quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Os pecados do Haiti

Você sabia que o Haiti foi o primeiro país das Américas onde os escravos conquistaram a libertação – 1803, o que no Brasil só aconteceria em 1888? Por que então ele é hoje o país mais pobre do continente americano? Neste artigo – Os pecados do Haiti - o escritor uruguaio Eduardo Galeano coloca luz nesta história de racismo, opressão, exploração capitalista e bloqueios de todas as espécies, para que saibamos que não só o recente terremoto é o causador das desgraças do povo haitiano.
Artigo completo:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16342&boletim_id=637&componente_id=10620

Gilvan Almeida

Os pecados do Haiti

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental. Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros.

“... O Haiti fora a pérola da coroa, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro"...

“... A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação...”

Fonte: Agência Carta Maior

2 comentários:

Faide disse...

Gilvan,
Se importar é atitude digna e infelizmente em falta entre a maior parte dos Homens.
Quem sabe a força do amor,da fé e da esperança e claro da atitude de uns poucos,digo,dignos, possa um dia mudar comportamentos e valores tão equivocados.

Bjo
Faide

Isaac Melo disse...

Caro Gilvan,
o nosso ilustre escritor Euclides da Cunha tem uma frase que gosto bastante e que serve para reforçar isso que tu dissestes, diz ele: "verifica-se algumas vezes que não é o clima que é mau; é o homem". As piores catástrofes são aquelas cujo único responsável é a insaciável fome de poder e prepotência dos homens que se dizem "civilizados" e "civilizadores". Maldita civilização que tornou os homens mais escravos de si mesmo e de um poder podre e empodrecedor.
A grande tragédia do Haiti foi aquela ocasionado pelos anos de exploração das nações desenvolvidas, que até hoje não cessou.
Um grande abraço!