segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Filho drogado

Uma mulher desesperada, que se sente fracassada como mãe, ao descobrir que o filho, mais uma vez, a estava enganando e continuava usando drogas me diz através de um e-mail: “... descobrimos que ele continua mentindo e fazendo as mesmas coisas, com um distúrbio de caráter muito forte. Perdeu mais uma vez o ano na faculdade e sinto que agora eu e o pai precisamos de uma atitude radical. Mas ainda não conversamos com ele pois está fugindo desse encontro. Acho que tem droga, bebida alcoólica, disfunção de caráter, falta de ética e moral...”
Respondi a ela: “Ao ler sua mensagem pensei inicialmente no "olhar cósmico" citado no livro “Quando Nietzsche chorou”, aquele olhar em que precisamos de um distanciamento emocional para podermos ver com mais clareza o real significado dos acontecimentos tristes e trágicos da vida, que quanto mais do alto pudermos observar, mais veremos que as coisas não são tão trágicas assim, e que têm uma intenção de nos ensinar algo, um aprendizado embutido. Você está precisando fazer mais uso dele, para que seu coração não fique tão confuso, misturando dores, culpas e as responsabilidades que são suas com a dos outros. Preserve-se mais, especialmente começando a se conscientizar mais ainda, no plano emocional, que seu filho é um espírito e você é outro. Assim, possibilita estarem mais presentes o bom senso e a clareza, para ver que você não é a única responsável por tudo isso que a vida dele se transformou. Sei que você sabe disso, mas às vezes recai, como se não soubesse, e voltam-lhe os mesmos sintomas: tristeza, sentimento de fracasso, culpa generalizada, desânimo, falta de perspectiva, auto-punição, auto-sabotagem, menosprezo por si, vontade de fugir. Você não pode nunca deixar de ver que fez o melhor, sempre achando que estava dando o seu amor, sua dedicação, sua vida. Se o outro lado não recebeu toda essa dedicação e intensidade afetivas a culpa não é toda sua (como aparece dentro de seu sentimento), e, ao longo da vida dele, estamos vendo que ele não recebeu mesmo, não só por incompetência de vocês pais, mas por falta de competência dele (aqui não só a intencional, como se fosse sem-vergonhice dele) . Hoje, o que vemos nele é um quadro psicopatológico severo, e que precisa ser abordado por esta ótica. Não basta só os pais "endurecerem" de forma infantilizada, tirando o pirulito do "menino mal-criado" (carro, mesada, mordomias diversas), mas reconhecer o fracasso em determinados ângulos da criação e descobrir, com o auxílio de profissionais da saúde mental, o que é e até onde é, o patológico. A vocês pais cabe mais continuar cumprindo, dentro de uma renovação de valores e de manifestação sentimental, o que lhes foi destinado: dar amor de uma forma cada vez mais justa e orientar este espírito. Ele precisa muito disso, de carinho e compreensão, especialmente de uma forma que possa reconhecer que pode confiar em vocês, que tem em casa um porto seguro.”

Um comentário:

Faide Veiga disse...

Gilvan,acredito que os princípios familiares,sociais e religiosos têm um grande peso na educação e na sustentação da mesma e devem ser explicados e dialogados abertamente,princípios esses que ajudam nossos filhos a decidir e ter uma posição sobre o uso de drogas,de álcool e o que é melhor para sua vida.Mas todos somos passíveis de falhas e erros e mesmo que os pais transmitam aos filhos uma mensagem correta e sejam precavidos ante determinadas condutas,muitas vezes o que é dado não é recebido ou absorvido do melhor jeito,como você citou:somos um espírito e eles outro,então mesmo querendo que nossos filhos tenham uma vida protegida e façamos de tudo para isso acontecer,está nas mãos de cada um tecer para si um belo e colorido tapete do destino ou viver sem ele.Abs,Faide.