quarta-feira, 18 de março de 2009

Medicina - produto de consumo

“O sistema médico cria incessantemente novas necessidades terapêuticas. Mas quanto maior a oferta de saúde, mais as pessoas crêem que têm problemas, necessidades, doenças. Elas exigem que o progresso supere a velhice, a dor e a morte. Isso equivale à própria negação da condição humana”. Ivan Ilich

O capitalismo cria continuamente novos produtos e junto com eles a necessidade de consumi-los, colocada em nossas cabeças, desde a infância, através de maciças campanhas publicitárias. Assim surgem novos alimentos, produtos eletrônicos e de informática, carros, e também medicamentos, exames sofisticados, e outros, que nos fazem acreditar que para vivermos melhor e sermos mais felizes, precisamos comprá-los, tê-los, consumi-los.
É vergonhosa e criminosa a dominação que a indústria médico-farmacêutica multinacional submete os países, especialmente os mais pobres e os emergentes, associada às grandes redes da mídia, especialmente a televisiva, vendendo-nos produtos mágicos, soluções milagrosas, pílulas da felicidade, exames redentores, como se para ter mais saúde necessitemos apenas de meios diagnósticos sofisticados e drogas milagrosas, e esses "produtos" passam a fazer parte do sonho de consumo da população. Observem a quantidade de artigos e temas de capas sobre saúde curativa e novas terapêuticas que a revista Veja coloca semanalmente, bem como as reportagens que o Fantástico mostra todos os domingos sobre os mesmos temas. Raramente abordam a Medicina Preventiva e a Educação em Saúde, que efetivamente são as responsáveis, quando fazem parte da política Nacional de Saúde de uma nação, pela elevação dos níveis de saúde de um povo. Por que isto? Porque a medicina Preventiva não dá lucro para o capitalismo médico e nem rende votos aos políticos governantes como a medicina curativa com seus grandes hospitais e sofisticados centros de diagnósticos rende.
Beneficiam-se desse sistema tanto as multinacionais quanto as classes dominantes pois o povo que não tem consciência de seus direitos e do que realmente proporciona melhor qualidade de vida e saúde, como saneamento básico, água potável, educação, trabalho e salários dignos, moradia adequada, lazer, mais fácil é de ser dominado.
Concluo com este pensamento do filósofo Voltaire, que captou uma verdade já meio esquecida, pois também vejo que a medicina atual pouco tempo tem dado para a ação curativa da natureza, que Samuel Hahnemann, criador da Homeopatia, cita em seus escritos como a Vix medicatrix naturae:

“A arte da medicina consiste em distrair o paciente enquanto a Natureza cuida da doença”. Voltaire

Gilvan Almeida

Um comentário:

Faide Veiga disse...

Gilvan,ai esta a triste realidade,
digo,a base de sustentação de nossa
sociedade(e de tantas outras):"O Lucro."
E não somente a dominação medico-farmacêutica multinacional,mas grande parte da classe politica,empresarial e de alguns que se intitulam lideres religiosos,ongs, voluntarios,enfim pessoas que
deveriam trabalhar em prol da melhor qualidade de vida,inclusive de suas propias,realmente se comportando como verdadeiros criminosos e ignorantes,e o pior,diante de
tanta miseria e necessidades reais
que existem no mundo e que todos conhecem.E pior ainda,cegos diante da fragilidade da existência.
"O mais basico desejo do homem e viver,assim,sempre esta disposto a pagar(mesmo com o que não lhe pertence...) a qualquer um que(pensa...)poder ajuda-lo a viver mais ou a livra-lo do sofrimento"(nem que faça com que muitos paguem por isso,muitas vezes com seu maior bem:"A vida")
L P A
Faide.