sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Manoel de Barros: (Mais uma) Paixão literária

Quem gosta de ler sabe: a literatura é uma arte envolvente e apaixonante. Compartilho com vocês uma nova paixão literária que arranjei. Já tinha lido na internet (e gostado) de algumas poesias deste escritor. Ganhei de uma amiga um livro dele, achei tão bom que adquiri e li mais dois. É o poeta Manoel de Barros. Como não posso me apaixonar literariamente por quem me diz assim?

-"... Agora tenho saudade do que não fui..."
- (Quando criança) "... Em vez de peraltagem eu fazia solidão..."
-"... Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina..."
-"... Com pedaços de mim eu monto um ser atônito..."
-"... Logo apareceu um lírio pensativo de sol..."
-"... Bocó é sempre alguém acrescentado de criança... é um que gosta de conversar bobagens profundas com as águas... é aquele que fala sempre com um sotaque das suas origens... é um que descobriu que as tardes fazem parte de haver beleza nos pássaros... é aquele que olhando para o chão enxerga um verme sendo-o..."
-"... Eu não sei nada sobre as grandes coisas do mundo, mas sobre as pequenas eu sei menos..."
-"... a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós..."
-"... O cu de uma formiga é mais importante para o poeta do que uma usina nuclear. Sem precisar medir o ânus da formiga..."
-"... Desfazer o normal há de ser uma norma..."
-"... Poesia é o mel das palavras..."
-"... O olhar reforça as palavras. O olhar segura a palavra na gente. O cheiro e o amor do lugar também participam..."
-"O filósofo Kierkegaard me ensinou que a cultura é o caminho que o homem percorre para se conhecer. Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim falou que só sabia que não sabia nada..."
-"... Ele podia conhecer todos os pássaros do mundo pelo coração de seus cantos..."
-"... Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite!"
-"... Quem se aproxima das origens se renova..."
(Trechos do livro Memórias inventadas - A segunda infância, de Manoel de Barros)

Uma amiga que encaminhei os trechos acima, teve esta bonita revelação, que também tive quando li o livro: “Ih! descobri que sou bocó... E acho que você também é! :) ”.

Gilvan Almeida

Breve histórico e bibliografia:
Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT), no Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá, em 19 de dezembro de 1916, filho de João Venceslau Barros, capataz com influência naquela região. Mudou-se para Corumbá (MS), onde se fixou de tal forma que chegou a ser considerado corumbaense. Atualmente mora em Campo Grande (MS). É advogado, fazendeiro e poeta.


1937 — Poemas concebidos sem pecado
1942 — Face imóvel
1956 — Poesias
1960 — Compêndio para uso dos pássaros
1966 — Gramática expositiva do chão
1974 — Matéria de poesia
1980 — Arranjos para assobio
1985 — Livro de pré-coisas
1989 — O guardador das águas
1990 — Gramática expositiva do chão: Poesia quase toda
1993 — Concerto a céu aberto para solos de aves
1993 — O livro das ignorãças
1996 — Livro sobre nada
1996 — Das Buch der Unwissenheiten - Edição da revista alemã Akzente
1998 — Retrato do artista quando coisa
2000 — Ensaios fotográficos
2000 — Exercícios de ser criança
2000 — Encantador de palavras - Edição portuguesa
2001 — O fazedor de amanhecer
2001 — Tratado geral das grandezas do ínfimo
2001 — Águas
2003 — Para encontrar o azul eu uso pássaros
2003 — Cantigas para um passarinho à toa
2003 — Les paroles sans limite - Edição francesa
2003 — Todo lo que no invento es falso - Antologia na Espanha
2004 — Poemas Rupestres
2005 — Riba del dessemblat. Antologia poètica — Edição catalã (2005, Lleonard Muntaner, Editor)
2005 — Memórias inventadas I
2006 — Memórias inventadas II
2007 — Memórias inventadas III
2010 — Menino do Mato
2010 — Poesias Completas

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Barros

2 comentários:

Anônimo disse...

Amigo,ëncantada!
"... a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós..."
Minha alma bocó, agradece.
Beijo de borboleta no cio.
Concita

Isaac Melo disse...

Caro Gilvan,
sou fascinado pela obra dele também. Poeta singular, nessa pátria de tantos literatos!

Abraços!