domingo, 17 de maio de 2009

Medicina faz mal à saúde.

Pode parecer estranho um médico divulgar uma entrevista como esta, onde um outro médico, inglês, expõe seus pensamentos pouco elogiosos à medicina atual. Tidos por alguns como os profissionais que mais fazem defesa de sua classe (daí a denominação dada a eles de “a máfia de branco”), tais quais os políticos, os médicos estão “ladeira abaixo” em termo de status e valorização social. Apesar da alta carga de responsabilidade que recai sobre seus ombros, com a vida, o bem estar e a saúde das pessoas, a sociedade quase nada olha o lado do médico, seus aspectos humanos, as suas condições de trabalho que são muitas vezes indignas e perigosas para eles e para os doentes, seus salários aviltantes, especialmente quando comparados a outros profissionais do executivo, do legislativo e do judiciário, o que faz com que procurem diversos empregos, especialmente plantões, para terem um rendimento mensal digno. Vivem assim uma vida de muito stress, distantes das famílias, dos amigos, do lazer, do aperfeiçoamento técnico, descuidados de suas próprias condições de saúde. Sei que isto não justifica os comportamentos pouco solidários de alguns, da má vontade, das grosserias em palavras e atitudes, do abandono a que, às vezes, relegam seres humanos extremamente carentes, mas assim escrevo procurando ser justo, já que as pessoas, em geral, só cobram deles sacerdócio, sem ver esses aspectos que abordei.

Gilvan Almeida

Medicina faz mal à saúde.

"Os médicos estão entre as três maiores causas de morte atualmente".
Vernon Coleman (Tem 57 anos, gosta de escrever livros de ficção e já publicou 12 romances. Divide seu tempo entre o interior da Inglaterra e uma cobertura no centro de Paris. Sofre de "cotovelo de tenista" nos dois braços por causa da má-postura ao digitar.)
O médico Vernon Coleman diz que os hospitais mais matam do que curam e que é preciso ser muito saudável para sobreviver a um deles.
Um selo colado na testa advertindo sobre os perigos que podem causar à saúde. Se dependesse do inglês Vernon Coleman, esse seria o uniforme ideal dos médicos. Dono de um diploma em medicina e um doutorado em ciências, Coleman abandonou a carreira após dez anos de trabalho para ganhar a vida escrevendo livros com títulos sugestivos do tipo “Como Impedir o seu Médico de Matá-lo”.
Autor de 95 livros, o inglês é um auto-intitulado defensor dos direitos dos pacientes. Em seus textos, publicados nos principais jornais do Reino Unido, costuma atacar a indústria farmacêutica - para ele, a grande financiadora da decadência - e, principalmente, os médicos que recusam tratamentos que excluam a utilização de remédios e cirurgias. Dono de opiniões polêmicas, Coleman ainda afirma que 90% das doenças poderiam ser curadas sem a ajuda de qualquer droga e que quanto mais a tecnologia se desenvolve, pior fica a qualidade dos diagnósticos.

Como um médico deve se comportar para oferecer o melhor tratamento possível a seu paciente?

Os médicos deveriam ver seus pacientes como membros da família. Infelizmente, isso não acontece. Eles olham os pacientes e pensam o quão rápido podem se livrar deles, ou como fazer mais dinheiro com aquele caso. Prescrevem remédios desnecessários e fazem cirurgias dispensáveis. Ao lado do câncer e dos problemas de coração, os médicos estão entre os três maiores causadores de mortes atualmente. Os pacientes deveriam aprender a ser céticos com essa profissão. E os governos, obrigá-los a usar um selo na testa dizendo "Atenção: este médico pode fazer mal para sua saúde".

Qual a instrução que pacientes recebem sobre os riscos dos tratamentos?

A maior parte das pessoas desconhece a existência de efeitos colaterais. E grande parte dos médicos não conhece os problemas que os remédios podem causar. Desde os anos 70 eu venho defendendo a introdução de um sistema internacional de monitoramento de medicamentos, para que os médicos sejam informados quando seus companheiros de outros países detectarem problemas. Espantosamente, esse sistema não existe. Se você imagina que, quando uma droga é retirada do mercado em um país, outros tomam ações parecidas, está errado. Um remédio que foi proibido nos Estados Unidos e na França demorou mais de cinco anos para sair de circulação no Reino Unido. Somente quando os pacientes souberem do lado ruim dos remédios é que poderão tomar decisões racionais sobre utilizá-los ou não em seus tratamentos.

Você considera que os médicos são bem informados a respeito dos remédios que receitam a seus pacientes?

A maior parte das informações que eles recebem vem da companhia que vende o produto, que obviamente está interessada em promover virtudes e esconder defeitos. Como resultado dessa ignorância, quatro de cada dez pacientes que recebem uma receita sofrem efeitos colaterais sensíveis, severos ou até letais. Creio que uma das principais razões para a epidemia internacional de doenças induzidas por remédios é a ganância das grandes empresas farmacêuticas. Elas fazem fortunas fabricando e vendendo remédios, com margens de lucro que deixam a indústria bélica internacional parecendo caridade de igreja.

E o que os pacientes deveriam fazer? Enfrentar doenças sem tomar remédios?

É perfeitamente possível vencer problemas de saúde sem utilizar remédios. Cerca de 90% das doenças melhoram sem tratamento, apenas por meio do processo natural de autocura do corpo. Problemas no coração podem ser tratados (não apenas prevenidos) com uma combinação de dieta, exercícios e controle do estresse. São técnicas que precisam do acompanhamento de um médico. Mas não de remédios.

Receber remédios não é o que os pacientes querem quando vão ao médico?

É verdade que muitos pacientes esperam receber medicamentos. Isso acontece porque eles têm falsas idéias sobre a eficiência e a segurança das drogas. É muito mais fácil terminar uma consulta entregando uma receita, mas isso não quer dizer que é a coisa certa a ser feita. Os médicos deveriam educar os pacientes e prescrever medicamentos apenas quando eles são essenciais, úteis e capazes de fazer mais bem do que mal.

Que problemas os remédios causam?

Sonolência, enjôos, dores de cabeça, problemas de pele, indigestão, confusão, alucinações, tremores, desmaios, depressão, chiados no ouvido e disfunções sexuais como frigidez e impotência.

Em um artigo, você cita três greves de médicos (em Israel, em 1973, e na Colômbia e em Los Angeles, em 1976) e diz que elas causaram redução na taxa de mortalidade. Como a ausência de médicos pode diminuir o risco à vida?

Hospitais não são bons lugares para os pacientes. É preciso estar muito saudável para sobreviver a um deles. Se os médicos não matarem o doente com remédios e cirurgias desnecessárias, uma infecção o fará. Sempre que os médicos entram em greve as taxas de mortalidade caem. Isso diz tudo.

Muitas pessoas optam por terapias alternativas. Esse é um bom caminho?

Em diversas partes do mundo, cada vez mais gente procura práticas alternativas em vez de médicos ortodoxos. De certa maneira, isso quer dizer que a medicina alternativa está se tornando a nova ortodoxia. O problema é que, por causa da recusa das autoridades em cooperar com essas técnicas, muitas vezes é possível trabalhar como terapeuta complementar sem ter o treinamento adequado. Medicina alternativa não é necessariamente melhor ou pior que a medicina ortodoxa. O melhor remédio é aquele que funciona para o paciente.

Em um de seus livros, você afirma que a tecnologia piorou a qualidade dos diagnósticos. A lógica não diz que deveria ter acontecido o contrário?

Testes são freqüentemente incorretos, mas os médicos aprenderam a acreditar nasmáquinas. Quando eu era um jovem doutor, na década de 70, os médicos mais velhos apostavam na própria intuição. Conheci alguns que não sabiam nada sobre exames laboratoriais ou aparelhos de raio X e mesmo assim faziam diagnósticos perfeitos. Hoje, os médicos se baseiam em máquinas e testes sofisticados e cometem muito mais erros que antigamente.

Você faz ferrenha oposição aos testes médicos realizados com animais em laboratórios. De que outra maneira novas drogas poderiam ser desenvolvidas?

Faz muito mais sentido testar novas drogas em pedaços de tecidos humanos que num rato. Os resultados são mais confiáveis. Mas a indústria não gosta desses testes porque muitos medicamentos potencialmente perigosos para o homem seriam jogados fora e nunca poderiam ser comercializados. Qual o sentido de testar em animais? Existe uma lista de produtos que causam câncer nos bichos, mas são vendidos normalmente para o uso humano. Só as empresas farmacêuticas ganham com um sistema como esse.

O que você faz para cuidar da saúde?

Eu raramente tomo remédios. Para me manter saudável, evito comer carne, não fumo, tento não ficar acima do peso e faço exercícios físicos leves. Para proteger minha pressão, desligo a televisão quando médicos aparecem na tela apresentando uma nova e maravilhosa droga contra depressão, câncer ou artrite que tem cura garantida, é absolutamente segura e não tem efeitos colaterais.

Por Sérgio Gwercman

Copyright © Abril S.A. Superinteressante - fevereiro 2004

4 comentários:

Marcos Afonso disse...

Amigo Gilvan!

Que polêmico!

Como ficamos, então?
... risos ...

Grande abraço,

Marcos Afonso.

JACKIE PINHEIRO disse...

Gilvan,

Ninguém acredita quando digo que apenas algumas gotinhas de um remedinho "inofensivo" homeopático revertem um quadro que parece complicado.

Vi muita semelhança entre vc e ele, no exercício da medicina.

Coerência e ética me parecem ser as palavras corretas para definir essa linha de raciocínio.

Já acreditei muito em remédios alopáticos, mas hoje, por experiência própria, acredito muito mais na medicina alternativa e na capacidade que o homem tem de se curar.

Gostei muito também do texto introdutório escrito por você.

Abraço,
Jackie

Anônimo disse...

Sensacional! Jamais esperei ler algo á respeito, menos ainda de um médico. Esta é a minha opinião
"intuitiva". Mesmo não considerando o efeito drástico dos medicamentos e práticas médicas,confio mais nos milhões de anos de "especialização" da natureza humana.Alimentação adequada, repouso e "necessidade" de sarar logo tem resolvido todos os meus problemas de saude até hoje.E passo dos 60 anos.

constatino disse...

essa materia é dez isso é tudo que acontece no meu amapá. medicos que acredita mas em remedios e nas maquinas do que no relato do paciente, isso e um problema muito serio.