quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Consequências da demonificação da febre

O capitalismo utiliza-se, há décadas, de diversas formas para dominar e lucrar, nos principais campos de sua atuação. O segredo de todas elas é ter sempre um inimigo em foco. Na política internacional, por exemplo, já fizeram, ou ainda fazem parte deste foco, vietnamitas, comunistas, nicaragüenses, cubanos, muçulmanos, russos, iraquianos, afegãos, e tantos outros. Tudo isso tendo a mídia como grande aliada, para que a cabeça da população seja devidamente feita.
Na área da saúde, os laboratórios farmacêuticos, com o processo de demonificação da febre (que tornaram símbolo de doença e não a resposta da defesa orgânica que é), obtêm lucros astronômicos com as vendas de antitérmicos. Raros são os pais que não ficam apavorados, hoje em dia, com a mais leve alteração da temperatura de seu filho, como também são poucas as informações veiculadas à população, e até ao meio médico, que digam o que realmente a febre significa.
Li um artigo na revista Pesquisa Médica, em que uma pesquisa indica o comprometimento da resposta imunológica às vacinas estudadas e a própria eficácia delas. Coloco a seguir uns trechos que achei interessantes. Quem quiser ler o artigo completo visite o site da revista (http://www.revistapesquisamedica.com.br/PORTAL/textos.asp?codigo=11691).

Gilvan Almeida

Cautela com o uso profilático dos antitérmicos

A indicação desses fármacos para evitar a reação febril em lactentes, previamente à vacinação, pode comprometer a resposta imunológica à vacina e sua própria eficácia.

O aumento da temperatura corpórea é relatado na literatura como um mecanismo de defesa, pois ocorre em diversas espécies de vertebrados acometidos por processo infeccioso. Acredita-se que a febre contribua para o aumento do metabolismo, necessário em condições de infecção. (...)
A febre pós-vacinação, apesar de geralmente benigna e limitada, é motivo de preocupação de pais e cuidadores de crianças, bem como dos profissionais de saúde que temem seus eventos convulsivos. (...)
Com o intuito de tranquilizar os pais, muitos profissionais da saúde, inclusive, os pediatras, passaram a prescrever antitérmicos para crianças, após a vacinação. (...)
Estudos realizados na República Tcheca procuraram avaliar o efeito do uso do paracetamol profilático no momento da vacinação e dentro das 24 horas subsequentes na taxa de reações febris e na resposta vacinal em lactentes vacinados com a pneumocócica 10-valente conjugada à proteína D do Haemophilus influenzae não tipável (PHiD-CV), coadministrada com a vacina hexavalente difteriatétano- coqueluche acelular, a hepatite B, poliomielite inativada, H. influenzae tipo b (DTPa-HBVIPV/ Hib) e vacina oral contra rotavírus (HRV),
seguida pela dose de reforço de PHiD-CV mais DTPa-HBV-IPV/Hib. (...)
Os estudos realizados em dez centros da República Tcheca foram coordenados pelo professor Roman Prymula, da Universidade de Defesa, em Hradec Kralove. Ele randomizou um grupo de lactentes para receber três doses profiláticas de paracetamol, de 6 a 8 horas, durante as primeiras 24 horas após a vacinação com PHiD-CV, coadministrada com DTPa-HBV/Hib (n = 226), enquanto outro grupo não recebeu nada (n = 233). (...)
Com relação ao uso de um fármaco prescrito profilaticamente depois da vacinação e a imunogenicidade, a pesquisa trouxe um dado relevante: as respostas primárias dos anticorpos aos dez sorotipos de pneumococo contidos nas vacinas, e aos demais antígenos, diminuíram, consideravelmente, no grupo do paracetamol profilático. (...)
Segundo os autores, o antitérmico interferiu na resposta imune, ao bloquear as interações entre células dendríticas, linfócitos B e T, reduzindo, assim, a resposta inflamatória aguda desencadeada pela introdução dos antígenos no organismo, via vacinação. Quando o medicamento foi usado em presença de febre, o efeito sobre a imunogenicidade
não foi tão significativo em função de a resposta inflamatória já ter se instalada. A conclusão a que chegaram: a indicação de antitérmicos profiláticos em lactentes previamente à vacinação deve ser criteriosa, pois, além de não trazer benefícios, pode comprometer a resposta imunológica às vacinas.

Fonte:

Prymula R, Siegrist C, Chlibek R, et al. Effect of prophylactic
paracetamol administration at time of vaccination
on febrile reactions and antibody responses
in children: two open-label, randomized controlled
trials. L

2 comentários:

Ana Paula Duarte disse...

Olá Gilvan, muito obrigada pela visita e pelos elogios.
Fico agradecida, visite-me mais vezes!
Obrigada pela dica!
Seu blog também é interessante, gosto de blogs com conteúdo, blogs q me tragam bagagem e aki é um ótimo espaço leitor.
Abraço.

Faide disse...

Gilvan,
Realmente o jogo do poder é cruel e as estratégias de marketing das indústrias então...a farmacêutica instalou na sociedade uma cultura do medo da febre incentivando que seu combate deve ser rápido,uma tendência que pode ser muito nociva.Porque mesmo se sabendo que a febre tem um papel fundamental na dinâmica do nosso sistema imunológico,ainda assim,a ansiedade é problemática e acaba se querendo tudo "fast."
Encontrar você em meu caminho foi encontrar segurança para colocar em prática o que eu sabia e não fazia e isso é muito bom.
E é fundamental mesmo se fazer uma contracultura da febre.´
Continue se importando...afinal é de batalhas que se vive a vida...(amo essa música rrssr)


bjo