quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

25 mitos sobre a gagueira

Alguns conhecimentos que adquirimos no decorrer da vida nos chegam através de experiências de outras pessoas. Considero-os válidos, pois não há nenhuma necessidade de “tocar no fogo, para saber que ele queima”. Em relação a isso um sábio já disse que “...inteligente é aquele que aprende sem sofrer, observando a experiência dos outros...” Há aprendizados que precisamos, sabe Deus o porquê, passar por dentro, vivenciar na pele e na alma a dor ou o prazer. Foi o que aconteceu comigo com relação à gagueira. Só quem foi ou é gago sabe o quão difícil é a convivência do portador deste distúrbio da fala com as pessoas que falam fluentemente. Observe ao seu redor, e veja como os gagos são tratados. Você já os viu sendo tratados com tolerância, paciência e respeito ao seu ritmo de fala? Nem eu. Imagine-se como um deles, querendo, precisando, se expressar, comunicar o que sente e o que pensa, e tendo a recepção geralmente desrespeitosa que o meio social lhes relega. O que resta então à maioria dos gagos? O isolamento, o silêncio, a timidez, a baixa auto-estima, o incômodo sentimento de culpa por ser assim...
Lembro que uma das simpatias utilizadas antigamente para “curar” gagueira era bater com colher de pau na cabeça do gago (ou será que ainda usam?). Ainda bem que evoluímos, e hoje a gagueira já é abordada por profissionais de fonoaudiologia, psicologia e medicina.
Encontrei no site do Instituto Brasileiro de Fluência um trabalho elaborado por Sandra Merlo e Hugo Silva, com informações sobre a gagueira, colocadas em forma de perguntas e respostas. Além de esclarecer, o trabalho procura desmistificar o tema. Coloquei duas perguntas e respostas. Caso se interesse, entre no site:
http://www.gagueira.org.br/mitos_sobre_gagueira.shtml

Gilvan Almeida



25 mitos sobre a gagueira


01. Mito: A gagueira é um hábito adquirido.

Realidade: Afirmar que a gagueira é um hábito significa que a pessoa começaria a gaguejar voluntariamente e, com a prática, a gagueira se tornaria automática. Não é isso o que acontece. A gagueira é um distúrbio neurobiológico causado provavelmente pelo mau funcionamento de áreas do cérebro responsáveis pela automatização da fala: os núcleos da base não conseguem ajustar adequadamente o tempo de duração de sons e sílabas, ocasionando alongamentos, bloqueios ou repetições. Esta disfunção é resultado de uma predisposição genética ou de uma alteração na estrutura do próprio cérebro. Portanto, a gagueira não pode ser simplesmente aprendida por imitação, porque ocorre em pessoas que, de alguma forma, estão propensas a ela.

02. Mito: Se eu não gaguejo em algumas situações (por exemplo: cantar, ler em coro, falar com outro sotaque, representar um personagem, sussurrar), é sinal de que posso ser fluente em todas as situações. Se não consigo ser sempre fluente, a culpa é minha.

Realidade: Dependendo do contexto, a fala é processada por diferentes partes do cérebro. As variações situacionais da gagueira - embora possam soar indevidamente como um problema emocional ou de ansiedade social - refletem apenas diferenças no modo como o cérebro processa a fala de acordo com a circunstância, usando um de dois sistemas pré-motores para fazer a temporalização do movimento: o sistema pré-motor medial ou o sistema pré-motor lateral. Na gagueira, o sistema pré-motor medial, responsável pela fala espontânea e integrado pelos núcleos da base, é o que tende a estar comprometido. Por outro lado, o sistema pré-motor lateral, responsável pela fala não-espontânea (como falar sozinho, cantar, ler em coro, representar um personagem e sussurrar) e integrado pelo cerebelo, tende a estar íntegro. Assim, a melhora da gagueira em situações que não envolvem fala espontânea é esperada e não significa que esta melhora possa ser transferida para a fala espontânea, uma vez que são processamentos distintos.

2 comentários:

Faide disse...

Porky pig(o ingênuo e doce gaguinho)um clássico dos desenhos animados de nossa infância,que além de entretenimento já nos apresentava diferenças que podem existir entre as pessoas, mostrado de modo divertido(tbm ingênuo),distinguido pelas crianças da forma como veem seu mundo,mas que com certeza somou na formação do caráter de muitas delas,ensinando que,respeito e igualdade não são uma opção nos dada e sim um ato de dignidade,civilidade e entendimento que ninguém é perfeito nem melhor que o outro mas todos são adoráveis do jeito que são,com suas diferenças....
Gilvan,bem legal você abordar o que é verdadeiramente importante ao ser humano.
A interpretação da vida,ou para que viemos e o que devemos fazer, nos últimos tempos,está muito equivocada.

Fica com Deus
bjo
Faide

leonardo disse...

Fico bastante agradecido!!!
Pretendo fazer prova para a pm.
E como sofro com a gagueira(leve),sei que isso pode me acaretar algum problema no ingresso na corporaçao.
Mas,desde ja,deixo aqui o meu muito obrigado pela sua atençao em estar desfazendo algumas duvidas.
Me aceita no orkut.
Leo.p2@hotmail.com