quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A dor de ser

Valho-me de um trecho do livro Depressão e melancolia, de Urânia Tourinho Peres, para trazer um estímulo à reflexão sobre a Depressão, esta que já é considerada o mal do século: “...O que dizer da dor que não pode ser dita? Sem causa ou natureza definíveis, sem possibilidade de compreensão? Dor do nada, simplesmente do vazio de existir, indescritível, incomensurável, e que, por isso mesmo, chama em vão a palavra? Muitos falaram dela, para dizê-la, traduzi-la ou minorá-la: tristeza, trevas, sombras sem fim, sol negro, nevoeiro, tempestade em céu sereno, certeza infeliz, apatia, acedia, tédio... O desespero da alma encontra refúgio na criação, na permanente procura de sentido. Como transformar em doença a dor de existir?...”
Nem todas as pessoas que estão vivas vivem. Muitas vegetam interiormente. Sem esperanças, sem alegrias, a vida para elas é um peso, sem significado, por isso muitas preferem a morte. Elas não conseguem conduzir com equilíbrio as próprias dores e, com isso, deixam de ver que na vida delas também há momentos de paz e de harmonia. A existência se resume em sofrer.

Nesta fase da vida, não tenho mais dúvida que viver dói, que a dor faz parte da vida de todos, sem exceção. Uns se anestesiam, adiando infantilmente este encontro.
A busca agora é o que fazer para tornar a vida menos dolorosa, desenvolver um meio de sofrer menos e aprender mais com o que foi vivido. Para isto, é importante que voltemos o olhar para dentro de nós mesmos, no sentido de perceber se estamos vivendo assim, distante dos nossos sonhos e buscas mais íntimas. Ter a coragem de se perguntar: eu sou feliz?
Entendo que a base da cura da depressão encontra-se no autoconhecimento, na procura de significados e razões do existir, trabalho que pode ser feito com auxílio da filosofia, da psicoterapia, da espiritualidade, da psicanálise e das religiões. Alguns precisam também de medicamentos.
Em um templo budista de São Paulo, encontrei uma frase, escrita na parede, que trago comigo como um objetivo que deve ser perseguido por todo aquele que quer ser feliz: “Vamos procurar o significado de ter nascido e a alegria de viver”.

Gilvan Almeida



2 comentários:

Faide disse...

Gilvan,
É realmente uma pena saber que achar satisfação dentro de si mesmo é uma atitude que muitas pessoas não tem por pensarem que sua alegria depende de fatores externos para se concretizar e acabam fadadas à decepção,à depressão...não enxergam que a plenitude está em cada um que a queira encontrar.
É preciso que se permitam acreditar mais em si,sem dependências emocionais,físicas...sem
preconceitos,filtros ou fórmulas mágicas e com certeza a experiência que é viver,se tornará mais rica e mais clara.
É isso aí...muito bom teus posts com conteúdos de bom gosto, importantes e instigantes.

bj0
Faide

Isaac Melo disse...

Caro Gilvan,

a que ponto chegamos. O homem produz tecnologia que o leva à lua, enquanto continua na obscuridade de seu próprio ser.

Gosto de suas reflexões, são muito pontuais, vão ao cerne do problema. Parabéns!

Um fraterno abraço!