque encontrei nele uma completude que atendeu melhor que Nome próprio meus critérios do que deve ter um bom filme, especialmente pela competente abordagem de temas como religiosidade messiânica, incesto, meio ambiente, espiritualidade, transtorno mental, cultura amazônica, crenças populares, além de música e fotografia na medida certa.
Na mostra de filmes estrangeiros gostei muito do argentino Por sus propios ojos e do colombiano Perro come perro, dois filmes com enredos, interpretações e direções consistentes, que abordam com dramaticidade equilibrada a violência em nossa América Latina, mostrando algo que não soa estranho à realidade brasileira. O mexicano Cochochi e o luso-brasileiro O mistério da estrada de Sintra têm uma qualidade inferior, mas considerei-os melhores que os brasileiros Netto e o domador de cavalos, Vingança e Juventude, e que o filme Dias e Noites, que não concorreu na mostra competitiva. Votei em Perro come perro.
De todos os filmes que vi em Gramado o que mais me tocou o sentimento foi o nordestino “O grão” . Caso ele estivesse na mostra competitiva teria ganho meu voto de melhor filme. Acredito que muito tenha influenciado em minha receptividade a ele o ambiente em que o filme se passa – o nordeste árido e pobre, a vida de pessoas simples e trabalhadoras, realidade que imagino muito semelhante à que meus pais viveram lá antes de migrarem ainda jovens com suas famílias para o norte, na segunda guerra mundial. Outro aspecto que valorizei foi a inteligência e a sensibilidade do diretor em transpor uma lenda oriental para dentro da realidade sofrida do nordeste brasileiro, fazendo um casamento que considerei perfeito, como também a magistral interpretação, no papel da avó, feita pela atriz Leuda Bandeira. Veja trecho do filme: http://mais.uol.com.br/view/a56q6zv70hwb/18-cine-ceara--o-grao-040264DCC903C6?types=A&
Também gostei muito do curta “Mãe de gay”, direção de Carlos Xarão, colega do Júri Popular, que ganhou dois prêmios Galgo de ouro na categoria Vídeo Universitário Gaúcho, como melhor Documentário e prêmio do Júri Popular. De forma simples, direta e profunda o filme mostra as vítimas do preconceito e da discriminação social contra homossexuais, revelando o sentimento sob a pele tantas vezes massacrada de gays e suas mães. Veja o filme no site http://www.metodistadosul.edu.br/sites/universoipa/webjornalismo/geral/gramado/mae.html
Meus votos em A festa da menina morta e em Perro come perro coincidiram com os votos do Júri da crítica.

Em resumo: Dos filmes que vi no Festival indico Nome próprio, A festa da menina morta, Por sus propios ojos, Perro come perro e O grão, além do curta Mãe de gay.

Observação: As sinopses dos filmes foram transcritas da revista oficial do Festival, sendo que a do filme Mãe de Gay foi retirada do site http://www.metodistadosul.edu.br/

sábado, 6 de setembro de 2008

1. Minha experiência no Festival de Cinema de Gramado-RS

1. Como fui escolhido para ir a Gramado:
Minha filha Mariana me informou que o Jornal A Gazeta havia lançado um concurso para escolher um acreano para ser membro do Júri Popular do Festival de Cinema de Gramado, que aconteceria entre 10 e 16.08.2008, e me incentivou a participar. Aceitei de imediato e fiz estas quatro frases:
1. “Cinema brasileiro: desde o pioneiro Humberto Mauro, a câmera, a luz, a idéia e o talento brasileiro revelando sonhos e cultura através da 7ª arte.”
2. “Sonho, realidade, fantasia, imaginação e arte, o cinema brasileiro alimenta o imaginário de nosso povo, unindo-nos em fé, esperança, cultura, cidadania, nacionalidade e consciência do nosso valor.”
3. “O cinema brasileiro embala os sonhos da infância; desperta a consciência revolucionária em nossos jovens; alimenta a força do coração dos adultos e reconhece a importância e o valor dos idosos. Arte a serviço do povo.”
4. "De norte a sul, o cinema brasileiro evidencia e une a diversidade cultural brasileira, conduzindo através da fantasia, do talento e da imaginação, as mentes e corações em direção à essência artística de nossa brasilidade."
No final de julho recebi um telefonema da editora de A Gazeta, Maíra Martinello, me dando a agradável notícia que minha frase - número 3 - havia vencido o concurso. Fiquei muito feliz e, em seguida liguei para a Mariana, que vibrou muito com minha vitória.
(Continua)

2. Origem do símbolo do Festival


KIKITO - "O DEUS DO BOM HUMOR"
Num dia cinzento, Elisabeth Rosenfeld teve a idéia de criar algo para dissipar o mau humor, algo que ajudasse a vencer as amarguras da vida. Surgiu, assim, uma figura risonha: o Kikito, o deus do bom humor. Esta estatueta, devido ao seu êxito imediato, passou a ser o símbolo da cidade de Gramado, e depois, o símbolo e prêmio máximo dos Festivais de Cinema Brasileiro que desde 1973, oficialmente, realizam-se nessa cidade. Como troféu do Festival, mede 33 cm de altura, foi confeccionado em madeira de imbuia até o ano de 1989. A partir de 1990 passou a ser feito de bronze. De símbolo de uma cidade a prêmio de Festival, foi um salto. Romeu Dutra, em fins de 1970, levou o exemplar do Kikito para Ricardo Cravo Albim, então presidente do Instituto Nacional do Cinema - INC. Ricardo se agradou da estatueta e sugeriu, na ocasião, que a tomassem como troféu máximo dos Festivais de cinema, ainda que alguns preferissem a Hortênsia de Ouro. Este encontro foi marcado pelo ator gaúcho José Lewgoy. Desde a criação do Kikito, por Elisabeth Rosenfeld, também a mãe do artesanato gramadense, esta estatueta tem sido confeccionada pelo escultor Orival da Silva Marques, o "Xixo", que trabalhava com Elisabeth nos primeiros anos do Festival. Elisabeth Rosenfeld faleceu em 24 de janeiro de 1980.
Texto extraído do livro "Festival de Cinema Brasileiro de Gramado",de Luis Carlos Carrion, pág, 23.

3. A organização do Festival, os júris e as premiações


O Festival de Cinema de Gramado é integrante do calendário internacional de festivais de cinema, consagrado pela imprensa nacional e internacional.Conforme o Parágrafo único, Artigo 1º, do Regulamento Geral, “o FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO é uma mostra internacional de cinema com atenção especial para o Cinema Brasileiro e para as cinematografias autorais e de produção independente, em particular, mas não exclusivamente, os cinemas da América Latina e dos países de língua latina.”
Acontecem, durante o Festival, quatro mostras de cinema:
3.1.Competição de filmes de longa-metragem de ficção e documentários estrangeiros;
3.2.Competição de Filmes de longa-metragem de Ficção e Documentários Brasileiros;
3.3.Competição Nacional de Filmes de Curta-metragem, e
3.4. Mostra de Filmes de Curta-metragem Gaúchos, coordenada pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul em conjunto com as entidades de classe do Estado do Rio Grande do Sul.
Aos filmes brasileiros e estrangeiros de longa metragem são destinados os seguintes prêmios: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro e Melhor Fotografia. Os júris de premiação dos filmes de longa-metragem poderão ainda atribuir, a seu critério, um Prêmio Especial do Júri e um Prêmio Especial de Qualidade Artística.
Os prêmios destinados aos filmes brasileiros de curta metragem são: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro e Melhor Fotografia.
Em paralelo à premiação dos júris oficiais – Júri filmes longa-metragem brasileiros, Júri filmes longa-metragem estrangeiros, Júri filmes curta metragem e Júri filmes Mostra Gaúcha, todos com cinco membros cada - o 36º FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO inclui em sua programação prêmios concedidos por um Júri da Crítica, um Júri Popular e um Júri de Estudantes de Cinema.
a) Júri da Crítica: Formado por críticos de cinema, coordenado pela Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro, e com sete integrantes apresentados ao FESTIVAL antes de seu início, o Júri da Crítica irá entregar um prêmio ao melhor filme de longa-metragem brasileiro e ao melhor filme de longa-metragem estrangeiro.
b) Júri Popular: Formado por quatorze espectadores de diferentes estados do país, convidados pela Comissão Executiva do 36º FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO a participar do evento, o Júri Popular irá entregar um prêmio ao melhor filme de longa-metragem brasileiro e ao melhor filme de longa-metragem estrangeiro.
c) Júri de Estudantes - Formado por até nove estudantes de Cinema convidados pela Comissão Executiva do 36º FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO a participar do evento, o Júri de Estudantes irá entregar prêmios a filmes de longa-metragem brasileiros, filmes de longa-metragem estrangeiros e filmes de curta-metragem brasileiros.
Art. 20º: Paralelamente às mostras competitivas, serão realizadas outras projeções e eventos de interesse do desenvolvimento cultural cinematográfico, como retrospectivas, homenagens, seminários e os três prêmios especiais que o FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO atribui a cada ano, o Troféu OSCARITO, o Troféu EDUARDO ABELIN e o KIKITO DE CRISTAL.
(Continua)

4. A viagem, a recepção e as primeiras observações

Nos preparativos para a viagem soube que o jornalista Cleber Borges, do Jornal A Gazeta, também iria a Gramado, fazer a cobertura jornalística do evento, o que muito aliviou a ansiedade em que eu estava. Chegamos ao aeroporto de Porto Alegre dia 09 de agosto, à noite, temperatura de 14º C, onde já nos aguardavam, e fomos direto para Gramado, cidade situada na serra gaúcha, a 850 metros acima do nível do mar, fundada por alemães e italianos, e uma população de 33.000 habitantes.Ao nos aproximarmos da cidade comecei a ver outdoors informando sobre o festival, sinais do grau de importância artística, turística e econômica do evento para o município, o que foi se confirmando quanto mais chegávamos à área urbana, através de cartazes, banners e estátuas do Kikito (símbolo do festival e prêmio destinado aos melhores) nos cruzamentos das ruas. Nos dias seguintes vi melhor como uma cidade, uma comunidade, se prepara para um evento cultural. Gramado “vivia” o cinema, “transpirava” cultura naqueles dias, no maior dos 300 eventos que acontecem anualmente, segundo o Prefeito Municipal. Admirável o empenho e a preparação das pessoas, moradores e alunos das escolas, para bem receber os visitantes e também vivenciar o que acontece no festival.Fomos levados ao Hotel e Pousada “Sossego do major”, onde ficaram hospedados os membros do Júri Popular. Temperatura no momento da chegada: 2º C.
(Continua)

5. O Júri Popular

O Júri Popular da 36ª edição do Festival era composto de 14 membros, todos selecionados através de concursos semelhantes ao que aconteceu em Rio Branco. Havia representantes do Acre(1), Pará(1), Rio Grande do Norte(1), Minas Gerais(1), Rio de Janeiro(1), São Paulo(1), Bahia(1), Pernambuco(1), Rio Grande do Sul(5) e Paraná(1). A atribuição deste júri era eleger os melhores filmes nacional e estrangeiro, por uma escolha afetiva e não técnica. Representávamos o olhar e o coração do público.
(Continua)

6.Inicia-se o Festival:

Dia 10 de agosto, pela manhã, fomos conduzidos ao Centro de Eventos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sede da organização administrativa do Festival, onde estavam a Secretaria; os estandes de exposição de empresas de cinemas e outras mídias; equipamentos eletrônicos e de telecomunicações; salas de entrevistas coletivas; salas de debates e exibição de curtas-metragens, e um local decorado com símbolos das tradições da cultura gaúcha, onde fui com freqüência tomar chimarrão.Fomos bem recebidos pelas secretárias e pelo Flávio Borges, responsável em atender todas as necessidades dos membros do Júri Popular. O material destinado a cada jurado já estava pronto e personalizado – crachá, bolsa, folders, programação do festival, folhetos com orientações sobre pontos turísticos, lista dos restaurantes onde poderíamos fazer as refeições. Em seguida tivemos uma reunião com Ana Mota e Sérgio Sanz, ela responsável pela Comunicação e ele um dos curadores do festival, ocasião em que recebemos as orientações necessárias para fazermos um bom trabalho, com os devidos cuidados para a preservação do sigilo quanto as nossas escolhas dos melhores filmes, que só poderiam ser revelados após a exibição do último filme da amostra competitiva.Às 17 horas de domingo, dia 10, na rua coberta, em frente ao Palácio dos Festivais, aconteceu a abertura do Festival, com a presença de autoridades municipais e estaduais, artistas, produtores, cineastas, e grande número de populares, tendo a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre apresentado diversas peças musicais.Em seguida os convidados caminharam sobre o tapete vermelho até o Palácio dos Festivais, onde aconteceram as exibições dos filmes concorrentes.
(Continua)

7.Os filmes

Segundo o curador José Carlos Avelar, a pré-seleção dos filmes foi feita por uma comissão de cinco membros. Foram inscritos 43 filmes nacionais e 12 internacionais. A seleção oficial de filmes para a amostra competitiva ficou assim constituída: Seis Filmes nacionais e cinco Filmes estrangeiros.

7.1. Mostra competitiva filmes brasileiros longa-metragem:

-A festa da menina morta, direção de Matheus Nachtergaele;
-Juventude, direção de Domingos de Oliveira;
-Netto e o domador de cavalos, direção de Tabajara Ruas;
-Nome próprio, direção de Murilo Salles;
-Pachamama, direção de Erik Rocha, e
-Vingança, direção de Paulo Pons.

7.2. Mostra competitiva filmes estrangeiros longa-metragem:

-Cochochi, direção Israel Cárdenas e Laura Guzman, México;
-Mindelo – atrás de horizonte, direção de Alexis Tsafas, Cabo Verde;
-O mistério da estrada de Sintra, direção de Jorge Paixão da Costa, Portugal;
-Perro come perro, direção de Carlos Moreno, Colômbia, e
-Por sus propios ojos, direção de Liliana Paolinelli, Argentina.

7.3. Mostra competitiva filmes brasileiros curta-metragem:

-Areia, de Caetano Gotardo;
-Blackout, de Daniel Rezende;
-Booker Pittman, de Rodrigo Grota;
-Dossiê Rê Bordosa, de César Cabral;
-Espalhadas pelo ar, de Vera Egito;
-Hiato, de Vladimir Seixas;-Homens, de Lúcia Caus e Bertrand Lira;
-Noite de domingo, de Rodrigo Hinrichsen;
-O presidente dos Estados Unidos, de Camilo Cavalcante;
-Osório, de Heloísa Passos e Tina Hardy;
-Subsolo, de Jaime Lerner, e
-Um ridículo em Amsterdã.

7.4. Mostra Gaúcha – Prêmio Assembléia Legislativa de Cinema:

-Cortejo negro, de Diego Muller;
-DOC 8, de Christian Schneider;
-Dois coveiros, de Gilson Vargas;
-Fome de quê?, de Luiz Alberto Cassol;
-Impoliticamente correto, de Pedro Breitman e Maurício Gyboski;
-Mamãe, eu não queria!, Bibiana Mandagará;
-Mesa de bar, de Pedro Nora e Tiago Ribeiro;
-Mímesis, de Francisco Antunes;
-O sete trouxas, de Márcio Schoenardie;
-O vazio além da janela, de Bruno Polidoro;
-Os boçais, de Lufe Bollini;
-Primogênito complexo, de Tomás Creus e Lavínia Chianello;
-Rosário dos navegantes, de Éverson Godinho;
-Sótão, de Rogério Souza;
-Subsolo, de Jaime Lerner;
-Tradição, tradição, de André Wofchuk, e
-Um dia como hoje, de Eduardo Wannmacher.

Mostra Paralela:

A exibição destes filmes, que não concorriam aos Kikitos, aconteceu no Palácio dos Festivais, no Centro de Eventos da UFRGS, no Centro Municipal de Cultura e em 11 bairros da cidade.

1. Especiais Gramado 2008:

-Crítico, de Kleber Mendonça Filho;
-Manhã transfigurada, de Sérgio de Assis Brasil;
-O aborto dos outros, de Carla Gallo;
-O grão, de Petrus Cariry;
-O mistério do samba, de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, e
-O retorno, de Rodolfo Nanni.

2. Mostra Marrocos:

-Marock, de Laila Marrakchi, e
-Tenja, de Hassan Legzouli.

3. Mostra Paralela:

-A casa de Alice, de Chico Teixeira;
-Caixa dois, de Bruno Barreto;
-Doutores da alegria, de Mara Mourão;
-O banheiro do papa, de Enrique Fernández;
-Nossa Senhora de Caravaggio, de Fábio Barreto;
-O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hambúrguer;
-O mundo em duas voltas, de David Schürmann, e
-Saneamento básico, o filme, de Jorge Furtado.

4. Mostra Infantil:

-Turma da Mônica;
– uma aventura no tempo, de Maurício de Souza;
-O cavaleiro Didi e a princesa Lili, de Marcos Figueiredo;
-Os porralokinhas,
-Xuxa em sonho de menina, de Rudi Lagemann.

5. Revelando brasis:

-A encomenda do bicho medonho, documentário de André da Costa Pinto;
-De tempos em tempos, documentário de Ana Johann;
-Manã Bai, documentário de Zezinho Yube, e
-O grande balé de Damiana, ficção de João Loureiro Jr.

6. 32ª Mostra Competitiva de Cinema Super-8:

-15 concorrentes.
(Continua)

8. As homenagens

Receberam homenagens do 36º Festival de Cinema de Gramado e da cidade de Gramado as seguintes personalidades do cinema:

8.1. Troféu Oscarito: ator Walmor Chagas;

8.2. Troféu Eduardo Abelin: cineasta Júlio Bressane - Brasil;

8.3. Kikito de cristal: cineasta Julio Garcia Espinosa – Cuba, pelo conjunto da obra;

8.4. Homenagem especial da cidade de Gramado: ator Renato Aragão.
(Continua)

9. Os Vencedores do Prêmio Kikito


9.1. Longa-metragem brasileiro:
Melhor filme de longa-metragem: ‘Nome próprio’, de Murilo Salles
Melhor diretor: Domingos Oliveira, pelo filme ‘Juventude’
Melhor ator: Daniel de Oliveira, pelo filme ‘A festa da menina morta’
Melhor atriz: Leandra Leal, pelo filme ‘Nome próprio’
Melhor roteiro: Domingos Oliveira, pelo filme ‘Juventude’
Melhor fotografia: Lula Carvalho, pelo filme ‘A festa da menina morta’
Prêmio especial do júri: ‘A festa da menina morta’, de Matheus Nachtergaele
Prêmio de qualidade artística: para os Atores Aderbal Freire Filho, Domingos Oliveira e Paulo José, pelo filme ‘Juventude’
Melhor diretor de arte: Pedro Paulo de Souza, pelo filme ‘Nome próprio’
Melhor música: Matheus Nachtergale, pelo filme ‘A festa da menina morta’
Melhor montagem: Natara Ney, pelo filme ‘Juventude’
Prêmio da crítica: ‘A festa da menina morta’, de Matheus Nachtergale
Melhor filme do júri popular: ‘A festa da menina morta’, de Matheus Nachtergale
9.2. Longa-metragem estrangeiro:

Melhor filme: ‘Cochochi’, de Israel Cardenas e Laura Guzman
Melhor diretor: Carlos Moreno, pelo filme ‘Perro come perro’
Melhor ator: Marlon Moreno e Oscar Borda pelo filme ‘Perro come perro’
Melhor atriz: Ana Carabajal pelo filme ‘Por sus propios ojos’
Melhor roteiro: Liliana Paolinelli pelo filme ‘Por sus propios ojos’
Melhor fotografia: Juan Carlos Gil pelo filme ‘Perro come perro’
Prêmio especial do júri: para ‘Por sus propios ojos’
Prêmio de qualidade artística: para ‘Cochochi’
Excelência de linguagem técnica: ‘Cochochi’, de Israel Cardenas e Laura Guzman
Prêmio da crítica: ‘Perro come perro’, de Carlos Moreno
Melhor filme do júri popular: ‘Por sus propios ojos’, de Liliana Paolinelli
9.3. Curta-metragem:

Melhor filme: ‘Areia’, de Caetano Gotardo
Melhor diretor: Jaime Lerner, pelo filme ‘Subsolo’
Melhor ator: Augusto Madeira, pelos filmes ‘Blackout’ e ‘Noite de domingo’
Melhor atriz: Malu Galli, pelo filme ‘Areia’
Melhor roteiro: César Cabral e Leandro Maciel, por ‘Dossiê Rê Bordosa’
Melhor fotografia: Heloisa Passos, por ‘Areia’
Prêmio especial do júri: ‘Booker Pittman’, de Rodrigo Grota
Melhor diretor de arte: José de Aguiar, pelo filme ‘Booker Pittman’
Melhor música: Booker Pittman, pelo filme ‘Booker Pittman’
Melhor montagem: César Cabral e Leandro Maciel, pelo filme ‘Dossiê Rê Bordosa’
Prêmio da crítica: ‘Booker Pittman’, de Rodrigo Grota
9.4. Mostra gaúcha:

Melhor filme: ‘Um dia como hoje’, de Eduardo Wannmacher
Melhor direção: Diego Muller, por ‘Cortejo negro’
Melhor roteiro: Eduardo Wannmacher, por ‘Um dia como hoje’
Melhor fotografia: Fernando Vanelli, por ‘Cortejo negro’
Melhor direção de arte: Rita Faustini, por ‘Os sete trouxas’
Melhor música: Fausto Prado, por ‘Subsolo’
Melhor montagem: Fábio Lobanowsky, por ‘Um dia como hoje’
Melhor edição de som: Cristiano Scherer, por ‘Rosário dos navegantes’
Melhor produtor/ produtor executivo: Pablo Muller, por ‘Cortejo negro’
Melhor ator: Júlio Andrade, por ‘Um dia como hoje’
Melhor atriz: Carolina Sudat, por ‘Um dia como hoje’
(Continua)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

10. Conclusão: Alguns comentários e reflexões





-Por tudo o que vivi naqueles dias, se antes eu já gostava muito de cinema, lazer que tenho desde criança, agora estou gostando muito mais. A convivência com pessoas que trabalham na área técnica do cinema (roteiristas, diretores, produtores, etc) e também com estudantes de cinema, ampliou minha visão e interesse por esta arte. Pude ver que o cinema é muito mais do que ver um filme, e o festival é bem mais que glamour, artistas deslumbrados, tietes buscando autógrafos e fotos com seus ídolos, busca de lucros, um mundo de ficção e fantasia. Pude ver também seriedade nos realizadores, na busca honesta da divulgação da cultura nacional e internacional; a luta para a aquisição de financiamentos; os anos de pesquisa sobre a história e a elaboração dos personagens de um filme, enfim, a grande luta que é fazer cinema no Brasil.
Muito interessante era assistir aos debates que aconteciam no dia seguinte às exibições dos filmes competidores, ocasião em que diretores, atores, roteiristas e produtores, perante a imprensa especializada, jurados, críticos, estudantes de cinema e público interessado, respondiam perguntas e explicavam tudo o que estava envolvido naquele filme, desde o surgimento da idéia, até as pesquisas históricas, formação do elenco, a intenção da colocação das músicas, a fotografia, como também a simbologia, o significado do que ocorre em cada cena, qual o pensamento e a intenção do diretor em cada tomada.
Um aspecto que também considerei valioso foi ver o cinema como fator de integração cultural com outros países (Argentina, México, Colômbia, Portugal e Cabo Verde), fazendo-nos ver, através dos filmes e dos realizadores que vieram, as vivências, alegrias, dificuldades cotidianas de outros povos, tão semelhantes ao que nosso povo vive.
Outro ponto importante que observei foi a presença da comunidade gramadense dentro do evento. Presenciei grupos de escolares nos locais do festival. Alunos das escolas municipais são envolvidos antes e durante o festival com o estudo e trabalhos sobre o cinema, e há um projeto de Educação Cinematográfica nas escolas de 1º grau de Gramado, destinado à formação de público para o cinema, na faixa etária de 9 a 14 anos, com aulas de como ver cinema – educação para ver cinema (Informação de José Carlos Avelar um dos curadores do Festival). Também vi durante o evento um grupo de surdos-mudos, que pediu à atriz Ingra Liberato uma intercessão, e ela, na entrega dos Kikitos, falou em nome deles, solicitando aos realizadores a colocação de legendas em filmes brasileiros. Também fez parte da programação a exibição de filmes em onze bairros da cidade, como também os filmes que passavam à noite para os júris e convidados eram reprisados pela manhã para o público.
As vivências e as informações recebidas durante o festival ampliaram a minha visão do cinema como importante divulgador da cultura nacional, através da valorização da história, da religiosidade, da política, das manifestações artísticas populares, dos conflitos e dramas humanos; sendo também fator gerador de intercâmbio cultural, além de gerador de empregos, rendas e negócios.
Durante o Festival aconteceu o “Café e Negócios de Cinema”, com uma programação voltada para o intercâmbio e o estímulo aos negócios no setor cinematográfico.
Hoje posso entender melhor as razões deste Festival ter se transformado, em 36 anos de existência, no maior festival de cinema do Brasil e da América Latina. A filosofia do Festival de Cinema de Gramado, segundo o curador Avelar, é que ele não é um campeonato onde um ganha e os outros perdem. Ser selecionado para participar já é uma vitória para todos os participantes. Ele é fruto de uma parceria da produção cinematográfica nacional, pública e privada, tendo à frente a Prefeitura Municipal de Gramado. Hoje o Rio Grande do Sul é o 3º mercado de cinema do país, sendo o 1º São Paulo e o 2º o Rio de Janeiro.

-A cultura cinematográfica brasileira não consegue se expressar nos meios convencionais de mídia. Anualmente são produzidos, em média, 70 filmes no Brasil, com 60 a 70% do público de cinema localizado em Rio de Janeiro e São Paulo, e estimativa de 90.000.000 de espectadores em todo o país. As redes de TV e os jornais escritos dão muito pouco espaço para a divulgação destes filmes e para a crítica cinematográfica, além da maioria das 2.200 salas de cinema existentes no país estarem sempre disponibilizadas para os filmes estrangeiros, especialmente os dos Estados Unidos. Por todas estas limitações aliadas aos altos preços dos ingressos, o povo está cada vez mais distante das salas cinematográficas, daí a importância dos festivais para ampliar a divulgação do cinema nacional.

-Ver um filme me dá a oportunidade de me encontrar comigo mesmo, identificando-me com um ou mais personagens, vendo a minha própria história, obtendo muitas vezes alívio e força para continuar, ao ver como outros vivem, convivem e resolvem dramas semelhantes aos que estou sentindo. Por isto que o cinema é mágico, envolvente, porque mexe com o nosso interior, toca sentimentos nem sempre conscientes, investiga dores e amores, fazendo-nos algumas vezes vivenciar situações sofridas ou alegres, daí o choro, a tristeza, a alegria, o riso que eles nos despertam. Por isto que ele também pode ser terapêutico.
O cinema traz à tona as nossas raízes mais profundas, e a gente se vê em circunstâncias trazidas de uma maneira trágica, dramática, triste, ridícula ou cômica. É possível viver aquilo que não temos coragem, que fugimos em nossa vida cotidiana, através dos personagens, dos nossos heróis que fazem a trajetória que a gente gostaria de realizar.
Dos filmes guardamos uma lembrança afetiva, o que toca a nossa sensibilidade, pois eles despertam em nossa memória algo que já sentimos e vivenciamos, que identificamos também como nosso, tal qual o personagem representa. É bom observar, enquanto assistimos um filme, o que nos provoca impacto emocional, como fica nossa reação afetiva, o que desperta sentimentos, seja de raiva, antipatia, alegria, identificação, desprezo, pelos personagens da história. Pergunte-se o que este filme lhe diz? O quê e onde ele lhe toca? Por que gosta ou não gosta?

-Em muitos momentos sentia-me em Gramado como se estivesse em um outro país, pois é um lugar muito diferente da realidade cotidiana em que vivo. Procurei e não encontrei nas ruas mendigos, menores abandonados, guardadores de carro e cães vadios; não vi cercas elétricas nas residências – aliás, causou-me espanto ver que muitas casas nem cerca têm; nem esgoto a céu aberto ou lixo nas ruas.
Causou-me ótima impressão ouvir o Prefeito Municipal dizer que há 300 eventos por ano naquela cidade. Fiquei imaginando o fluxo de gente que circula por lá, fazendo crescer o volume dos negócios comerciais, financeiros e turísticos, ampliando e mantendo a geração de empregos, o que proporciona um alto padrão de qualidade de vida àquela comunidade.

Concluindo: tenho grande admiração pela arquitetura, em especial a estética das casas, prédios, templos religiosos e outras construções que expressam a cultura e a forma de vida e de convivência de um povo com a natureza. Gramado encheu-me os olhos de grande beleza pela influência européia, principalmente a germânica, em suas construções, conforme as fotos acima demonstram.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O tiozão

Recebi o seguinte e-mail de uma amiga: “...Que tal produzir um texto sobre os "tiozãos" (quarentões, cinquentões e até sessentões), que acham que podem competir com os filhos jovens e saem paquerando as "menininhas"?”. Pedi que ela escrevesse mais sobre o assunto e ela respondeu: “Não tenho uma tese "científica", apenas observações do cotidiano vivido em um ambiente predominantemente masculino. Pelas conversas e atitudes, percebe-se que eles se sentem tão à vontade quanto qualquer garotão, quando se trata de dar em cima das garotas, mesmo havendo leis que punem a pedofilia. Historicamente, parece que esse interesse era mais disfarçado (e até mais aceito socialmente): vide as visitas dos senhores de engenho às senzalas e dos seringalistas com as filhas dos seringueiros; na literatura, onde os escritores, ao falar de seus personagens adolescentes, talvez estivessem homenageando alguém especial para eles (Lolita, Alice no País....Ariel, etc.). Sei que não justifica o mau-caratismo desses “lobos-maus”, mas hoje há uma exposição tão exarcebada das "ninfetas", alimentada pela mídia, que elas "transpiram" sensualidade já com 13, 14 anos. Os "caras" devem ficar malucos. Imagina, uma "gatinha", de shortinho curtinho, barriguinha lisinha de fora, descendo do carro do tiozão junto com a filhinha dele e, toda sensual, dizer: "obrigada, tio"! Ou então circulando dentro de casa, dormindo no quarto da filha dele ou contando estórias engraçadas à mesa do almoço. Um conhecido, com filhos adultos, largou a família para viver com uma garota de 15 anos, filha do melhor amigo dele. Imediatamente, fez dieta, emagreceu, fez exercícios, comprou roupas novas e foi conversar com cada um dos conhecidos, tentando convencê-los de que havia total compatibilidade. Na verdade ele queria uma "aprovação", porque sabia que todos achavam a situação ridícula e ele, realmente, estava ridículo.” A Pedofilia consta na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças(CID), da Organização Mundial da Saúde, como uma patologia relacionada aos Transtornos de Preferência Sexual - CID F 65.4. Apesar de já combatida, ainda é muito praticada, inclusive com menores do mesmo sexo e com os próprios filho(a)s, com o agravante de que é aceita por muitos como algo normal, cultural, fator até de exibicionismo e gabolice de alguns “papa-anjos”, e há muito a ser feito para que essa nefasta prática seja abolida. E tem também, em menor escala, a pedofilia praticada por mulheres.

domingo, 3 de agosto de 2008

Procura-se

Quero um amigo verdadeiro
a quem possa vomitar
a alma e o coração inteiro.

Que me ouça sem interromper,
sem condenar nem defender,
que apenas me ouça o mais profundo.

E depois, sem nada cobrar,
seja terno, seja puro, só amigo,
bebendo comigo, sem dividir nem multiplicar,
a grande solidão de meus segredos.

Darcy França Denófrio (Itarumã, 21 de julho de 1936) é uma educadora, poeta, biógrafa e crítica literária brasileira. Tem seus estudos voltados fundamentalmente para a literatura de seu estado, Goiás. Dedicou trinta anos de sua vida ao magistério, destacando-se como professora de Teoria Literária nos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Goiás

domingo, 27 de julho de 2008

A Sabedoria Dos Contos Sufis

Na contínua busca do conhecimento nas diversas fontes culturais, filosóficas e religiosas existentes, dedico grande admiração ao islamismo e à sua vertente esotérica, o Sufismo. A seguir um conto que gosto muito.
Gilvan Almeida

Na tradição mulçumana, o sufismo é conhecido como A Via do Coração, pois é uma corrente mística dentro do islamismo que dá muita importância ao amor ao Criador. Segundo os sufis, é o amor a Deus que deve sempre prevalecer em todas as nossas ações, julgamentos e sentimentos. Um belo exemplo da visão sufi está no conto O Melhor Discípulo, inspirado no livro 75 Contes Sufis, de Eva de Vitray (sem tradução em português):

"O xeique Djunaid tinha um jovem discípulo de quem gostava muito, mais até do que de todos os outros. Essa preferência acabou por despertar ciúmes entre seus seguidores mais antigos. O xeique, como conhecia os corações dos homens, rapidamente se deu conta disso e reuniu os discípulos descontentes e disse: – “Apesar de muito jovem, sei que ele é superior a vocês, tanto em bondade como em compreensão. Confio inteiramente nele. Mas, se estiver enganado, quero que vocês apontem meu erro. Assim sendo, mudarei de opinião.” Dizendo isso, propôs um único teste para todos. Radiantes com a oportunidade, os mais antigos aceitaram prontamente o desafio. Então o xeique ordenou que trouxessem 20 pássaros. E disse aos discípulos: - “Cada um de vocês pegue um pássaro, leve-o a um lugar onde ninguém os veja, mate-o e traga-o imediatamente para que eu possa atestar que a ordem foi cumprida”. Todos os discípulos, ansiosos para provar que também eram dignos de confiança de seu mestre, saíram, mataram os pássaros e os trouxeram de volta. Todos, exceto o discípulo favorito. Ele regressou com seu pássaro vivo, que carinhosamente aninhava em suas mãos. – “Por que não o matou?”, perguntou o xeique.– “Porque o mestre disse que teria de fazê-lo em um lugar onde ninguém pudesse nos ver”, respondeu. “Mas em todos os lugares a que fui, o olhar de Alá estava sempre presente!”– “Essa é a medida da compreensão dele!”, exclamou o xeique Djunaid, voltando-se a seus discípulos. “Agora podem compará-la com a de vocês!”Os seguidores mais antigos então se ajoelharam e pediram perdão a Allah por sua ignorância. E reconheceram a grandeza do coração do jovem aprendiz."

Fonte: Presentes do Islã
Poesias, contos, histórias e orações que falam de um profundo amor a Deus, tolerância e justiça. Conheça o Islã a que pertence a maioria dos muçulmanos, que querem viver em paz com o restante do mundo.
Texto: Liane Alves

sábado, 19 de julho de 2008

O redespertar da amizade

A vida de todo ser humano é composta de altos e baixos, tristezas, desencantos e alegrias, solidão e convivência. Em algum desses momentos, especialmente os tristes, ficamos tão envolvidos com nossos problemas que deixamos de lado as coisas boas da vida – que continuam existindo, mesmo nos momentos de dor. Recebi este e-mail de uma amiga, que me fez despertar um pouco mais para esta realidade. Mandei-lhe um texto sobre a importância das amizades e ela me respondeu:

“...Olhe bem, é o que sinto intensamente, todas as coisas se afrouxam, filhos se reorientam e dão início à caminhada deles; algumas coisas do amor a dois afrouxam MESMO, não é a mesma coisa, o encantamento da paixão é passageiro, desbotam as cenas, perdem o viço pelo tempo e pela falta de uma atenção devida. Aí quando a gente olha para um lado e para o outro, o que nos fortalece nessa caminhada??? Aquele amigo que cativamos e nos deixamos cativar, que fica muitas vezes adormecido, enroscado em sua própria história e se nega a um deleite da verdadeira amizade, aquele que nos ouve, nos acolhe, não nos condena, mas quer partilhar todos os momentos, aquele que se aflige quando não tem notícias, como se um pedaço da gente faltasse, e vem sempre ao pensamento:o que está acontecendo? Por que não recebo notícias? O que estará afligindo o nosso amigo? Não é curiosidade, é poder partilhar sempre.
Esses dias fiquei com muita vontade e saudade de você, sei que você sabe ser um amigo, mas fica às vezes hibernando(risos), mas eu abro um cantinho pra o sol começar a derreter a neve(risos).
Cada dia mais sinto muita falta de nossa convivência; não é fuga, não é carência, não é egoísmo, mas é uma jóia muito preciosa! Não tem motivos pra se interromper algo escrito nas estrelas e no coração! Por isso faz tanta falta, é um "buraco na alma" quando a gente fica sem notícias. Ajuda a viver melhor todas as adversidades e as alegrias também, a amizade é gratuita,sem cobranças(só um pouquinho...) só pra ter um alô! Como você está? O que faz e o que tem sentido?O que lhe aflige tanto? O que lhe alegra mais? Como vê, é um rosário de perguntas só pra estar mais perto.
Assim eu me sinto em relação a você. Sei também que diante de seu silêncio eu preciso respeitar o momento (não por muito tempo...eu não aguento....que jeito?). Sou assim. Coração batendo forte !
Desejo que você esteja bem, melhorando cada vez mais, compreendendo cada vez mais e se amando cada vez mais. Lembre-se Você merece ser feliz! Apesar de tudo.
Aguardo mais noticias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Mais conversa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Abração
V

Expus essa minha intimidade porque pode servir para alguém que esteja vivenciando situação semelhante, para que não esqueça nunca do poder curativo das amizades verdadeiras.
Gilvan Almeida

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Cura filosófica da vida

Todo ser humano, mesmo sem saber, tem uma filosofia de vida, que é o que dá o sentido à existência, o que norteia os pensamentos, os sentimentos, as palavras e as ações, as buscas pessoais, as aspirações mais íntimas. É o que dá força e luz ao cotidiano, fundamentos essenciais para se viver bem. Encontro muita gente doente da existência, a quem não adianta só os medicamentos, é preciso também auxiliá-las a conhecer-se e a resolver os próprios conflitos. Para um bom começo nesta “terapia filosófica”, é importante saber: Qual o sentido da minha vida? Qual a minha razão de viver? Tenho a sensação de ter desperdiçado minha vida? O que acertei? O que errei? O que é ser feliz? Sou feliz? Se fosse possível recomeçar, o que mudaria? O que manteria? O que aprendi com os erros? E com os acertos? Foi eu que escolhi minhas metas? Ou escolheram para mim? Confronto-me com as questões traumáticas da minha vida? Quais são elas mesmo? Que mecanismos de fuga uso para não encará-las? Existe realidade dentro das minhas preocupações? Quanto que dramatizo a minha vida, exagerando emocionalmente e transformando copo d’água em tempestade? O que me causa, como expresso e como resolvo as ansiedades e as angústias? O que me impede de desenvolver plenamente minha capacidade de amar? Mãos à obra e sebo nas canelas que ainda dá tempo de vencer.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Thiago de Mello, poeta da Amazônia.

Em meus tempos de estudante de medicina, década de 70, em Manaus, existia uma livraria muito freqüentada pela esquerda estudantil e intelectual da cidade, a livraria Maíra. Lá entrei em contato e me interessei pelas obras de Marx, Engels, Trotski, Lênin e outros teóricos socialistas.
Como ainda estávamos em pleno regime militar(1964-1985), a Polícia Federal de vez em quando aparecia por lá, o que para mim tornava mais interessante ainda, pois naquela época a juventude rebelde tinha uma causa, e o que importava era afrontar, muitas vezes de forma infantil e ingênua, o poder militar constituído.
Na Maíra também comecei a ler outros autores, dentre os quais um que me tornei grande admirador, Thiago de Mello, poeta amazonense, nascido em Barreirinha-amazonas, em 30 de março de 1926, onde ainda hoje reside. Encontrei-o, algumas vezes, nas ruas de Manaus, com sua figura alta e esguia, feições de índio e sempre vestido de branco.
Thiago esteve exilado no Chile, onde se tornou amigo do poeta chileno Pablo Neruda.
De sua grande obra destaco “Os estatutos do homem” e “Faz escuro mas eu canto”, além da poesia a seguir:

Para repartir com todos

“Para repartir com todos,
Com este canto te chamo
Porque dependo de ti.
Quero encontrar um diamante
Sei que ele existe e onde está.
Não me acanho de pedir ajuda,
Sei que sozinho nunca vou poder achar,
Mas desde logo advirto,
É para repartir com todos.
Traz a ternura que escondes machucada no teu peito,
Eu levo um resto de infância que meu coração guardou.
Vamos precisar de fachos para as veredas da noite,
Que oculta e às vezes defende o diamante.
Vamos juntos, traz toda a luz que tiveres,
Não te esqueças do arco-íris que escondestes no porão.
Eu ponho a minha poronga, de uso na selva,
É uma luz que se aconchega na sombra.
Não vale desanimar, nem preferir os atalhos sedutores,
Que nos perdem, para chegar mais depressa.
Vamos achar o diamante para repartir com todos,
Mesmo com quem não quis vir ajudar, pobre de sonhos,
com quem preferiu ficar sozinho
bordando de ouro seu umbigo engelhado,
mesmo com quem se fez cego ou se encolheu na vergonha de aparecer procurando,
com quem foi indiferente e zombou das nossas mãos enfadigadas na busca,
mas também com quem tem medo do diamante e seu poder,
e até mesmo com quem desconfia que ele existe,
e existe,
o diamante se constrói quando procuramos juntos,
no meio da nossa vida,
e cresce, límpido cresce,
na intenção de repartir o que chamamos AMOR.”

Leia mais sobre Thiago de Mello: http://www.secrel.com.br/jpoesia/thiag.html

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A renúncia

Muitas vezes queremos, mas nem tudo podemos, nem tudo temos o direito de ser ou de ter. Em nome da paz, da harmonia, da (re)conciliação, da consciência tranqüila ou do amor ao próximo, é preciso muitas vezes abdicar a um desejo. É a renúncia. Renunciar verdadeiramente não deve ser se subjugar, ser derrotado nas batalhas da vida sem lutar, e sim um exercício de autodomínio, de amor, de sábia compreensão e de despojamento, que o poeta e cantor Djavan tão bem define em Esquinas: “... sabe lá o que é morrer de sede em frente ao mar...”
A renúncia é um santo remédio para combater o egoísmo.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Filósofos que admiro: Confúcio


Sábio filósofo chinês, Confúcio (Kung-fu-tzu), o sapientíssimo, o sábio dos sábios, nasceu na 11ª lua do 21º ano de Ling-uang (551 A.C.). Conta-se que fatos prodigiosos revestiram o seu nascimento. Uma antiga lenda chinesa diz o seguinte: “Uma tarde, quando Yen Chen Tsai passeava nos jardins da mansão de seu marido, viu surgir, de repente, diante dela, uma grande nuvem azulada. E, desta nuvem, saiu uma radiosa entidade espiritual. Seu corpo diáfano parecia ungido de aromas delicados e cintilava ao calor de pedrarias raras. Estupefata, Yen Chen Tsai ouviu-a dizer:
“- Breve terás um filho que será um grande sábio! Tu deverás dar-lhe à luz na Gruta das Amoreiras, perto do Templo da Paz Celeste!
“E assim dizendo o ser etéreo desapareceu como num sonho. Yen Chen Tsai ficou maravilhada e contou ao marido as palavras da estranha aparição. E ambos concordaram em seguir as instruções divinas. Quando chegou a época propícia, ela foi para a Gruta das Amoreiras, e lá nasceu Confúcio. Assim que a criança veio ao mundo, cinco velhos veneráveis, vestindo trajes de seda cintilante, apareceram na gruta. Eram os espíritos dos Cinco Planetas que vinham trazer a sua benção. Com eles veio também um estranho animal. Tinha o corpo igual ao de um touro, mas era recoberto de escamas de dragão. A cabeça parecia a de uma corça e tinha no meio da testa um grande chifre recurvo. Tratava-se do lendário Unicórnio, o sagrado “lin”, que só aparece para anunciar o nascimento dos sábios neste mundo. Com extrema delicadeza, os Cinco Espíritos Planetários levaram docemente a mãe e o filho pelos ares e depositaram-nos em seus aposentos na casa de Shu Liang Ho. E após abençoar aquela família feliz, desapareceram no ar, tão misteriosamente como haviam vindo.”

Sabedoria de Confúcio:

- Refletindo sobre nossa natureza com seus discípulos, Confúcio afirmou que alcança humanidade aquele que pratica:
Cortesia – e com ela repele os insultos;
Tolerância – e com ela conquista todos os corações;
Boa-fé – e com ela inspira a confiança dos outros;
Diligência – e com ela garante o sucesso, e a
Generosidade – e com ela angaria autoridade sobre os outros.
Ainda hoje temos diante de nós esse grande desafio, cinco práticas capazes de mudar nosso destino.
- “A educação do homem deve começar pela poesia, ser fortificada pela conduta justa e consumar-se na música.”
- "Aos quinze anos orientei o meu coração para aprender. Aos trinta, plantei meus pés firmemente no chão. Aos quarenta, não mais sofria de perplexidade. Aos cinqüenta, sabia quais eram os preceitos do céu. Aos sessenta, eu os ouvia com ouvido dócil. Aos setenta, eu podia seguir as indicações do meu próprio coração, pois o que eu desejava não mais excedia as fronteiras da Justiça".
- "Quando conhecer um homem bom, trate de imitá-lo; quando conhecer um homem mau, faça uma auto-análise."
- “Tenha cuidado com tuas palavras e teus atos”.
- “Sabedoria, compaixão e coragem são as três qualidades superiores do homem superior.”
- “A verdadeira riqueza de um homem se resume naquilo que ele faz pelos outros.”
- “A sabedoria e o sucesso nunca poderão ser alcançados sem esforço, mas resulta de pequenas coisas.”

Conheça mais sobre Confúcio:
-Livro: A essência da sabedoria de Confúcio.
Autor: Charles J. Finger
Editora: Ediouro

sábado, 31 de maio de 2008

A caridade

Quando perceberes a bondade se aninhar em teu coração e surgir o desejo de servir, atendas, pois é a caridade chegando. Neste sagrado momento de sublimar o ego, compartilha os teus bens, materiais e espirituais, conduzindo esta luz sagrada que Deus nos envia, na intenção de unir os seus filhos. Se dás o que te sobra é um belo gesto. Se dás o que te pode faltar é mais belo ainda. Muitas vezes encontrarás carentes de pão, mas a carência é muito mais ampla. Com atenção e o coração desarmado perceberás que há carentes até de um olhar carinhoso, de uma mão amiga, de um ombro onde possam chorar as dores, de uma palavra que lhes traga a paz necessária.
Gilvan Almeida

domingo, 25 de maio de 2008

A mentira

Dentro de meus estudos de auto-conhecimento, de vez em quando estou refletindo sobre esta frase: “...mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira...” (Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Renato Rocha). Sei que ainda não sou plenamente verdadeiro comigo mesmo, que já enfrentei e superei muitos conflitos íntimos, mas quais são os pontos em que ainda continuo me enganando? Onde fujo do encontro com minha essência, por falta de coragem para transcender o medo de sair dos meus quintais e ganhar as ruas? Eu quero a verdade, mas até que ponto eu tenho maturidade e equilíbrio para agüentá-la de pé, sem correr, sem me fazer de vítima, sem ficar deprimido e sem colocar a culpa nos outros? Por que evito encarar os sofrimentos mais profundos, aquelas dores mais angustiantes, e continuo mentindo para mim que está tudo bem? Por que ainda faço auto-sabotagem em meu crescimento, inventando desculpas para não sair do lugar e definir determinados rumos da minha vida? Aí entendo um pouco porque é a pior mentira essa auto-enganação: ninguém consegue enganar para sempre a própria consciência, e, se nós permitirmos, ela mostra de forma clara quem nós somos e o que devemos fazer para ter mais paz.
Gilvan Almeida

sexta-feira, 23 de maio de 2008

A humildade

Confundida por alguns como pobreza, baixo nível sócio-econômico, a humildade é uma palavra de fino significado, uma virtude tão nobre e rara, que na prática é mais fácil ver quando não se é humilde. Assim posso ver o que falta em mim de humildade quando sou impaciente, grosseiro, insensível, pedante, pretensioso, autoritário, hipócrita, ganancioso, etc. O verdadeiramente humilde não diz que é, pois se diz que é, não é, já que são os outros que enxergam nele essa virtude, que reflete a grandeza de sua alma. Reconhecer um erro, dar a mão à palmatória, de coração, é um gesto que conduz à humildade.
Escrito por Gilvan Almeida

terça-feira, 20 de maio de 2008

Nasrudin

Gosto muito de garimpar pérolas na diversidade cultural existente neste nosso planeta. Quando criança eu colecionava peteca(hoje chamada bola de gude) e revista Placar. Recentemente descobri que continuo colecionando, só que agora coleciono palavras, frases, ditados populares, adágios, sabedoria popular, ensinamentos e sínteses filosóficos e espirituais. Assim, descobri na cultura árabe o Mullá Nasrudin, com suas pequenas e significativas histórias que mexem, de forma inteligente, com o raciocínio trivial e a mesmice lógica, tocando nosso coração de forma bem humorada e, às vezes, irônica. Vejam um pouco dele. Continuarei o garimpo e compartilharei com vocês. Gilvan

Popularíssimo entre os muçulmanos, a figura de Mullá (mestre) Nasrudin protagoniza historietas que revelam, com bom humor, o coração humano. Há até quem diga que ele existiu na Turquia do século 13, porém o importante mesmo são as interpretações de suas aventuras. De certa maneira, as histórias de Nasrudin se parecem com os contos zen-budistas, pois quebram o raciocínio convencional. Aqui duas das centenas de histórias desse mestre, que encanta o mundo islâmico há gerações:

1. Numa certa noite muito escura, Nasrudin foi visto procurando algo no chão debaixo de um poste de luz que iluminava uma boa área a seu redor. Querendo ajudar o velho mestre, um jovem perguntou o que ele estava procurando. “Minhas chaves! Deixei-as cair!”, disse ele. O jovem se pôs então de quatro ao lado de Nasrudin para procurá-las. Depois de um certo tempo sem encontrar nada, o jovem perguntou a Nasrudin. “Mullá, tem certeza de que deixou cair suas chaves por aqui?” O mestre respondeu: “Claro que não! Deixei-as cair em frente de casa!” Perplexo, o jovem perguntou: “Por que então está procurando aqui?” Respondeu Mullá Nasrudin: “Ora, porque aqui há muito mais luz!”
Ensinamento da história: muitas vezes buscamos a felicidade apenas no que está mais aparente e visível, no que tem mais luz, isto é, nas coisas do mundo, quando é preciso dar um mergulho no escuro, enfrentando medos e emoções turbulentas, para obter as chaves de uma transformação real.

2. Nasrudin postou-se na praça do mercado e dirigiu-se à multidão:
-“Ó povo deste lugar! Querem conhecimento sem dificuldade, verdade sem falsidade, realização sem esforço, progresso sem sacrifício?”
Logo juntou-se um grande número de pessoas com todo mundo gritando:
-“Queremos, queremos!”
-“Era só para saber”, disse ele.“Podem confiar em mim. Contarei a vocês tudo a respeito, caso algum dia descubra algo assim.”

domingo, 18 de maio de 2008

Reinício

Hoje, 18 de maio de 2008, estou reiniciando este blog, cujo antigo endereço não oferecia espaço suficiente para postar mensagens mais longas, com o objetivo de compartilhar a minha visão da realidade e trocar idéias sobre artes, medicina, esportes, política, história, atualidades, música, cinema, filosofia, literatura, tudo o que possa ampliar conhecimentos e facilitar a compreensão da vida e do mundo em que vivemos. Sinto que viver é um aprendizado constante de se ver a vida como ela é mesmo, buscando aprender com as experiências, fazer as reformas íntimas que se fazem necessárias e amadurecer sofrendo o mínimo possível. Assim, acredito que a melhor forma para que isto aconteça seja adquirir e praticar os conhecimentos, para que possamos ter a sabedoria de discernir o que é errado e o que é certo, fundamento essencial na prevenção da dor.
Sejam bem vindos!
Gilvan Almeida

A Ética nossa de cada dia
Um discípulo perguntou a Confúcio( 551-479 antes de Cristo) "Há uma só palavra que possa servir como um princípio de conduta para a vida?" Confúcio respondeu:"Talvez a palavra reciprocidade sirva. Não faça aos outros o que não quer que lhe façam." Observemos que esse grande Mestre da China Antiga, o sábio dos sábios, foi um dos primeiros a falar e a praticar esse princípio que tornou-se a lei máxima da Ética, a regra dourada, e passados 2.500 anos a humanidade continua ainda tão carente de honestidade, solidariedade, fraternidade, compreensão, tolerância, amor ao próximo. São poucos os que praticam isso, na sociedade competitiva, egoísta, consumista e injusta em que vivemos pois, para muitos, o que vale é levar vantagem, mesmo que para isso precisem colocar dedo no olho dos outros, enganar a própria mãe, pisar em quem está no caminho, fazendo valer uma das máximas do filósofo italiano Maquiavel: "os fins justificam os meios". E essa carência, e até mesmo ausência de Ética, se manifesta em níveis pessoais, institucionais e internacionais. Pessoalmente muitos acham que ser ético é ser ingênuo, bobo, compreensão que é um passo para a corrupção, e nas instituições transparece a dissimulação, conchavos e interesses escusos, onde, por exemplo, alguns que foram eleitos para zelar pelo bem público fazem falcatruas, tiram o pão da boca do pobre, usam irregular e criminosamente verbas sociais, em especial da área da saúde, para benefício próprio(a raposa tomando conta do galinheiro?). Então acontece essa crise moral que vivemos, ou melhor, que somos vítimas, em nosso país e também nas relações internacionais. Estamos vendo alguns países imperialista invadirem países em nome da liberdade e da democracia, quando na verdade o que querem é a riqueza daquele país. Então é urgente um choque de moralidade e ética, e esse trabalho precisa ser feito a começar de cada um, não dá para esperar acontecer por decreto.
Gilvan Almeida