terça-feira, 26 de agosto de 2008

O tiozão

Recebi o seguinte e-mail de uma amiga: “...Que tal produzir um texto sobre os "tiozãos" (quarentões, cinquentões e até sessentões), que acham que podem competir com os filhos jovens e saem paquerando as "menininhas"?”. Pedi que ela escrevesse mais sobre o assunto e ela respondeu: “Não tenho uma tese "científica", apenas observações do cotidiano vivido em um ambiente predominantemente masculino. Pelas conversas e atitudes, percebe-se que eles se sentem tão à vontade quanto qualquer garotão, quando se trata de dar em cima das garotas, mesmo havendo leis que punem a pedofilia. Historicamente, parece que esse interesse era mais disfarçado (e até mais aceito socialmente): vide as visitas dos senhores de engenho às senzalas e dos seringalistas com as filhas dos seringueiros; na literatura, onde os escritores, ao falar de seus personagens adolescentes, talvez estivessem homenageando alguém especial para eles (Lolita, Alice no País....Ariel, etc.). Sei que não justifica o mau-caratismo desses “lobos-maus”, mas hoje há uma exposição tão exarcebada das "ninfetas", alimentada pela mídia, que elas "transpiram" sensualidade já com 13, 14 anos. Os "caras" devem ficar malucos. Imagina, uma "gatinha", de shortinho curtinho, barriguinha lisinha de fora, descendo do carro do tiozão junto com a filhinha dele e, toda sensual, dizer: "obrigada, tio"! Ou então circulando dentro de casa, dormindo no quarto da filha dele ou contando estórias engraçadas à mesa do almoço. Um conhecido, com filhos adultos, largou a família para viver com uma garota de 15 anos, filha do melhor amigo dele. Imediatamente, fez dieta, emagreceu, fez exercícios, comprou roupas novas e foi conversar com cada um dos conhecidos, tentando convencê-los de que havia total compatibilidade. Na verdade ele queria uma "aprovação", porque sabia que todos achavam a situação ridícula e ele, realmente, estava ridículo.” A Pedofilia consta na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças(CID), da Organização Mundial da Saúde, como uma patologia relacionada aos Transtornos de Preferência Sexual - CID F 65.4. Apesar de já combatida, ainda é muito praticada, inclusive com menores do mesmo sexo e com os próprios filho(a)s, com o agravante de que é aceita por muitos como algo normal, cultural, fator até de exibicionismo e gabolice de alguns “papa-anjos”, e há muito a ser feito para que essa nefasta prática seja abolida. E tem também, em menor escala, a pedofilia praticada por mulheres.

Um comentário:

Faide Veiga disse...

Gilvan,é sabido que o erotismo infantil está ligado à trajetória da humanidade em culturas tradicionais,onde meninas de 12 anos são submetidas ao matrimônio com homens muito mais velhos e são usadas alegações como sucesso reprodutivo,riqueza e etc,já citado por você,culturas penso eu, que para a maioria das pessoas são repulsivas, não importando qualquer explicação ou argumento sobre as mesmas,o que acontece também quando nos deparamos com casos de pedofilia e não menos com o "famoso tiozão",que defino como pervertidos ou com a sexualidade pouco desenvolvida e que temem a resistência de um parceiro em iguais condições,escolhendo então pessoas vulneráveis.Então quem supostamente está doente deve ser tratado e se não houver resultados satisfatórios, isolado da sociedade.Mas enfim,como pensar uma sociedade que usa crianças em infinitas propagandas e programas de televisão,na busca de corpos cada vez mais jovens e ao mesmo tempo suspeita sobre qualquer relação inter-etária entre adultos e crianças fora do modelo pais e filhos?ABS n